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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Se a gente já não sabe mais rir um do outro, meu bem, então o que resta é chorar...

(Música do título: O vento - Los Hermanos)

Olha aí, parece que estamos voltando ao ritmo normal de postagem :D

Na verdade, eu ia postar só amanhã, mas não vai dar, então achei melhor adiantar do que atrasar.

Vamos mudar um pouco as coisas por aqui neste post... Hoje só os novos selos e o que me der na telha de escrever... Capítulos pra depois =P

Esse foi indicado pela Thays Lima:



É o Troféu do Amigo!
Criado no intuito de conhecer novas pessoas e enaltecer grandes amizades via blogosfera!
Esse é o Troféu do Amigo!
Esses blogs são extremamente charmosos.
Esses blogueiros têm o objetivo de se achar e serem amigos.
Eles não estão interessados em se auto promover.
Nossa esperança é que quando os laços desse troféu são cortados
ainda mais amizades sejam propagadas.
Entregue esse troféu para oito blogueiros(as) que devem escolher oito
outros oito blogueiros(as) e incluir esse texto junto com seu troféu.

Eu costumo seguir fielmente as regras dos selos, mas hoje não tô afim de escolher pessoas... Afinal, nesta amada blogosfera são muitos os que eu considero amigos, e não apenas oito. Sendo assim, este selo vai pra todo mundo que está na lista de blogs aqui na barra lateral. Sintam-se indicados!

Este outro é o Seu blog é muito Top! Indicado pela Bell Bastos do Retilíneo.

Regras:

- Indicar quem te mandou
- Responder a pergunta: por que seu blog é top
- Indicar 7 blogs pra receberem o selinho
- Constar as regras

Bom, o nosso (meu e do Rôh) blog é top porque, pra início de conversa, nós somos demais xD Ok, falando sério... O .status quo. é Top porque nós temos um compromisso com esse blog. Ao mesmo tempo em que escrevemos o que queremos, o .status quo. também está aqui por vocês, que nos lêem e nos incentivam a continuar e também para nos manter cada vez mais unidos, apesar das tantas (!) diferenças. *enxuga as lágrimas*

Hoje tô revoltada com regras... Mais uma vez, esse selo é pra todos! Sintam-se indicados xD

Ok, passados os selinhos e declarações de amor ao blog... Mais uma vez estou com uma vontade louca de escrever sobre... o ato de escrever xD Vou acabar escrevendo um livro sobre isso... Ei, não é má idéia!

Enfim... Minha história Pra não dizer que não falei de flores (Flores, pros íntimos xD) está recebendo comentários realmente construtivos no Nyah! Fanfiction, que é o site onde publico minhas histórias. Todo mundo que escreve deve saber como é maravilhoso receber um retorno positivo do seu trabalho. Eu não sou paga pra escrever, ou seja, não tenho nenhuma obrigação de atualizar minhas histórias em determinado período de tempo e coisa e tal... A minha única recompensa por escrever são os comentários que recebo. É pelas pessoas que lêem (e gostam do que lêem) que eu atualizo freqüentemente e também é por causa delas e dos bons comentários que eu me sinto motivada a continuar escrevendo e manter a qualidade do que faço.

Foi por essas e outras que nessas férias eu “me apeguei” muito a Flores. Como eu já disse umas milhares de vezes aqui, comecei a escrevê-la pura e simplesmente para aliviar a tensão do Will (Todos Aqueles Ontens) que estava me consumindo muito. Eu não tinha nenhuma preocupação em revisar os capítulos de Flores e pensava muito pouco no rumo que trama tomaria. Era realmente algo pra passar o tempo. Mas, como não podia deixar de ser, ela ganhou vida e eu não consegui fugir do fato de que todas as minhas histórias acabam tendo um pouco de mim nos seus personagens.

É aí que entra o que eu queria escrever hoje... O ato de escrever em primeira pessoa. Conheço algumas pessoas que têm muita dificuldade nisso. E outras que não têm problema em escrever tanto em primeira quanto em terceira. E, claro, as que, como eu, preferem escrever em primeira pessoa. Bom, depende de cada trama... Se a história tem muitos personagens e vários pontos de vista, é melhor que a narração seja feita em terceira pessoa. Mas para as que, como as minhas, se focam basicamente em uma ou duas pessoas, a melhor opção é a primeira.

Eu não escrevo bem em terceira. Posso até fazer isso (como no Prólogo de Ontens), mas vai sair com muito mais esforço do que se fosse em primeira pessoa. Quando a narração vem de um personagem, geralmente o protagonista ou um deles, é impossível pra mim não me envolver profundamente na história. Sentir o que o personagem sente, essa é a questão.

Quando escrevo em primeira pessoa (ou seja, sempre), procuro descrever fielmente o que o personagem está sentindo ou vivenciando no momento. Meus personagens sentem mais do que agem. Eu tenho que saber o que ele está sentindo o tempo todo, e isso é desgastante.
Mas não é ruim. Em primeira pessoa as coisas simplesmente... fluem. Eu já disse aqui no .status quo. como sofro pra escrever, como demoro pra conseguir parar de revisar e achar que algo está bom. Mas eu amo escrever. Sim, como todo amor, este também é contraditório.

Ao mesmo tempo em que preciso me sentir na pele desses personagens, eles também acabam me trazendo uma espécie de escape. O Will foi o primeiro e sempre será o único (creio eu) que terá a incrível capacidade de me esgotar e me aliviar com a mesma intensidade xD Toda forma de escrita, pra mim, sempre é um alívio (contanto que não seja obrigação), mas direcionar esse alívio para determinado personagem e determinado momento é melhor ainda.

Will é, basicamente, a pessoa que eu gostaria de ser. Não no sentido de viver as coisas que ele vive (ou melhor, que eu o faço “viver”), mas o Will-essência, o Will despido de fatos, esse sim, é uma coleção de coisas que eu nunca fui ou nunca terei oportunidade de ser. Bom, pra início de conversa, ele é homem 8D Estranho, mas eu realmente não consigo escrever em primeira pessoa se o personagem for uma mulher. Simplesmente não sai. Um dia ainda consigo...

O Rodrigo de Flores é o escape pra um lado mais doce que eu não revelo nem sob tortura xD Todo mundo tem dois lados, um mais calmo e outro nem tanto, só um sempre pesa mais... Em Flores eu posso desenvolver esse lado mais tranqüilo que definitivamente não levo pra vida real u.u’

E, finalmente, há mais um... Essa semana eu decidi começar outra história, chamada The Greatest. Um dia desses, eu estava assistindo o filme Alta Fidelidade (que, aliás, nunca terminei de assistir xD) e aquela coisa de loja de discos, CDs e derivados me fascinou. No mesmo dia li uma crítica do filme Milk – A voz da igualdade (preciso assistir!) e lá dizia que o cara (o Milk do título) tinha uma loja de discos e tal... Poxa, duas vezes no mesmo dia! A idéia ficou na minha mente por alguns dias até que eu decidisse pôr a mão na massa.

Amo música, de todo o coração. E acho fascinantes as décadas de 60, 70 e 80. Pra mim é meio triste ver como o nosso modo de conseguir as músicas que queremos está deixando de ser “físico” e se tornando virtual. Se antes comprávamos CDs, hoje baixamos no Emule. Estamos passando por uma transição. A bandas disponibilizam algumas faixas no sites, outras podem ser compradas... Tudo virtual. Não é muito mais gratificante comprar um CD? Eu não estou dizendo que não ouço músicas na internet, nem que isso é completamente errado. O que estou dizendo é que devíamos equilibrar isso. Eu adoro a Internet, mas às vezes acho que estamos exagerando. Sim, isso entra em conflito com a minha área, que é justamente a Informática, mas eu tenho um certo medo do futuro da tecnologia. Mas isso é assunto pra outro post...

Enfim... Do meio da década de 80 para o início da década de 90 também houve uma transição. Os LPs - os velhos discos de vinil, tão bonitinhos *-* - começaram a se tornar obsoletos e as pessoas preferiam comprar CDs, que tinham acabado de surgir no mercado e eram a grande novidade do momento. Aqui em casa, o primeiro CD foi comprado em 1989.

Bom, resolvi que a história se passaria nesta época. E, claro, como ponto principal, uma loja de discos e música em geral (cassetes, revistas, CDs, etc). Pensei em situá-la no Brasil, mas depois pensei melhor e resolvi que seria, mais uma vez, em Londres. Porque? Bom, porque eu preciso de estações bem definidas (inverno e outono, principalmente), porque eu amo Londres e porque não consigo imaginar um lugar melhor para situar algo focado em música. O rock britânico é maravilhoso.

De tanto escrever Flores nestas férias, eu estava precisando de um personagem mais ácido do que o calmo Rodrigo. Precisava de algo pra descontar o meu senso de humor um tanto sarcástico (só um tanto?) que muitas vezes eu deixo só pra mim. E então surge o Joshua.

No início dos anos 90 também começava a surgir nas faculdades o curso de Engenharia da Computação. Perfeito. Música e Exatas.

É, eu sou das Exatas. Meio difícil de acreditar, até pra mim xD Apesar do meu imenso amor à arte, essa é a minha área. Então nada melhor pra aliviar isso também do que um estudante de exatas com sua grandessíssima queda pelas humanas, assim como eu.

Mas tudo bem... Depois de Engenharia eu faço Jornalismo e Belas Artes 8D *iludida*

Enfim, não postarei essa história aqui, senão ficaria a maior confusão. Mas a medida que eu for atualizando no Nyah! vou colocando os links pros capítulos no Índice (abaixo da lista de blogs). Pra quem quiser, primeiro capítulo aqui.

Ah, minhas aulas começarão nessa segunda-feira, finalmente!! *-* Depois conto como estão as coisas por lá...

Até mais... o/

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Je ne vais plus pleurer, je ne vais plus parler...

Olá...


Antes de qualquer coisa, quero dizer que sei que os meus posts são absurdamente enormes e que não é todo mundo que tem tempo (e saco) pra ler tudo xD Então, se você só ler a parte besteirol, ou só ler a parte de memes ou selos, ou só quiser ler a continuação das histórias, no problem. E se você quiser ler tudo, melhor ainda xD Este post, particularmente, vai ser grande mesmo, porque faz séculos que eu não piso aqui xD


Pra vocês verem como a Vida, o Universo e Tudo o Mais são irônicos, o Rôh não tá postando por estar ocupado demais (creio que ele volta a postar no próximo fim de semana) e eu por estar desocupada demais. Essas férias estão me matando... Odeio passar um mês inteiro boiando no tédio. Passei essa última semana sem nem chegar perto do .status quo., e nem de nenhum outro blog. Perdoem a ausência de mais de uma semana, mas eu tava precisando de uma folguinha das coisas que eu sempre faço. Parei até de (tentar) tocar violão, e olha que eu tava até avançando. Ao menos pra duas coisas essas férias estão servindo: pra que eu desenhe e escreva mais. Ontem de madrugada eu fiquei super feliz porque consegui desenhar o Will, depois de milhares de anos tentando. Mas minha felicidade não durou muito... A arte final ficou uma grandessíssima merda, não ficou nem parecida com o esboço original que eu não vou postar aqui por vergonha xD O mais próximo que eu já cheguei do Will que existe na minha mente insana foi este aqui, feito há uns dois anos:


Neste desenho ele tem lá os seus quinze anos, como no começo da história. Mas o que eu queria mesmo era desenhar o Will um pouco mais velho, que é completamente diferente deste rostinho ‘angelical’ xD Vou ver se daqui pra semana que vem eu melhoro meu rascunho estranho... Se quiser ver meus outros desenhos estranhos é só clicar aqui.


Mudando radicalmente de assunto... A maioria dos meus amigos (de fora do CEFET) estão agora no 3º ano ou na faculdade. Eu quase consigo sentir falta dessa “rotina” normal. Lembro agora como estudei horrores pra entrar no CEFET, e queria (é, eu sou doida xD) uma motivação dessas de novo. Acho que é a ansiedade pelo quarto semestre. Só começa em março, e eu estou quase tendo um ataque aqui. Sempre fui assim, é só ter a perspectiva de um novo período letivo que eu fico doidinha esperando xD


Ok, vamos aos memes...


Recebemos dois memes essa semana. Você deve estar se perguntando: porque o Rôh nunca responde os memes? Eu respondo: porque ele não quer xD Já tentei convencê-lo a ser mais sociável, mas não deu certo ><”

Certo, o primeiro foi da Lêda. É pra contar seis segredos. Vou tentar...


1. Já pensei em entrar pra Marinha e ser engenheira naval. Ainda bem que não levei isso adiante xD É disciplina demais, eu não suportaria.


2. Morro de medo da piscina do CEFET, mesmo sabendo nadar. É muito funda, e já sonhei várias vezes que me afogava nela o.O


3. A maioria das pessoas que falam comigo no MSN pela primeira vez e não me conhecem pessoalmente acha que sou homem o.O²


4. Já tive uma agenda da Capricho *olha pros lados e sai correndo* xD


5. Tenho medo de avião desde que comecei a assistir Lost xD


6. (Quase) todos os meus ex me odeiam não sei porque ¬¬ *cínica*


O outro meme foi a Sophie que indicou. Achei ele super interessante! Tenho que escrever nove coisas sobre mim, sendo que três serão mentiras. Quem receber este meme deverá postar na sua resposta as três mentiras do blogueiro, que depois vai revelar se elas acertaram ou não xD


Vamos lá:


1. Eu não gostava de mangá quando era pequena;

2. Gosto de country e blues;

3. Sou chorona;

4. Adoro Eletricidade;

5. Tenho medo de trovão;

6. Adoro bolacha de morango;

7. Já tive uma tartaruga;

8. Me rendi à tecnologia e só estou escrevendo no PC;

9. Já rasguei manuscritos do Will.


E os da Sophie que eu acho que são mentira:


2. Sonho em fazer Medicina.

4. Sonho conhecer Paris e o Vaticano.

7. Tirei agora minha carteira de motorista.


Eu indico os dois memes para Jellyfish, Onde nem o céu seja o limite, Je’ suis e Thays Lima ^^


A Mony indicou o selo Olha que blog maneiro! Eu já tinha recebido antes e publicado as regras neste post, e vou colocar o nome dela embaixo do selo também : )


Eu ia postar hoje o capítulo oito de Pra não dizer que não falei de flores, mas tô com vontade de postar o Will xD Lembrando que se você quiser ler alguma história desde o começo, embaixo da lista de blogs aqui na barra lateral tem um "índice".


--


Todos Aqueles Ontens


Capítulo 2 - Dizes que sou feliz, e não mentes (Continuação)



Duas semanas depois, em uma tarde de sábado, Orlando foi comigo até minha casa, para contarmos tudo à minha mãe.


Eu tremia. Planejei vários modos de dizer, imaginei milhares de reações que ela poderia ter, mas quando chegamos lá e eu tive de apresentá-los, a única coisa que consegui dizer foi:


- Esse é o Orlando. Meu namorado.


Nenhum explicação, nenhuma história de como aconteceu ou algo do tipo; apenas saiu. Meu namorado. Nada mais. Cerca de dois segundos depois de ter dito, eu me arrependi, mas bastaram apenas outros dois para que eu me sentisse aliviado por não ter de dizer mais nada. Tudo já tinha sido dito naquela frase.


Minha mãe, que se chamava Katerina, teve apenas um segundo de hesitação, para logo em seguida apertar a mão de Orlando e sorrir. Seu sorriso era igual ao meu. Os olhos verdes também, assim como o nariz comprido e fino. Apenas o cabelo não era; o meu era louro, e o dela, castanho.


Depois daquele instante de hesitação, ela não deu nenhum sinal externo de desagrado. Agia normalmente, e isso me dava medo. Quando Orlando foi embora, depois do chá, eu entrei em pânico. O que ela diria? Talvez fosse melhor eu começar a arrumar as malas...


- Não precisava ter esperado tanto para trazê-lo aqui. – foi o que ela disse, me trazendo de volta a realidade.


- Hã?


- Parece ser um bom rapaz. – ela continuou, enquanto lavava uma xícara e se virava para me olhar. – Achou mesmo que eu não sabia?


- x -


- Sua mãe é realmente estranha – Orlando comentou no dia seguinte, quando lhe contei o ocorrido.


- Ela é. Nem sei o que pensar.


- Não foi tão ruim quanto você achou que seria.


- Ao menos isso...


- A propósito... vocês são muito parecidos. – ele disse, passando geléia em uma torrada.


- É...


- Will?


- Oi.


- Dá pra voltar pra Terra?


Eu realmente estava muito distraído. Puxei um assunto qualquer da memória para tentar iniciar uma conversa normal. A falta de reação da minha mãe ainda me perturbava; se ela tivesse me expulsado de casa eu estaria mais tranqüilo.


- Quem é aquela mulher que sempre acena pra você quando você sai?


- Hm? Ah, é a Carmen.


- A Carmen? – repeti, sentindo uma pontada de ciúme. – E vocês se conhecem?


- Ela é minha vizinha, Will. – ele respondeu, agora rindo.


- Isso não justifica.


- Não justifica o quê?


- Ela ficar toda cheia de sorrisos quando te vê!


- Deixa de bobagem. – ele reclamou, me dando um beijo rápido e me puxando para o quarto.


- Você não ia comer? – perguntei, olhando para a torrada abandonada na mesa.


- Depois.

- x -


Eu nunca tinha ido à escola. Aprendi a ler e escrever em casa, na Rússia. Fazia apenas três anos que eu tinha chegado à Inglaterra e já falava inglês razoavelmente bem, ainda que com muito sotaque. Mas não era o bastante. Sem saber ler e escrever inglês eu não poderia arranjar um bom emprego.


A lanchonete cresceu, e eu fui demitido. Alegaram que eu não poderia anotar os pedidos; antes eram poucas mesas e eu os decorava para passar à cozinha. Já não dava mais pra fazer isso.


Al e Orlando tentavam me ensinar, mas não era fácil mudar de alfabeto assim. Meu ritmo era lento e, enquanto não aprendia, também não conseguia outro emprego.


Enquanto isso, no espaço onde ficava a livraria, Orlando tentava montar um hall e uma sala de estar. Era horrível ter aquele espaço todo sem nenhum móvel e nenhuma utilidade.


- James queria fazer um café aqui. – ele comentou.


James era o amigo com quem Orlando dividiu a casa há alguns anos, antes que nos conhecêssemos. A casa era dele, que agora estava em Oxford, se formando advogado.


- Parece uma boa idéia.


- Ele vai vir aqui no próximo fim de semana, aí a gente vê tudo.


- x -


Finalzinho sem graça, eu sei... u.u’ De qualquer forma, o capítulo dois ainda não acabou. Depois eu posto a continuação dele (que eu espero deixar maior que o primeiro); ainda tá no comecinho e tem muita coisa pra acontecer o.O No total são doze capítulos.

Até mais... Comentem para fazer Moony feliz o/


Je ne vais plus pleurer

Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
À te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas
(Ne me quitte pas - Edit Piaf)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

E então eu vi o infinito...

"(...) o sentimento não é bem de arrependimento, é uma espécie de nostalgia - já lhe disse isso. Nostalgia daquilo que a gente não é, dos lugares onde não esteve, das coisas que não chegou a fazer... Se você não tiver isso, se um dia se sentir satisfeito, pode ter a certeza de que você não é mais escritor." - Trecho de O Encontro Marcado, de Fernando Sabino, p. 117.

Olha eu aqui de novo... Ah, as reticências do título do post não têm nada a ver com as reticências do trecho de Encontro Marcado, ok?

Tenho três coisas a fazer hoje... A primeira é explicar porque o Rôh vai passar um tempinho sem postar aqui, a segunda é postar os novos selos do .status quo. e a terceira é postar a primeira parte do segundo capítulo do Will ^^

Ah, antes de qualquer coisa... Bem embaixo da lista de blogs aqui ao lado, vocês vão encontrar agora uma espécie de “índice” pros capítulos das minhas histórias. Achei que seria mais prático do que ficar procurando nos marcadores. Então, se você quiser ler alguma história desde o começo, ou ler algum capítulo mais antigo, é só ver o índice e escolher ^^

O Rôh vai passar um tempo sem postar, por dois motivos. Por ter acabado de se mudar, e portanto estar sem telefone, internet e outras formas de comunicação com o mundo exterior, e também porque agora ele está fazendo o 3º ano. Isso significa, basicamente, estudar pro vestibular >.<” Mas não chorem, ele volta i.i O .status quo. ganhou mais alguns selos:



Este aqui, criado pelos blogs Tecnenfermaginando e Liberté, deve ser indicado para 10 mulheres.
Indico para Patrycia, Sophie, Poly, Bruna Luyza, Mah, Thays, Vanessa, Chrissie, .ana. e GueGue.









Este foi indicado pela Kekel ^^









Este pela Lêda Maria, do Diz aí ^^










E este pela .ana., do .das minhas convicções.






As regras são indicar para seis pessoas e contar seis segredos. Não contarei nenhum, é claro, senão não seriam segredos xD Mas vou contar umas particularidades minhas (ou bizarrices, chame como quiser xD) :

1 - Só tomo café com a colher dentro da xícara;
2 - Tenho memória olfativa;
3 - Sou viciada em Coca-Cola;
4 - Decoro o número dos ônibus que pego;
5 - Quando ligo pra alguém, deixo chamar cinco vezes. Sete, se for urgente xD;
6 - Sou muito possessiva.

Indico, não somente este selo, mas também os Mania de Eescrever e Proximidade para Aja Modéstia!, Onde nem o céu seja limite, Sophie, Jellyfish, A máquina de escrever e Chapéu Torto.

Bom, é isso aí... Agora vamos ao Will ^^


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Finalmente, hoje começo a postar o segundo capítulo. Espero que gostem e comentem, porque são os comentários que me animam a escrever mais ^^ Sério mesmo, faz muito tempo que não escrevo nessa velocidade xD Quando vejo que tem pessoas lendo, tudo melhora ^^


Todos Aqueles Ontens


Parte I - Prelúdio para a solidão


Capítulo 2 - Dizes que sou feliz, e não mentes


Foram tempos de paz. Da lanchonete onde trabalhava como garçom eu seguia para a casa de Orlando. Um dia, quando cheguei lá, ele estava esvaziando as estantes; os livros eram arrumados em caixas espalhadas pelo chão. Uma estava separada para mim. Eram exemplares russos, antigos, com folhas amareladas e capa dura. Ajudei-o por algum tempo, já saudoso pela livraria fechada.

- E esse espaço todo... Vai colocar o quê aqui? - perguntei.

- Não sei... Talvez uma loja. Ou simplesmente uma sala de estar.

Assim a livraria acabou. Orlando deu algumas caixas para amigos, separou outra para mim (Pra quando melhorar o inglês, ele dizia), mas a maioria ficou com ele mesmo.

- Você já vendeu algum livro na vida? – perguntei, vendo a quantidade absurda de livros que cobriam aquelas estantes.

- Talvez uns cem. E um deles foi pra você.

O Conde de Montecristo. Eu nem sequer tinha lido; tentara uma ou duas vezes, mas meu inglês ainda não se estendera à literatura.

Ao chegar em casa, naquele dia, encontrei minha mãe na cozinha. Fazia tempo que eu não a via tão cedo em casa, e ainda mais cozinhando. Por alguns instantes me dei conta de que éramos só nós dois naquela casa, e mesmo assim só nos víamos de vez em quando.

Acho que ela não percebeu que eu estava ali, e eu também não quis dizer nada. Subi para o meu quarto, de certa forma aliviado por não ter de fazer o jantar.

- x -

Al foi a única pessoa para quem eu contei que estava com Orlando, e era, portanto, a única pessoa que entendia porque eu andava tão feliz nos últimos tempos.

Eu e Orlando tínhamos uma relação meio clandestina. Isso me incomodava, mas não mais do que os olhares tortos que recebíamos quando saíamos juntos. No começo foi ruim, mas depois resolvi adotar a indiferença. As coisas então melhoraram; eu estava feliz no meu mundinho particular onde só existiam nós dois.

Um dia esqueci um casaco na casa dele. Algumas semanas depois deixei lá uma camisa, e ao fim de um ano já estava quase morando lá. Minha mãe mal notava; tinha acabado de se formar enfermeira e fazia plantões com cada vez mais freqüência. Não acho que em algum momento ela tenha percebido que eu não dormia mais em casa. Ou talvez nem se importasse.

O começo de mil novecentos e oitenta e dois marcava o aniversário de um ano do nosso namoro. Comemoramos sozinhos, na casa que eu já começara a considerar como um segundo lar. Ainda nevava e a lareira estava acesa.

- Espera aqui. – ele disse, se levantando do sofá onde estávamos confortavelmente aconchegados sob imensos cobertores.

Voltou em menos de dois minutos, trazendo consigo uma caixinha, que me entregou. Desfiz o laço que a enfeitava e abri; dentro haviam duas alianças de prata.

- Já era hora de oficializar, não? – ele falou, colocando uma delas no meu dedo. Coloquei a outra no dele. Estava feito.

Ele então me beijou e aquele momento pareceu se prolongar pelo infinito. Não havia nenhuma luz acesa na casa; só a lareira, crepitando. Orlando estava sobre mim, distribuindo beijos pelo meu pescoço e tentando tirar minha camisa. Eu me ocupava com seu cinto.

- Ainda não contou pra sua mãe? – ele perguntou, enquanto abria os botões da minha camisa, um por um.

- Porque você tem que estragar tudo? – reclamei, o empurrando para sair de cima de mim.

- Will... Vem cá. Você não acha que tem que contar? – ele continuou, me puxando para perto de si novamente.

- Eu não... Não sei como fazer isso, não sei se...

- Se você quiser, eu vou também, te ajudo. Eu sei que é difícil, mas vai ser pior se ela descobrir por outra pessoa.

Olhei pra ele, desconsolado. Eu sabia que era necessário contar à minha mãe que eu era gay, mas como? Eu nem conseguia imaginar como ela reagiria.
Orlando mexia no meu cabelo, que já estava tão comprido que chegava quase À metade das costas.

- Vou cortar. – comentei, querendo mudar de assunto.

- Mas eu gosto assim. – ele reclamou, começando a fazer uma trança.

- Dá muito trabalho cuidar dele, sabia?

- Se quiser cortar, corte. Mas eu gosto do seu cabelo do jeito que é.

Aquele jeito dele falar, tão calmo e baixo, sempre conseguia me convencer. Bom, quase sempre. No caso da minha mãe, por exemplo, ele ainda não tinha conseguido.

- Eu não sei como dizer.

- Você consegue.
- Não...

- Vou estar lá, bem ao seu lado. – ele assegurou, me olhando nos olhos. – E daqui a um ano você vem morar aqui “oficialmente”. – ele acrescentou, num tom mais baixo.

Naquele momento tive vontade de chorar. Cheguei a sentir meus olhos se encherem de lágrimas, e nem sabia ao certo o porquê disso. A lareira, a conversa, os anéis em nossos dedos; tudo parecia tão surreal. Orlando ali, na minha frente, me dando certeza de que tudo ficaria bem.

Tão surreal e, no entanto, era tudo em que eu conseguia acreditar.

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O fato desse pedaço ter terminado exatamente no trecho que eu coloquei no post passado é mera coincidência xD

Ah, ontem terminei mais um capítulo de Pra não dizer que não falei de flores. Talvez semana que vem eu coloque ele aqui ^^

Até mais, people...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Você entrou no sol, criança. E sobreviveu para contar a história - Marius, em O Vampiro Armand.

Hallö, pessoas...

Há séculos tô com vontade de escrever umas coisinhas mais interessantes pra postar aqui, mas a enxurrada de provas do fim de semestre não me permitia i.i Mas agora estou de férias *_*

Como o restante do primeiro capítulo de Todos Aqueles Ontens (sim, o primeiro capítulo acaba hoje!! xD) é relativamente curtinho, vou me dar ao luxo de escrever um pouco e postar o novo selo que o .status quo. recebeu xD

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Primeiro o selo:


Esse aqui foi indicado pelos blogs Sem Gorduras Trans, Varda, Blá, blá, blá... etc e tal's! e Sophie.

Regras:

1. Exiba a imagem do selo “Olha Que Blog Maneiro”.










2- Poste o link do blog que te indicou:

.Sem Gorduras Trans.
Varda

Blá, blá, blá... etc e tal's!
Sophie

3- Indique 10 blogs de sua preferência:

je' suis
Aja Modéstia!
Irracionalidade Racional
Nenhum Mistério
O que uma garota pensa
Development
I wanna be sedated
Duas doses de desdém
.das minhas convicções.
Thays Lima


4 - Avise seus indicados.

5- Publique as regras.

6- Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.

7- Envie sua foto ou de um(a) amigo(a) para olhaquemaneiro@gmail.com juntamente com os 10 links dos blogs indicados para verificação. Caso os blogs tenham repassado o selo e as regras corretamente, dentro de alguns dias você receberá 1 caricatura em P&B.8- Só vale se todas as regras acima forem seguidas.


Prontinho ^^

Os outros selos, indicados pela Sophie, pela GueGue do Carpe Diem e pela Magui Jay do Chrono Poetry II já foram colocados aqui ao lado ^^ São os três últimos, e indico pra mesma listinha do selo Olha que blog maneiro!

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Eu andei pensando ultimamente... A gente convive com tantas pessoas na vida, mas tão poucas delas fazem realmente alguma importância! São tantos amigos, tantas pessoas que, naquele momento em especial, a gente acha que vão estar ao nosso lado pra sempre.

Mas isso acaba não acontecendo.

Dá pra contar nos dedos das mãos os amigos-realmente-amigos que tenho xD Tive alguns outros que, na época, foram muito incrivelmente importantes pra mim, mas hoje em dia nem nos falamos mais. Não por raiva ou qualquer outra coisa assim, mas simplesmente porque não mantivemos contato.

É tão cruel encontrar um desses amigos na rua e não se lembrar do rosto dele imediatamente! É cruel perceber que a ausência de uma pessoa já não faz mais tanta diferença pra você. É cruel saber que uma amizade tão forte virou um “e aí, como você vai?”...

Acabei de voltar da “confraternização” (porque chamam assim? Pra mim tá mais pra reunião mesmo xD) de despedida do P3 (3º semestre). Agora só volto lá no CEFET pra fazer uma prova de Química (a última da minha vida, antes da UECE! xD), e então... Férias e esperar pelo P4 ^^
Foi boa, a confraternização/reunião... Pela primeira vez na vida tenho contato com (quase) todas as pessoas com quem convivo naquela sala. Sempre fui meio anti-social, mas desde que entrei no CEFET isso tem diminuído a cada semestre ^^

Não quero perder o contato com essas pessoas... Não quero deixar de ter crises de riso com elas...

Mas, enfim...

Agora é aproveitar meu tempo livre para:

- voltar a desenhar;
- (tentar) aprender a tocar violão;
- ouvir todas as músicas que baixei e não ouvi;
- ler os livros que pude ler durante a temporada de provas;
- escrever;
- digitar os capítulos prontos do Will;
- etc...

Ok, é isso... Agora o Will ^^


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Aqui está o último pedaço do primeiro capítulo (nossa, que difícil xD) de Todos Aqueles Ontens:


Todos Aqueles Ontens

Parte I - Prelúdio para a solidão


Capítulo 1 – Palavras de um futuro incerto (Continuação)


O Natal daquele ano chegou e se foi como todos os anteriores. Não chegava a ser minha época favorita, apesar de não ter nenhum motivo especial para pensar assim. Eu gostava apenas do frio e do movimento nas ruas.

Mil novecentos e oitenta e um começou gelado e com cara de ressaca; toda pessoa que eu via na rua parecia ter passado as últimas duas semans destruindo o fígado. Mas, naquele começo de janeiro, quando cheguei à Stefani & Stefani, vi que Orlando era exceção.

Não nos falávamos desde aquela tarde em que acabei sendo espremido contra a parede. Nosso relacionamento, se é que já tínhamos um, já começou cheio de falhas de comunicação. Nesses últimos dias ele só tinha telefonado quando eu não estava em casa. Cheguei a pensar que fosse proposital.

- Vou fechar a livraria. – ele disse, quando subimos a escada.

- Porquê?

- Não dá lucro.

Simples assim. Ele foi até a cozinha; movido por um impulso, me adiantei e tirei a jará da cafeteira das suas mãos.

- Onde está o pó? – perguntei.

Com um sorriso e sem dar uma palavra, ele abriu o armário e de lá tirou o pote do café. Depois se sentou na bancada e ficou me olhando.

- Vá em frente.

Eu fui. Não dava pra entender como ele conseguia tornar ruim algo tão simples de se fazer. Enquanto eu observava a cafeteira fazer seu trabalho, Orlando desceu da bancada.

- Você é um rapaz muito prendado. – ele sussurrou, enquanto me abraçava.

- Sei disso. Onde tem mel?

Um tanto intrigado, ele me soltou e foi buscar. Enchi uma xícara de café, pus uma colher de mel e lhe entreguei.

- Não está ruim.

- Claro. Fui eu que fiz.

- x -

- O que acha de ser meu namorado? – ele perguntou de repente, já no sofá.

- Acho que não sei o que dizer – respondi, algum tempo depois. Tinha sido pego de surpresa. – Ou o que pensar - acrescentei, um tanto trêmulo.

- Não acho que seja exatamente o tipo de questão em que se precise ficar pensando, porque, se pensar, vai acabar achando errado.

- E não é? – perguntei baixinho, com vergonha de mim mesmo pela pergunta.

Orlando me olhou como se eu o tivesse ofendido. Depois sua expressão mudou para algo parecido com pena, e me beijou.

- Isso parece errado?

- x -

Foi assim que começou, simples como um beijo. Minha cabeça, no entanto, era um turbilhão de contradições; resolvi seguir o conselho de Orlando e não pensar. Talvez por isso eu lembre desse início mais como um sonho do que como algo que realmente aconteceu. Era como os campos de girassóis, que foram se tornando apenas uma lembrança luminosa e confusa com o passar dos anos.

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Preview básica do Capítulo 2 - Dizes que sou feliz, e não mentes:

“Naquele momento tive vontade de chorar. Cheguei a sentir meus olhos se encherem de lágrimas, e nem sabia ao certo o porquê disso. A lareira, a conversa, os anéis em nossos dedos; tudo parecia tão surreal. Orlando ali, na minha frente, me dando certeza de que tudo ficaria bem.
Tão surreal e, no entanto, era tudo em que eu conseguia acreditar.”



Comentem para fazer Moony feliz xD~
Até mais...

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

You've got time, you've got time to escape - All those yesterdays / Pearl Jam

Olá, pessoas...

POST EDITADO EM 14/01:

Gente, estou editando só pra postar aqui os selos que foram indicados para o .status quo. pelo Homero, do Divagações e anormalidades de uma mente ociosa, e pela Sophie.

Do Homero:


Eu indico para:

Jellyfish
Sophie
Irracionalidade Racional

E da Sophie:






Que eu indico para:

Jellyfish
Irracionalidade Racional
Nenhum Mistério
Aja Modéstia!



Agora o post original:

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Vou postar hoje a continuação de Todos Aqueles Ontens, mas antes vou falar umas coisinhas...

Ultimamente eu andei bem triste... Não sei bem porque, é uma coisa que me acontece às vezes, isso de ficar triste sem motivo. Mas aí, quando cheguei em casa, simplesmente vi que tinha chegado uma carta pra mim. Uma carta da Rebeca, uma amiga minha que foi morar (e estudar, evidentemente xD~) nos Estados Unidos há mais ou menos um ano.

A gente sempre se fala por e-mail (ela não tem msn), e há alguns meses eu mandei (enviei, pros não-cearenses xD~) uma carta pra ela. E agora veio a resposta ^^

Eu fiquei muito feliz. Confesso que quase chorei lendo. Quase, porque eu sou meio difícil de chorar >.<" Ela sabe como eu gosto do outono. Aliás, acho que todo mundo que me conhece sabe disso xD Dá pra notar até pelo Will xD~ Então sabe o que ela colocou na carta? Folhas de outono. Daquelas que parecem uma estrela. Ainda tô atrás de um saquinho, pra elas não estragarem i.i Eu até tirei uma foto, mas meu celular tá frescando com a minha cara e não quis conectar com o computador ¬¬ Mas tudo bem, eu supero e posto a foto outro dia. Ah, e eu fiquei muito feliz com os comentários do post anterior ^^ Continuem assim xD~ E agora, a continuação do primeiro capítulo de Todos Aqueles Ontens: --- Parte I - Prelúdio para a solidão


Capítulo I - Palavras de um futuro incerto (Continuação)


Naquela época eu não era nem um pouco sociável. Al era, praticamente, meu único amigo. E eu estava feliz assim. Acho que por isso já dá para avaliar minha dificuldade em resolver ir ver o cara da livraria de novo.

Parecia tão absurdo, tão incrivelmente ilógico e surreal, voltar àquela livraria só para vê-lo mais uma vez, que adiei o momento tanto quanto pude. Mas a necessidade foi mais forte que o meu senso de absurdo.

Eu não sabia o que faria lá, não sabia o que diria. Nem sequer sabia se ele estaria lá. Cheguei ao extremo ridículo de sonhar com aquele cara.

No meu sonho Orlando era uma presença forte, porém pouco nítida. Eu sabia que ele estava ali, me observando, mas não o via. Acordei quando senti, de uma forma assustadoramente real, sua mão esbarrando na minha. Um contato rápido, mas que fez (ou pelo menos achei que fez) todo o meu corpo tremer com um calafrio.

Apenas depois disso decidi, finalmente, ir àquela livraria na sexta-feira seguinte. Uma péssima idéia: passei a semana inteira num estado deplorável de ansiedade. E acho que o mais me angustiava era pensar o tempo todo no porquê de estar tão nervoso.

Foi assim que, na tão esperada sexta, meus pés me levaram quase que automaticamente até lá. Passei alguns segundos com a mão na maçaneta, tentando ajustar meus pensamentos, mas, por fim, entrei. Um sininho tocou quando abri a porta, e Orlando levantou os olhos dos papéis que lia, com a expressão de surpresa desconfiada que todos os donos de negócios falidos adquirem ao ver um cliente.

Ele estava na mesa perto da escada. Usava óculos, mas se apressou a tirá-los. Ou muito me engano, ou o sorriso que vi passava a impressão de que eu era muito esperado. Eu disse “oi”, e como resposta recebi um “fique à vontade”.

Para não parecer que eu tinha ido lá só pra ficar olhando pra cara dele, me meti entre as estantes e dei uma olhada nos livros. Era terrivelmente sufocante sentir o cheiro forte de mofo por todos os lados, mas fiz o possível para agüentar. Alguns exemplares nem eram tão velhos assim, e foi um desses mais conservados que me arrisquei a pegar. Era um volume único de O Conde de Montecristo. Na primeira página estava escrito “Orlando S. - 1972” numa caligrafia firme e inclinada. Meus pensamentos sobre o motivo de ele ter posto os próprios livros à venda foram interrompidos quando ouvi passos na escada.

Recoloquei o livro na estante e voltei ao hall. Orlando não estava mais na mesa. Aproveitei para continuar olhando os livros e, em quinze minutos, ouvi novamente os passos. Por algum motivo estranho que preferi não tentar identificar, minha respiração ficou descompassada quando percebi que ele se aproximava. Quando ele se postou atrás de mim e tocou meu ombro, eu já nem respirava mais.

Me virei lentamente, com medo de que as batidas do meu coração fossem ouvidas. Para mim, elas já estavam ensurdecedoras. Orlando tinha uma xícara de chá em cada mão, e me ofereceu uma, que aceitei; seria uma ótima maneira de descongelar minhas mãos, que quase tremiam. Mais uma vez me perguntei a razão de estar tão absurdamente nervoso, e mais uma vez não obtive resposta.

Perdido nesses questionamentos intermináveis, só percebi que tinha subido para a casa dele quando sentamos no sofá. Silenciosamente, tomamos nosso chá, lado a lado. Nem por um segundo me atrevi a olhar para ele. No entanto, me sentia observado.

Quando consegui relaxar mais, lhe perguntei sobre Al. Depois de constatar que realmente tínhamos alguém em comum, passamos algum tempo conversando sobre como o mundo é pequeno e outras amenidades. Enfim, tudo se resumiu numa visita bem comum, até eu notar que já passava das oito da noite.

- Tenho que ir. Já é tarde. - falei, já me levantando.

- Te deixo lá. - ele disse, como se fosse a coisa mais normal do mundo um cara que só vi duas vezes ir me deixar em casa.

Recusei educadamente umas quatro vezes, e ele desistiu, mas não sem antes me fazer prometer que voltaria.


- x -

E então começou: toda semana eu aparecia por lá, e ele foi “visitar o Al” algumas vezes (a visita sempre acabava na minha casa). Não teve jeito; nos tornamos amigos. E a livraria ficou com uma aparência muito mais saudável quando comecei a dar palpites nela.

O “problema” nisso tudo era que eu não podia negar que, por mais acostumados que estivéssemos um com o outro, o nervosismo sempre me acompanhava toda vez que eu o via. Principalmente quando a distância entre nós diminuía.

Eu já tinha até parado de me perguntar o motivo disso. Tanto que, com o tempo, a resposta foi se formando, no fundo da minha consciência, e cresceu tanto que se tornou impossível de negar. Ela dançava bem na frente dos meus olhos, todo o tempo. Mas só a aceitei definitivamente quando aconteceu o que iria determinar todo o resto da minha vida.

- x -

Foi no finzinho daquele outono. Estávamos perto do Natal, mas ainda não tinha começado a nevar. Eu já não encontrava Orlando apenas na livraria; nós saíamos juntos de vez em quando, ao cinema, ou pra fazer compras de Natal.

No fim de uma tarde de sábado em que saímos para simplesmente dar uma volta, nos refugiamos do vento gelado em um pub. Era um lugar velho e escuro, quase sem clientes. A única iluminação vinha de uma lâmpada amarela, fraca, dependurada no teto por um emaranhado de fios elétricos.

O balconista parecia estar dormindo. Orlando o acordou e, depois de me avaliar por alguns segundos, pediu duas cervejas. Nos sentamos e, algum tempo depois, o homem surgiu com duas enormes canecas cheias para nós. Tomamos alguns goles daquela coisa quente e ruim chamada cerveja, e tentamos conversar. Em cinco minutos o silêncio já reinava novamente, interrompido apenas pelos sons estranhos que o homem do balcão fazia quando esfregava os copos com alguma coisa que ele achava que podia limpá-los. O sol estava se pondo, deixando o pub com uma iluminação alaranjada e melancólica.

Então reparei que, no fundo, encostada na parede, perto da janela por onde entravam os últimos raios de sol daquele dia, havia uma jukebox. Fui até ela e pus Day Tripper para tocar. A coitada engasgou, ameaçou não conseguir, mas por fim a música saiu.

O balconista parecia levemente assustado com o funcionamento repentino de algo há tanto tempo abandonado, e Orlando, passada a surpresa inicial, ria. Afinal, não é todo dia que se vê uma jukebox renascer das cinzas do esquecimento.

Voltei para a nossa mesa, e tentei tomar mais daquela terrível coisa amarelada. Orlando saiu do seu lugar à minha frente e sentou-se ao meu lado. Eu sabia que ele me observava, calado, como sempre, e já não me importava mais com isso. Só comecei a achar a situação estranha quando senti seu braço passando pelas minhas costas. Instintivamente, olhei para o balcão; o homem tinha sumido, e Orlando tinha aproveitado a oportunidade.

Até então eu ainda não tinha criado coragem para me virar para ele. Meu corpo todo parecia feito de pedra, e minha cabeça já começava a girar. Depois do que me pareceram horas, ele segurou meu queixo e me fez encará-lo. Seus olhos estavam mais cinzentos ainda, mas não consegui olhar para eles por mais de dois segundos. De repente senti que ele me beijava, e ainda levei alguns instantes até reagir. Foi um beijo rápido e, pelo menos de minha parte, assustado.

- x -

É muito fácil contar como um relacionamento aparentemente perfeito acaba, mas contar como ele começou não é uma tarefa tão simples assim. Eu poderia dizer que, depois daquele beijo, começamos automaticamente a namorar, ou ainda que todo o processo aconteceu lenta e respeitosamente, e que já estava tudo predestinado para que nos conhecêssemos e ficássemos juntos... Mas não foi assim. Bom, talvez fosse realmente o destino, mas isso eu não posso confirmar. E talvez seja melhor esclarecer, antes de qualquer coisa, que não era a primeira vez que eu me interessava por um rapaz, e que não convém explicar tudo sobre isso agora.

O fato é que, a meu ver, nossa amizade se encaminhou naturalmente para um objetivo, que era, obviamente, o que houve (ou melhor, o que começou) no pub. Foi lento, sim. Se ele quisesse ter resolvido logo as coisas, poderia ter simplesmente me convidado pra sair, cheio de enésimas intenções, e num instante saberia se eu estava realmente interessado nele ou não.

Mas não. Orlando sempre foi um cavalheiro. Um belíssimo cavalheiro, aliás. E devo parar de enrolar e contar o que aconteceu depois daquele beijo.

Bom, aconteceu que acordei no dia seguinte com a cabeça girando e com a ligeira impressão de ter tomado um porre (o que experiências posteriores confirmavam ter sido realmente apenas uma impressão, e muito ligeira). Assim que sentei na cama, precisamente às dez horas da manhã, lembrei de todo o ocorrido de uma vez só, como uma pancada na cabeça.

Lembrei claramente dos olhos dele, incrivelmente perto de mim, e de constatar que eram realmente cinzas. Lembrei de como me senti derreter nos seus braços e de como ele soltou meu cabelo. E lembrei daquela expressão faminta que ele tinha quando terminou o beijo.

Me meti debaixo do chuveiro, o que não foi exatamente uma boa idéia, já que a manhã estava fria. E as imagens não paravam de pular na minha mente, me fazendo sentir mais culpa a cada segundo. Eu não queria nem pensar na possibilidade de perdê-lo. Mas, no fundo, eu sabia que isso não aconteceria. Ele me beijou, não foi? Soltou meu cabelo, me trouxe mais pra perto dele. E ainda me deixou em casa. Não, eu não iria perdê-lo.

- x -

O telefone tocou pouco depois do almoço. De alguma forma eu já sabia quem era. Atendi quase tremendo.

- Oi. Tá melhor? – foi o que ele disse depois dos “alôs” iniciais.

- Aham.

- Hm... Que bom.

Ridículo. Eu não sabia o que dizer, e ele também não. E ainda por cima fingíamos que nada tinha acontecido. Era o mais fácil a fazer no momento, afinal. Ao menos ele teve coragem de telefonar.
Sei que depois daquela ligação fiz o que me pareceu ser o mais sensato; me enfiei na cama, com a cabeça debaixo do travesseiro. Nada me tiraria dali, pensei. Nunca mais teria coragem de olhar na cara do Orlando...

Claro que a minha pequena tragédia adolescente não terminou assim. Em uma semana o encontrei de novo. Saímos juntos, fomos a uma praça e por lá ficamos, admirando o lago quase congelado e as pessoas com suas dezenas de sacolas. Faltavam cinco dias para o Natal.

- Devo pedir desculpas? – ele perguntou, de repente.

- Não. – respondi, dois segundos depois.

Não falamos mais nada. Estávamos sentados num banco e tomávamos enormes copos de café. Ele passou um braço pelas minhas costas e se aproximou de mim. Afastou meu cachecol e beijou a curva do meu pescoço. Estremeci. O hemisfério norte congelando e ele me beija com os lábios quentes de café!

Eu deveria estar sonhando. Só poderia ser um sonho, estar sentado ali, ao lado do homem mais bonito que eu já tinha visto. Era tão perfeito que me dava medo.

- Está tremendo de frio? – ele perguntou, perigosamente perto do meu ouvido.

- Não. Eu não estou tremendo.

Nunca, jamais, duvide da capacidade de uma pessoa dizer bobagens quando é bruscamente interrompida de seus devaneios com uma pergunta óbvia.

- Quer voltar? – ele perguntou, rindo.

- Não. Tá tudo bem. – respondi, talvez um pouco rude demais.

Mas ele não se importou com isso. Ele nunca se incomodava com minhas bobagens. Apenas soltou meu cabelo e me beijou mais uma vez. Atrás da orelha, pra ser mais específico. O café tinha acabado, mas a boca ainda estava quente.

Olhei ao redor. Ninguém reparava em nós. Só queriam saber de seus próprios umbigos. Que bom.

- Vem. – ele disse, se levantando e estendendo a mão.

E eu, evidentemente, a segurei e fui com ele. Se ele tivesse dito esse “Vem” no momento em que estivesse pulando de um prédio, eu teria ido também. E acho que ele sabia disso.

Fomos pra casa dele. Estava quase anoitecendo. Quando entramos na livraria, ele não se incomodou com a escuridão. Nenhuma luz acesa; mais uma vez, eram apenas os escassos raios de sol poente. Orlando tirou o meu casaco e meu cachecol e depois tirou os dele também.

Me senti ser imprensado contra a parede. Senti as mãos fortes na minha cintura. O hálito quente no meu rosto. Ele me beijou; tinha gosto de café. Era um beijo lento, quente, experiente. Eu só me deixava conduzir. Ele gostava de mexer no meu cabelo. Quase perdi o fôlego, mas ele não parou. Me entreguei totalmente. Derreti. Talvez tenha até gemido, não sei. Ele era tão mais alto que eu, e no entanto estávamos ali, perfeitamente encaixados, nos beijando como loucos. Talvez eu já nem tivesse os pés no chão.

Em algum lugar do meu inconsciente entorpecido registrei que aquele homem definitivamente tinha sangue quente nas veias. Muito quente. Talvez até demais.

- Ei, ei ,ei, calma!

Ele parou imediatamente. Me afastei um pouco, totalmente sem forças, só para manter uma distância respeitável e segura. Naquela época eu ainda tinha algum juízo. E ele tinha resolvido se manifestar quando, entre aqueles beijos absurdamente inebriantes, percebi que, uma vez nos braços de Orlando, ele faria o que quisesse comigo, e eu não teria a menor chance de me defender. Qual não foi meu alívio ao ver que ele parou quando reclamei!

- Desculpa. – ele murmurou, ofegante, se afastando para acender a luz.

É isso aí. Bom garoto.

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Ok. Pra quem estranhou o fato de eles terem ficado juntos tão rápido, não se preocupem, por que o foco da história não é como eles ficariam juntos e sim... Bom, não vou dizer xD~
E o primeiro capítulo ainda não acabou!! xD
Tem mais outro dia ^^
Bye!!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Não és bom nem és mau: és triste e humano - Olavo Bilac

"De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria sempre interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro."
(Trecho de O Encontro Marcado, de Fernando Sabino, p. 145)


Bom, aqui estou eu para cumprir o prometido: começar a postar, oficialmente, o Will. A citação acima, de O Encontro Marcado, é pra simbolizar o quanto esse livro significou para mim, não só na criação e continuação da história, mas também na minha vida, pois cada vez que eu o leio acabo melhorando em algum aspecto. Dessa vez ele me fez conseguir terminar o primeiro capítulo do Will, que estava "empacado" há anos (!). Como esse primeiro capítulo é um tanto "grande" para ser publicado em um post só, vou publicá-lo aos poucos. Hoje vai o Prólogo e o primeiro pedaço.


Esclarecimentos básicos sobre a história para ninguém se perder:


1 - A história, que se chama Todos Aqueles Ontens, é dividida em um Prólogo, quatro partes (subdivididas em três capítulos cada), e um Epílogo;

2 - O título veio da música All Those Yesterdays, do Pearl Jam. A história não tem nada a ver com a música, e o título é provisório (ou não...);

3 - Essa é uma história yaoi. Se você for procurar o significado da palvra yaoi por aí, vai encontrar páginas dizendo que é um "gênero de publicação que tem o foco em relações homossexuais entre dois homens e tem geralmente o público feminino como alvo"*, mas nesse caso o termo yaoi está sendo usado como uma uma "segunda definição, comumente usada por escritores de fanfics, que aplica yaoi para histórias com romance sem presença de conteúdo sexual explícito(...)"*. Então, agora que está tudo devidamente explicadinho, se você não quer ler, não leia, mas depois não venha dizer que não avisei ¬¬ (maiores esclarecimentos sobre o gênero yaoi em um post futuro o/);

* citações retiradas da Wikipedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Yaoi)

4 - Plágio é crime. Seja original e não copie.

Ok, então... Vamos lá. o/

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Todos Aqueles Ontens

Prólogo


Londres, Inglaterra. 1973.


Uma campainha tocou em um típico bairro inglês de classe média alta. Tocou mais uma vez, e ainda outra. Quem insistia era um rapaz moreno, visivelmente desacostumado com o frio da véspera de Natal. Alguns vizinhos interromperam seus cânticos para dar uma espiada; só podia ser estrangeiro. Trazia duas malas consigo.


A porta foi aberta. Uma senhora rechonchudamente simpática deu as boas vindas ao estranho e o ajudou com a bagagem. Tudo o que os vizinhos curiosos puderam ouvir foi algo como “James não disse que você viria”. Depois disso, o suave baque da porta sendo fechada, e os cânticos voltaram.

- x -

- Só peço pra ficar até o ano novo, depois me viro.

O rapaz ia falando enquanto aceitava os pães que a Sra. Bradford lhe passava.

- Pode ficar o quanto for preciso. Só gostaria de saber o motivo dessa... Bem, dessa sua saída repentina de casa.

O Sr. Bradford, cachimbo entre os dentes, claramente evitava a palavra “fuga”. Seu visitante olhou para o amigo, bem à sua frente na mesa, como se pedisse ajuda.

- Deixe-o descansar, pai. É Natal. – James falou.

E assim foi feito. O Sr. Bradford ainda imaginava o que um rapaz sempre tão responsável como aquele poderia ter feito para querer (ou precisar) fugir de casa. Sua mulher, no entanto, só se preocupava em aquecê-lo e alimentá-lo bem.

- Nos trópicos não neva. – ela dizia, enquanto pegava mais um suéter, para logo depois perguntar: - O México fica nos trópicos?

- x -

Na madrugada de Natal, enquanto todos dormiam, os rapazes conversavam no quarto de hóspedes.

- Você vai voltar? - James perguntou.

- Não.




Inglaterra, Londres, distrito de Brixton, 1977.


- Já chegamos? – o garoto perguntou à mãe, em russo.

Ele tinha acabado de acordar; tinha pegado no sono em Gales. Quando a mãe disse “Sim”, ajeitou-se melhor no táxi para olhar a paisagem.
Estavam passando por um mundo que, em seus doze anos de vida, ele nunca tinha sequer imaginado. Nunca tinha visto prédios, nem tantos carros juntos. E o barulho era ensurdecedor! Teve vontade de chorar, chegou a sentir o ardor na garganta, lhe sufocando... Mas não podia; afinal, não era mais nenhuma criança.

Mas estava assustado.

Depois de mais uma hora o carro passou por um lugar completamente diferente do anterior. As casas não eram os edifícios de concreto, com janelas de vidro. Eram prédios baixos, encardidos, que pareciam se amontoar uns sobre os outros. Havia mais barulho; uma completa cacofonia de línguas e músicas estranhas.

E as pessoas... O garoto nunca tinha visto pessoas daquelas cores, que variavam do dourado ao marrom-escuro. Ele as achou tão bonitas... Eram cores quentes. Nada pareciam com a neve que ele deixara pra trás. Até seus sorrisos o aqueciam.

Por fim, chegaram a outro lugar, e nesse não havia tanto barulho. Nem prédios. Apenas casas; todas iguais, com varanda, garagem e jardim. Desembarcaram na última casa da última rua. No jardim só havia grama. Nenhuma flor ou árvore.

Enquanto a mãe pagava o táxi, ele olhou para os lados; de um estava Londres, distante e sombria. O fim do mundo. Do outro, estava o sol, ainda alto, e um campo verde que se estendia por outros vilarejos. O começo do horizonte.

- x -

- Nós vamos voltar? – ele perguntou à mãe quando ela pôs a chave na fechadura da nova casa.

- Não.

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Parte I - Prelúdio para a solidão

Capítulo I - Palavras de um futuro incerto

Novembro de 1980; outono. Por algum motivo estranho, os grandes acontecimentos da minha vida sempre vinham no outono. E o primeiro de todos eles foi o meu nascimento, em 22 de outubro de 1965. Mas isso não importa agora.

O que importa é que, nesse início de novembro, as coisas começaram a mudar. Percebi isso quando, pela primeira vez desde que cheguei a Londres, mudei o caminho pra casa, entrando em uma rua diferente da que costumava entrar. Fiz isso porque tive a idéia repentina e irresistível de comprar sorvete. Entrei numa rua onde desconfiava que houvesse uma padaria e saí de lá com uma lata de 400 ml de sorvete de flocos na mão, pronto para continuar o caminho normal. Mas tive outro impulso e resolvi comer numa praça ali perto, tranqüilamente sentado. E foi o que fiz.

Uma das coisas mais bonitas do outono são as praças; elas ficam aconchegantes e douradas, quando as árvores soltam as folhas secas... Fiquei sentado lá, admirando o vento do fim de tarde derrubar as folhas quando outra coisa me chamou a atenção: um homem, com vários livros nos braços, lutando para não deixar nenhum cair. Por fim, ele os despejou no banco onde eu estava e se sentou também, cansado e praguejando palavrões em espanhol. Baixei a cabeça pro meu sorvete quase terminado, sem querer ser notado, mas não deu muito certo.

- Boa tarde. - ele disse, esticando o pescoço para me ver do outro lado dos livros. Acenei, pensando “Já é quase noite, mas tudo bem”, e voltei ao sorvete, mas já tinha acabado. Suspirei e coloquei a lata ao meu lado. Já estava pegando a mochila e levantando para ir embora quando o tal falou de novo, parecendo ter superado uma grande crise interior: - Será que você poderia me ajudar a levar isso? Eu moro a umas duas ruas daqui; não é muito longe.

E foi aí que o olhei pela primeira vez com atenção. Era moreno, tinha cabelos pretos e olhos claros que pareciam suplicar para que eu o ajudasse. Hesitei por alguns segundos, mas depois murmurei um “Tá”, e então vi seu sorriso pela primeira vez; um sorriso de alívio, mas autêntico. Ele levantou e dividiu a pilha em duas partes, entregando uma pra mim, e seguimos rumo à sua casa.

- Eu sei que não devia estar pedindo isso, que é um abuso e tudo o mais, - ele dizia, enquanto andávamos – Mas tava meio difícil ir sozinho.

- Tudo bem. - respondi. Percebi que ele me olhou de relance, e continuei andando.

Ao fim de poucos minutos chegamos em frente a uma livraria chamada Stefani & Stefani. O homem se contorceu um pouco para pegar as chaves e abriu a porta. Entramos.

- Pode colocar aqui. - disse, me indicando uma mesa.

Uma vez livre do fardo dos livros, dei uma olhada no lugar. Era pequeno, escuro e cheirava a mofo. Terrível.

- Orlando. - ele se apresentou, me estendendo a mão.

- Will. - respondi, apertando a mão oferecida.

- Moro lá em cima. - ele continuou, apontando uma escada atrás da mesa. - Se quiser, sabe...

- Claro. - respondi, sem saber. Segui-o através da escada estreita.

A primeira visão que tive da casa foi um choque. Ao contrário da livraria, era bastante clara e limpa. Orlando se adiantou até a cozinha e começou a preparar algo que me parecia ser café. Quando ele trouxe as xícaras eu já estava no sofá, e ele se sentou também.

- A livraria é sua, então? - perguntei.

- É.

- Pois é horrível. Cheira a livros velhos. - comentei, displicente. Depois me recriminei por esse péssimo hábito de ser sincero, mas ele não pareceu dar importância. Na verdade, apenas riu.

- Precisa de uns cuidados mesmo... - disse, depois de algum tempo, e continuou bebendo o café. Eu já tinha desistido do meu na metade; era muito ruim.

Percebi então que os olhos dele eram cinzentos. Como uma tempestade. A pele era morena de sol e quase brilhava, ou talvez eu estivesse apenas delirando. Nunca tinha visto uma cor tão bonita assim... Levantei, decidido a ir embora, mas algo me dizia que se ele dissesse “Não vá” eu não mexeria mais um músculo sequer.

- Já vai? - ele perguntou quando lhe devolvi a xícara. Que pergunta idiota! Era óbvio que eu estava indo embora, mas me limitei a responder um simples “Já”. Orlando se levantou também e, passando à minha frente, segurou a porta para mim. - Quando der...

- Certo.

Ele não precisava terminar as frases; eu sempre sabia o que queria dizer, desde aquele momento, e sempre saberia. Mas isso não fazia dele uma pessoa previsível; na verdade, dava uma sensação boa de que nos conhecíamos o suficiente para não falar. Naquele momento era apenas uma sensação, claro, porque eu só o conhecia há uma hora, mas mesmo assim foi bom. Foi o que me deu confiança para lhe abrir um sorriso quando já estava saindo e dizendo “Tchau”.
Desci a escada sozinho e, ao sair para a rua, vi que ele me olhava de uma janela. Acenei mais uma vez e continuei meu caminho. Enquanto andava sentia seu olhar me seguindo até a esquina como uma presença quente e protetora.

- x -

- O que você tem? - Al me perguntou de repente, levantando os olhos do caderno.

Estávamos no quarto dele, estudando. Também acontecia com Al isso de não precisar de palavras; eu sabia que ele se referia ao estado sonhador em que eu me encontrava desde a noite anterior.

- Nada demais... Aconteceram uma coisas estranhas ontem.

- Que tipo de coisas estranhas? - ele insistiu, voltando a fazer o dever.

- Ajudei um cara a carregar uns livros.

- E o que isso tem de estranho?

- Ah, sei lá... É que fiquei pensando nele depois, só isso. - respondi, tentando me esquivar de mais perguntas. Não funcionou.

- Como ele era?

- Moreno, alto, bonito e gentil. - despejei.

- Resumindo, é o sonho das colegiais de Londres... - ele zombou. Joguei um travesseiro nele, o que serviu para adiar a próxima pergunta. - Qual o nome dele?

- Orlando, porquê? - perguntei, distraído, mas percebi que ele parecia reconhecer alguma coisa quando falei o nome.

- E ele tem uma livraria chamada Stefani & Stefani, pois é... - ele continuou, rindo. Eu ainda estava perplexo. - Acho que você conheceu meu primo.

- Como é que é? Ele não pode ser seu primo, ele tem muito mais melanina que você e... Ai, caramba... - dei um tapa na minha própria testa. Tinha acabado de me ocorrer mais uma coisa que me escapara na noite anterior. - Como eu não me toquei que vocês têm o mesmo sobrenome? - perguntei, desolado.

- Acontece... Meu pai tem um irmão que vive no México e se casou por lá.

- Isso explica a melanina.

- É, explica.

- Você seria mais bonito se fosse moreno como ele. - comentei.

Rimos por algum tempo e voltamos aos livros. Só então percebi que o jeito de Orlando me lembrava Al de alguma forma. Que burrice não lembrar o sobrenome dele!

- Vai voltar lá? - ele perguntou depois de vários minutos de silêncio.

- Acho que sim... Não sei, talvez... Mas porque eu voltaria?

- Pra vê-lo de novo, oras.

- E porque eu quereria vê-lo de novo?

- Isso é alguma espécie de auto-análise?

- Responde, vai... É importante pro meu autoconhecimento.

- Tá... Você quer vê-lo de novo para entender porque pensa tanto nele.

- Boa resposta... Acho que é isso mesmo...

- Então vai lá hoje.

- Hoje não; semana que vem.

- Como queira.

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Notas do Prólogo:
1. A primeira parte trata da chegada de Orlando a Londres. Apesar do protagonista ser Will, mostro sua chegada na segunda parte do prólogo por questões de tempo. Afinal, Orlando chegou alguns anos antes;

2. Tomei a "liberdade poética" de fazer com que haja uma espécie de "conjunto habitacional" tranqüilo e chato nas vizinhanças de Brixton. Não conheço bem (ainda!) a geografia de Londres, então perdoem os erros o/*


A quem chegou até aqui, obrigada ^^
Em breve mais do primeiro capítulo...