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sexta-feira, 15 de julho de 2011

After all this time?

(quando estava escrevendo eu pensei em que blog este post deveria ficar. na verdade, eu soube desde o começo que, como prometido, postaria aqui, mas me pareceu injusto deixar o baby fora disso. enfim, está postado nos dois blogs por razões sentimentais e é isso aí.)


Eu comecei a escrever isso muitas vezes e nunca cheguei nem da metade de tudo o que gostaria de dizer. Parece que nunca era a hora certa, ainda não tinha chegado aquele momento específico em que a necessidade de escrever é maior do que a simples vontade.

Mas o fato é que, em algum momento de 2001, eu estava inocentemente passando pela sala enquanto o trailer de Harry Potter e a Pedra Filosofal estava passando na televisão. Parei por alguns segundos, tempo o suficiente para pensar “hum, legal” e continuei meu caminho até outro cômodo da casa.

Esse foi o meu primeiro contato com Harry Potter, se é que posso chamá-lo assim. Algum tempo depois, já em 2002, eu fui assistir a Câmara Secreta no cinema, sem saber muito da história além do fato de que havia um garoto bruxo envolvido em altas aventuras. Nessa época eu tinha dez anos e não muito interesse em assistir filmes que não fossem animações no cinema, mas fiquei maravilhada. Com o castelo, principalmente. Mais algum tempo depois eu peguei emprestado o quarto livro. Não me perguntem por que, eu realmente não lembro por que diabos comecei a ler pelo quarto. Depois li o terceiro, o segundo e então o primeiro. Elegi Harry Potter como meu livro favorito e então comecei a ganhar um livro a cada aniversário e Natal. Tinha começado.

O que eu tenho a dizer sobre Harry Potter não é muito diferente do que outras tantas pessoas já disseram, mas nem por isso é menos verdadeiro. Veja bem, eu sei que é apenas uma série de livros. Sei inclusive que não são os melhores que já li e já não são mais os meus favoritos. Mas eles estiveram lá, entende? É isso que importa.

Eu não acho mais necessário dizer que Harry Potter me trouxe amigos, ou que me ensinou tanta coisa, ou até mesmo explicar o que seriam essas coisas. Isso todo mundo já sabe, e eu também. E uma das primeiras coisas que eu aprendi foi justamente que os livros, as palavras, unem as pessoas.

Harry Potter me lembra livros lidos em qualquer hora, qualquer lugar, só pelo prazer de saber o que vai acontecer. Me lembra a espera pelo próximo livro, os dias em que os ganhei de presente, os sites e joguinhos toscos de cinco, sete anos atrás, as seções de rumores. As fics. E pensar que até o começo desse mês eu não me lembrava de como sentia falta das fics. Me lembra, é claro, o 6v e todas as pessoas que eu conheci nele, e as que chegaram agora e eu não vi porque estive tanto tempo ausente.

O último livro saiu em 2007, no ano em que eu entrei no CEFET. E último filme estreou exatamente no dia em que o semestre 2011.1 oficialmente acabou e eu, finalmente, terminei o curso. Mais uma forma de abrir e fechar fases. Se eu for contar desde aquele dia na sala, em 2001, são dez anos que se passaram. E dez anos, pra mim, significa simplesmente metade da minha vida.

Eu vou me lembrar de Harry Potter sempre com muito carinho e agradecer por ter tido oportunidade de acompanhar tudo isso. De ter tido oportunidade de crescer nisso, nessas palavras, nessa família, literalmente until the very end. Não é que seja um fim, assim como o último livro não foi, mas certamente é uma despedida. Então, até a próxima, Harry. Estaremos aqui.

Always

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Until the very end



Eu acredito que todo mundo que me conhece, tanto na vida real quanto na internet, sabe que eu sou fã de Harry Potter. Fã é eufemismo. Um graaande eufemismo. Enfim.

(a propósito, quem ainda acha que gostar de Harry Potter é "ser infantil" ou "hahaha, you fail" ou "oh, você é de uma seita satânica" atingiu um nível de retardo absurdo. como diria a Kath, merece ir dar uma volta no canavial de rolas.)

Eu poderia passar linhas e mais linhas falando sobre como Harry Potter foi importante pra mim nesses últimos nove anos, sobre como essa série me ensinou coisas como o valor da amizade e o absurdo de uma guerra, sobre como eu conheci muita gente maravilhosa por causa dela, e mais um milhão de coisas. Eu ainda vou escrever sobre isso, claro, mas agora não.

Hoje eu quero falar sobre o filme, Harry Potter and the Deathly Hallows (Relíquias da Morte aqui).

Eu quero falar sobre como eu fiquei feliz de assistir esse filme e de como ele é a coisa mais linda do mundo.

Mas, olha, vou te dizer uma coisa: não conheço nenhuma pessoa que não tenha gostado do filme. Nenhuma.  Dentre essas, apenas umas poucas não leram os livros, mas mesmo assim tá valendo. Só que, né, como nem tudo na vida é perfeito, estou tendo um dejá-vu do fim de Lost, que pode ser resumido em uma frase:

Paunocuzice de quem não entendeu porra nenhuma.

Explico.

Sabe, se uma pessoa vai assistir ao SÉTIMO filme de uma franquia, o mínimo que se pode esperar é que ela tenha visto os outros seis antes. E não acho nenhum absurdo esperar que ela também tenha tido pelo menos um pouquinho de interesse em ler os livros.

Daí, cara, se tu não prestou atenção nos filmes e/ou não leu nenhum livro, é de se esperar que ache chato um filme de duas horas e meia sobre uma história sobre a qual você não está entendendo porra nenhuma. 

Só que acontece que HP7 foi, acima de tudo, uma homenagem aos fãs

Eu não acho, sinceramente, que o objetivo de uma adaptação cinematográfica seja pura e simplesmente o dinheiro, independentemente de quem vai assistir, se fã ou não. Claro que acontece assim, mas não deve ser, sabe? Eu acredito que adaptações cinematográficas devem respeito tanto à história quanto aos fãs, e uma coisa leva à outra. HP7 respeitou os fãs, foi fiel ao livro, e o que me entristece vendo críticas ruins - não apenas críticas de críticos de cinema, mas de qualquer pessoa - ao filme é o fato de que elas não entendem. Não estou falando "elas não entendem" no sentido de "nhéééé, sou melhor que você porque li o livro e você é burro e nem sabe de nada", mas no sentido de que é muito fácil uma pessoa criticar uma coisa que não significa nada além de um blockbuster pra ela.

(e nem dá pra criticar como pura e simplesmente entretenimento porque, porra, tecnicamente o filme também tá impecável. super casaria com o diretor de fotografia, hein.)

Harry Potter não é apenas um blockbuster pra mim. Não é apenas uma série que fez sucesso. Eu literalmente cresci lendo esses livros e assistindo esses filmes, e fiquei realmente muito feliz que o filme tenha feito jus a tudo que eu senti com o fim. Vocês têm noção da puta nostalgia que dá ver o último livro transformado em cenas visuais? E, melhor, fielmente. Claro que faltaram algumas cenas - umas vão aparecer nos extras do DVD, outras não - mas o resultado geral, pra mim, foi perfeito.

O que a pessoa que nunca leu acha maçante, eu acho tocante. Os momentos entre Harry e Hermione, a síntese da amizade deles, o clima de guerra, de nostalgia, de cansaço, de tristeza. Eu morri de chorar não só porque choro por qualquer coisa, mas porque foi, acima de tudo, bonito. Foi muito bonito.

Eu sei que não é fácil de entender pra quem nunca sentiu isso, e talvez não seja fácil de entender até pra quem começou a ler agora. Porque, né, começar a ler agora é ter todos os livros e spoilers à mão. Não estou dizendo que não se deve ler ou que ler agora vale menos, mas é que dá pra perceber que é diferente. Eu sempre vou sentir falta disso. De esperar o próximo livro, o próximo filme, de não saber o que vai acontecer, de teorizar. De comprar o livro novo e ler pela primeira vez.

E eu acho que nunca vou conseguir escrever sobre isso sem morrer de chorar.