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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Day 12: Book that is most like your life (e um aviso)

Antes de tudo, o aviso:

A partir de hoje, vocês também me encontram no Minoria é a mãe (sim, lá uso meu nome). Recomendo loucamente o blog, e recomendaria mesmo que não participasse dele. Trust me, vale a visita :)

Day 12: Book that is most like your life

Autor: Caio Fernando Abreu
Ano: 1982
País: Brasil


frescos morangos vivos vermelhos


Sim, eu sei o que se fala do Caio pela internet afora (e da Clarice também. Caio, aliás, era grande admirador dela). But I don't give a single fuck, e não digo isso pra pagar de blasé nem nada do tipo: é que eu realmente não me importo e nem tenho interesse o suficiente pra tentar me importar. Um dos fatos fundamentais da vida é: sempre vai haver alguém que não gosta do que você gosta e vice-versa, deal with it. Eu muito raramente vou estar interessada no fato de um autor ser bem aceito pela crítica ou não, ter influência x ou y, ter um estilo considerado z ou w. Eu vejo se gosto ou não, e é assim que funciona. Li Caio, gostei, então é o suficiente.

Isso posto, vamos aos fatos. Eu li Morangos Mofados quando não estava no melhor dos momentos. São dezoito contos que me tocaram de todas as maneiras possíveis, e a maior parte delas não foi amigável; como eu escrevi na época, ler esse livro é como mergulhar num coração. Não há calmaria lá dentro, há só o turbilhão de sentimentos, e é isso o que mais me agrada no Caio: eu consigo sentir o coração dele ali, e é isso que me importa. Foi uma leitura dolorosa, lenta e tensa, mas quando terminei, alguma coisa aconteceu. Coloquei a cabeça pra fora. 

Os dois últimos parágrafos do último conto (que leva o mesmo nome do livro) me deram a injeção de esperança que eu precisava naquele momento. Assim, automaticamente. Eu terminei, reli esse trecho, reli mais uma vez, e agradeci. Além do simples gostar, é isso que faz um autor bom pra mim: me tocar, me ajudar, me entender de alguma forma. 

sexta-feira, 15 de julho de 2011

After all this time?

(quando estava escrevendo eu pensei em que blog este post deveria ficar. na verdade, eu soube desde o começo que, como prometido, postaria aqui, mas me pareceu injusto deixar o baby fora disso. enfim, está postado nos dois blogs por razões sentimentais e é isso aí.)


Eu comecei a escrever isso muitas vezes e nunca cheguei nem da metade de tudo o que gostaria de dizer. Parece que nunca era a hora certa, ainda não tinha chegado aquele momento específico em que a necessidade de escrever é maior do que a simples vontade.

Mas o fato é que, em algum momento de 2001, eu estava inocentemente passando pela sala enquanto o trailer de Harry Potter e a Pedra Filosofal estava passando na televisão. Parei por alguns segundos, tempo o suficiente para pensar “hum, legal” e continuei meu caminho até outro cômodo da casa.

Esse foi o meu primeiro contato com Harry Potter, se é que posso chamá-lo assim. Algum tempo depois, já em 2002, eu fui assistir a Câmara Secreta no cinema, sem saber muito da história além do fato de que havia um garoto bruxo envolvido em altas aventuras. Nessa época eu tinha dez anos e não muito interesse em assistir filmes que não fossem animações no cinema, mas fiquei maravilhada. Com o castelo, principalmente. Mais algum tempo depois eu peguei emprestado o quarto livro. Não me perguntem por que, eu realmente não lembro por que diabos comecei a ler pelo quarto. Depois li o terceiro, o segundo e então o primeiro. Elegi Harry Potter como meu livro favorito e então comecei a ganhar um livro a cada aniversário e Natal. Tinha começado.

O que eu tenho a dizer sobre Harry Potter não é muito diferente do que outras tantas pessoas já disseram, mas nem por isso é menos verdadeiro. Veja bem, eu sei que é apenas uma série de livros. Sei inclusive que não são os melhores que já li e já não são mais os meus favoritos. Mas eles estiveram lá, entende? É isso que importa.

Eu não acho mais necessário dizer que Harry Potter me trouxe amigos, ou que me ensinou tanta coisa, ou até mesmo explicar o que seriam essas coisas. Isso todo mundo já sabe, e eu também. E uma das primeiras coisas que eu aprendi foi justamente que os livros, as palavras, unem as pessoas.

Harry Potter me lembra livros lidos em qualquer hora, qualquer lugar, só pelo prazer de saber o que vai acontecer. Me lembra a espera pelo próximo livro, os dias em que os ganhei de presente, os sites e joguinhos toscos de cinco, sete anos atrás, as seções de rumores. As fics. E pensar que até o começo desse mês eu não me lembrava de como sentia falta das fics. Me lembra, é claro, o 6v e todas as pessoas que eu conheci nele, e as que chegaram agora e eu não vi porque estive tanto tempo ausente.

O último livro saiu em 2007, no ano em que eu entrei no CEFET. E último filme estreou exatamente no dia em que o semestre 2011.1 oficialmente acabou e eu, finalmente, terminei o curso. Mais uma forma de abrir e fechar fases. Se eu for contar desde aquele dia na sala, em 2001, são dez anos que se passaram. E dez anos, pra mim, significa simplesmente metade da minha vida.

Eu vou me lembrar de Harry Potter sempre com muito carinho e agradecer por ter tido oportunidade de acompanhar tudo isso. De ter tido oportunidade de crescer nisso, nessas palavras, nessa família, literalmente until the very end. Não é que seja um fim, assim como o último livro não foi, mas certamente é uma despedida. Então, até a próxima, Harry. Estaremos aqui.

Always

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

It gets better

Esse aqui é um vídeo feito pela Pixar em apoio às pessoas que sofrem bullying por serem homo/bissexuais. VEJAM, coisa mais linda, morri de chorar mil vezes e tal. 

(a propósito, desu abençoe a boa alma que fez a legenda, porque eu não fazia a mínima idéia de comofasia pra postar aqui legendado e talz)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

It's only love. What's everyone so scared of?


Dia desses eu estava dando uma olhada no Laranja Psicodélica, como sempre, quando vi o post do filme Get Real, do qual eu nunca tinha ouvido falar antes. Como eu gostei da sinopse e também tenho uma quedinha por filmes dos quais nunca tinha ouvido falar antes, baixei e assisti.


Get Real é um filme inglês de 1998, com o Ben Silverstone no papel principal. Que eu saiba, o filme mais conhecido que ele fez foi Lolita (a versão de 1997, não a do Kubrick), mas o rosto e o nome dele não me são desconhecidos. 

O filme não é nenhuma obra-prima do cinema mundial, não é um Inception da vida, e foi justamente por isso que eu gostei tanto dele: por ser absolutamente comum. O roteiro é simples, você sabe o que vai acontecer, às vezes até como vai acontecer, como num típico filme adolescente da sessão da tarde. Mas não estou dizendo isso como uma ofensa, muito pelo contrário.

Sabe qual é a diferença? Get Real nunca passaria na Sessão da Tarde ou em qualquer outro horário de maior público da televisão (aberta, principalmente).

Por coincidência (ou não), dia desses eu também ouvi o RapaduraCast sobre Classificação Indicativa, e então fiquei sabendo de algumas regrinhas que são usadas para classificar filmes nos EUA (e que não mudam muito de país para país, se você for olhar):
  • Se houver mais de um "fuck" falado, sem conotação sexual, o filme é automaticamente classificado como R (não recomendado para menores de 17 anos);
  • Se houver um "fuck" com conotação sexual, também vai pro R
(pra quem não sabe, to fuck é o verbo foder, em inglês)

Essas, claro, são apenas duas coisinhas simples que vou usar pra ilustrar o caso de Get Real, mas existem outros milhões de motivos que são usados na classificação.

Ok, agora vamos unir os dois assuntos:

Get Real é um filme sobre Steven (Ben Silverstone), um garoto de dezesseis anos que é gay. Só a sua amiga Linda (Charlotte Britain) sabe disso, e os caras da escola já implicam com ele mesmo sem ter a certeza, então ele obviamente nunca contou pra mais ninguém e não está especialmente interessado em dar mais motivos pra implicância (implicância é eufemismo, né). Como em todo filme adolescente que não se preze, ele calha de se apaixonar justamente pelo atleta da escola, o John Dixon (Brad Gorton), mas tudo bem. O ponto aqui é que é através dessa relação com o John que o próprio Steven vai amadurecendo.

Olha só que interessante: não foi pelo contato com o preconceito "externo" (aquele que vem dos colegas da escola, da família e etc) que ele amadureceu, mas sim com o preconceito "interno", aquele que vem de dentro do seu próprio relacionamento com outro cara, daquela coisa de eles mesmos não terem coragem de se assumirem diante de outras pessoas e, pior, diante de si mesmos.

É aí que entra a classificação indicativa. A classificação original do filme, na Grã-Bretanha, é 15 anos, mas nos EUA ele está como R. No Brasil nem se fala, porque o filme não chegou até aqui, mas eu não tenho a menor dúvida de seria classificado para 16 anos.

Se você for inocente e acreditar em ovelhas coloridas saltitantes, pode até acreditar que isso é perfeitamente explicado pela regrinha lá de cima, porque há mais de um "fuck" falado, ainda que não com conotação sexual.

Mas acontece que Get Real é um filme levíssimo. Não tem nada gráfico demais e até mesmo as conversas e referências a sexo podem ser perfeitamente ouvidas e compreendidas por (quase) qualquer pessoa de 14 anos, por exemplo. Na Alemanha ele foi classificado como 12 anos, pra você ver como são as coisas. Pra dar um exemplo mais próximo, na Argentina foi classificado para 13 anos.

Então, olha só: não é coincidência demais que basicamente todo filme com temática homossexual pegue no mínimo um R, ou 16 anos, no caso do Brasil, enquanto que o sexo heterossexual só falta ser passado na sessão da tarde, que é livre?

Agora imagine você se Get Real fosse um desses filmes comuns que a Globo vive reprisando, e se fosse classificado para 14 anos. Imagine aí o quão maior seria o público para esse filme, que é tão simples e justamente por isso é exatamente o que o povo precisa: um meio simples para transmitir a informação ao maior número de pessoas possível.

Mas, claro, que emissora vai se atrever a perder o seu fiel público conservador passando um beijo gay antes da meia-noite?

Bah.

Fica então a dica pra assistir Get Real, e depois eu volto pra falar sobre as tentativas um tanto toscas da televisão de inserir casais e personagens gays nas novelas. Se possível, falem aí nos comentários o que acham disso :)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

"It's a sin." Oh, really?

Aprendam, crianças, como se responde com dignidade o velho "it's a sin":


Traduzindo mal e porcamente:

Patti: Homossexualidade é um pecado, Lacey, e isso está muito claro na Bíblia.

L: Então não está tratando seu corpo como um templo. E as mulheres deviam ter as cabeças cobertas. E no Deuteronômio, um casamento só é válido se a mulher for virgem, e ela deveria ser executada se não fosse... e que qualquer uma que cometesse adultério deveria ser apedrejada até a morte. Em Marcos, o divórcio é proibido. Eu suponho que para a homossexualidade você está se referindo ao Levítico 18:6: "Você não deve se deitar com um homem como se deita com uma mulher. Isso é uma abominação." Um versículo similar ocorre dois capítulos depois, em Levítico 20:13: "Um homem que dorme com outro homem é uma abominação e deve ser executado." O Levítico é um código sagrado escrito há 3000 anos. Ele também inclui proibições contra cortes de cabelo, tatuagens, trabalhar no Sabbath, vestir roupas de tecidos misturados (?), comer carne de porco ou crustáceos, consultar videntes e até brincar com a pele de um porco (lá se vai o futebol!). Eu acredito em moralidade, que é ter um comportamento correto independentemente do que me é dito... não em religião, que é fazer o que me é dito, independentemente do que é correto. Você é bem-vinda para dar sua própria interpretação da Bíblia e de política, claro, mas eu preciso de mais do que "a Bíblia diz  assim" para justificar certas coisas neste mundo e certamente para julgá-las.

sábado, 29 de maio de 2010

Não, porra!

Eu ia deixar pra lá e viver a vida lindamente sem me preocupar com isso, mas não dá. O amor e etc. e Daniel, caras, não é com vocês o problema, tá? Nada pessoal. Eu me irrito é com nego que vem dizer que "aaah, foi ruim!" sem nem ter entendido o final. Então, pelo bem da sanidade alheia, leiam essa porra antes de vir falar "aaaah, eu sabia, essa teoria é velha!"

A partir daqui, MILHÕES de spoilers de Lost. Não passe daqui se não tiver assistido. Eu avisei, hein.

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Primeiramente, eu gostaria de dizer que isso aqui é um blog e que existe liberdade de expressão. Eu vou me dar ao luxo, dessa vez, de exercitar (quase) toda a minha grosseria, mas não estou me dirigindo a ninguém em particular. Sério.

Então. 

Não, seu animal, eles não estavam mortos o tempo todo.

Vamos ao tutorial para entender o fim de Lost:

1. Assistiu todas as temporadas? Sim? Duvido, senão não estaria reclamando que não sabe o que os ursos polares estavam fazendo na ilha na primeira temporada e blablablá. Bah.

2. Sabe o que são os flash-sideways? Vou explicar, porque realmente às vezes isso confunde: flash-sideways são os flashs que aparecem durante toda a sexta temporada, em que todos eles se encontram numa espécie de universo paralelo.

3. Eles estavam mortos o tempo todo e a ilha era o purgatório, né? Aff, eu já sabia disso. Que paia.

NÃO, CRIATURA DOS INFERNOS. ELES NÃO ESTAVAM MORTOS!

Vou te dizer porque não estavam: é só ouvir o que a porra dos personagens estão dizendo. Escuta a porra dos diálogos e pára de pensar em quem vai ficar com quem no final - chego nisso já já - e aí quem sabe tu entende.

Sendo mais civilizada agora:

Os flash-sideways - como o Christian explicou, numa das últimas falas de The End - eram nada mais nada menos do que uma espécie de universo atemporal. Aquele universo foi criado - pelo Jack, pela consciência dele, pelo que você quiser imaginar - para que, na hora da sua morte, ele estivesse com todas as pessoas que foram importantes para a sua vida. Todas aquelas pessoas que estavam nos flash-sideways participaram da parte mais importante da vida do Jack, que foi o tempo em que ele esteve na ilha. Todas aquelas pessoas estavam mortas ali, naquele momento, naquele universo atemporal. Elas morreram antes ou depois do Jack, dentro ou fora da ilha, em momentos diferentes, mas naquele momento estavam todas juntas porque, lembre-se, aquele era um universo atemporal e o Jack precisava da presença delas ali para que se sentisse pronto pra partir. É, ver a luz, essas paradas espirituais todas. Tudo o que aconteceu na ilha foi real, tudo aconteceu de verdade. Eles não estavam mortos na ilha, a ilha não era o purgatório. O purgatório, por assim dizer, era o universo paralelo/atemporal, para o qual todos eles foram depois de mortos para resolver o problemas que deixaram pendentes na vida. Tanto que o Ben, por exemplo, não entra na igreja junto com os outros. Por quê? Porque ele ainda não resolveu tudo. Lembra do que o Hurley disse pra ele antes de entrar? "Você foi um bom Número Dois." E o Ben diz "E você foi um bom Número Um." Hurley e Ben viveram na ilha ainda por muito (ou pouco) tempo, protegendo-a. 

4. Então o final de Lost foi só o Jack fechando os olhos e encontrando a paz?

Sim, pequeno pêssego. Agora que você já entendeu o que aconteceu no episódio, pode gostar ou desgostar à vontade. Só não vem ter a cara de pau de dizer que não gostou de uma coisa que tu nem entendeu.

5. Mas a Kate não ficou com o Fulano! Odiei!

Porra, cara, assistir Lost por seis anos e depois reclamar que fulana não ficou com fulano e por isso a série é ruim? Se mata, cara. 

5. Então o que era aquela porra de ilha?

Exatamente o que o Jacob disse que ela era: uma espécie de rolha para conter o mal. Exatamente o que a pseudo-mãe dele disse para ele: o lugar onde está a luz que existe em todos os homens.

6. Então é isso? Todas essas paradas de luz, paz, bem e mal? Cadê a explicação científica dessa porra?

Sim, pequeno pêssego, todas essas paradas de luz, paz, bem e mal. Explicações científicas existiram durante a série, existe de fato o grande bolsão eletromagnético e, se quiser, esse pode ser o motivo científico de a ilha ser do jeito que é. Mas Lost não é e nem nunca foi uma série sci-fi. Lost sempre foi sempre pessoas e não sobre a ilha. Metáforas, metáforas!

7. Só pra ajudar, um vídeo do Maurício Saldanha com suas conclusões sobre o fim de Lost:




Beijos, sou um amor de pessoa.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Porque merece ser lido e compartilhado

Estou voltando aqui hoje porque quero compartilhar algo que merece ser lido. O post original, em inglês, está aqui, mas vou publicar uma tradução livre feita pela Retty-chan, no Fórum 6V. Leiam, porque é extremamente tocante.


***



Nós Somos LGBT*


Eu sou a garota expulsa de casa porque confidenciei à minha mãe que sou lésbica.


Eu sou a prostituta que trabalha na rua porque ninguém quer contratar uma mulher transexual.


Eu sou a irmã que abraça ao irmão gay durante as noites cheias de lágrimas e dor.


Nós somos os pais que enterraram a filha muito antes de seu tempo. Ela foi morta porque era gay.


Eu sou o homem que morreu sozinho no hospital porque eles não deixaram meu parceiro, que está comigo há 27 anos, ficar no quarto. Eles o consideraram “amigo” e não família.


Eu sou a criança órfã que acorda após ter pesadelos de que fui afastada dos dois pais que são a única família que eu já tive. Eu queria que eles me adotassem, mas eles não podem porque os dois são homens.


Eu sou um dos sortudos, eu acho. Sobrevivi a um ataque que me deixou em estado de coma por três semanas e provavelmente em um ano eu poderei andar de novo.


Eu não sou um dos sortudos. Eu me matei poucas semanas antes da formatura do ensino médio. Era simplesmente coisa demais para suportar.


Nós somos o casal cuja corretora de imóveis desligou na cara quando descobriu que queríamos alugar um apartamento de um quarto para dois homens.


Eu sou a pessoa que nunca sabe em qual banheiro devo ir para evitar que a gerência me chame a atenção. Não sou masculina o suficiente para o banheiro masculino, e nem feminina o suficiente para o banheiro feminino.


Eu sou a mãe que não pode nem visitar as crianças que tive, amamentei, e criei. Os juízes disseram que não sou uma boa mãe porque agora vivo com outra mulher.


Eu sou uma sobrevivente de violência domestica de quem o apoio do governo se afastou quando descobriu que meu “parceiro abusivo” é mulher, assim como eu.


Eu sou um sobrevivente de violência doméstica que não teve nem chance de receber ajuda do governo, porque sou homem.


Eu sou o pai que nunca abraçou o filho porque eu cresci com medo de demonstrar afeição por outros homens.


Eu sou a professora de economia doméstica que sempre quis ensinar educação física até que me disseram que apenas lésbicas fazem isso.


Eu sou o homem que morreu quando os paramédicos pararam de me atender, assim que descobriram que eu era transexual. Eu nasci mulher.


Eu sou a pessoa que está sempre se sentindo culpada porque pensa que seria uma pessoa bem melhor se não tivesse de conviver com o ódio da sociedade. Infelizmente, isso não acontece.


Eu sou o homem que parou de ir à igreja. Não porque eu não acredito mais, mas porque eles fecharam as portas para “gente como eu”.


Eu sou a pessoa com medo de falar aos meus afetuosos pais cristãos que eu amo outro homem. Eles podem começar a me odiar.


Eu sou um jovem hetero que que que o ódio acabe.


Eu sou um estudante que se recusa a usar termos homfóbicos como ofensas.


Eu sou um dos que se cansou de fingir ser algo que não é.


Eu sou o garoto que morreu com um tiro por causa da minha opção sexual.


Nós somos o casal que teve que morar longe da família e dos amigos para ficarmos juntos porque, em nosso estado, nosso casamento é ilegal.


Eu sou a pessoa que tem que esconder o que o mundo mais precisa: Amor.

*A sigla original, LGBTQ significa lésbicas, gays, bis, transexuais e “questioning” ou sem opção sexual definida, "em dúvida". Ou seja, todas as "opções sexuais" diferentes da heterossexualidade. Como não temos essa aqui no Brasil, usei a sigla LGBT.

***

Pensem nisso ;)