Pois é. Eu e Rôh chegamos a quase-começar a ter idéias para um post coletivo, mas nem rolou.
Um pouco atrasada, eu venho falar que sou o tipo de pessoa que gosta de Natal e Ano Novo, mas que dificilmente gosta de ficar saindo por aí espalhando bons votos. Sei lá, só não faz o meu tipo mesmo. Mas, inevitavelmente, eu começo um ano novo me lembrando do anterior. Ou seja, eu acabo caindo no clichê de um jeito ou de outro.
No dia primeiro desse mês eu contabilizei minhas metas cumpridas de 2009: oito de quinze. É um bom número, não é? É, sim. Eu não vou enumerar de novo as coisas que pretendo fazer nesse ano, porque possivelmente serão as mesmas que você pode encontrar no último post de dezembro de 2008, por exemplo. Na verdade, eu nunca mudo muito as minhas vontades. Pelo menos não as fixas, já que as passageiras estão sempre – e obviamente – indo e vindo.
Pensando bem, as passageiras é que são eternas. Mas não vamos filosofar agora.
Como eu já devo ter mencionado uma vez no Twitter, não consigo viver sem um ou dois projetos megalomaníacos na cabeça. Quem sabe neste ano um deles sai do papel? Seria divertido.
Por enquanto, ficamos com o essencial: Moony & Rôh desejam a todos um feliz 2010. Paz, harmonia, saúde e derivados estão incluídos no “feliz”, portanto não precisam ser necessariamente citados. Ops, já citei.
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Tá, esqueçam meu mal humor involuntário de uma madrugada sem café. Amo vocês. -q
(por falar em ano novo, passem lá no We Never Lost Control que tem um post com Os Melhores de 2009.)
("Eu te beijei, disse 'até logo', e então você se virou e sorriu. Então eu soube porque a Debbie te chama de Sunshine." - Brian para Justin, em QAF. Saiba o que essa sigla significa no post abaixo.)
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Antes do post, uma coisa importante. Importantíssima, aliás:
ELE PASSOU!!! YARUL!!
(dêem vivas ao Rôh, pois ele passou na primeira fase da UFC, Psicologia!)
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Tá, agora o post:
Para fazer jus ao meu título – que eu mesma dei – de irresponsável mor, nos últimos tempos, em vez de estudar, fui assistir uns filmes e seriados. Permitam-me abrir um momento Espaço Cultural .status quo. neste post, pra falar deles e fazer com que vocês também tenham vontade de assistir (assim espero). Menores de dezoito anos, retirem-se (ops, vou ter que me retirar também).
Vou começar com apenas uma série e um filme, porque se fosse falar de todos o post ficaria imenso.
Queer as Folk (seriado)
QAF foi exibido na TV a cabo (com o terrível, avassalador e horroroso título de Os Assumidos aqui no Brasil – tinha que ser aqui, né) entre os anos 2000 e 2005, em cinco temporadas. É a versão americana/canadense do seriado britânico de mesmo nome que foi ao ar entre 1999 e 2000, em apenas duas temporadas. A rainha que me perdoe,mas dessa vez tenho que dar os créditos aos americanos/canadenses, que fizeram uma versão de qualidade da obra original, até superando-a. O nome do seriado é uma brincadeira com um ditado em inglês, de "ninguém é tão estranho como nós" ("nobody is so weird as folk"), para "ninguém é tão gay como nós" ("nobody is so queer as folk").
“Queer As Folknarra a história de cinco homens homossexuais que vivem em Pittsburgh, Pennsylvania: Brian, Justin, Michael, Emmett e Ted. Compondo o elenco principal, ainda temos o casal de lésbicas, Lindsay e Melanie e a mãe orgulhosa de Michael, Debbie.
Este seriado é um marco na luta dos direitos GLBT, pois investe em uma trama sem cunho pornográfico ou apelativo, mostrando homossexuais como pessoas comuns, vivendo em seu dia-a-dia. As dificuldades e conquistas desta comunidade são brilhantemente retratadas nesta produção.”
Ainda estou no comecinho da segunda temporada, e devo dizer que entre o fim da primeira e essa segunda derramei uns bons litros de lágrimas. QAF é viciante, sincero, te faz rir e chorar quase ao mesmo tempo e pelos mesmos motivos, os personagens são cativantes, e não tem nada de absurdo. Como disse o trechinho aí de cima, QAF não precisa apelar pros velhos estereótipos e para um dramalhão para conquistar o lugar que merece.
(E, quanto aos personagens, devo dizer que Brian é o filho da puta mais filho da puta do universo e, por isso mesmo, ele é incrível e apaixonante. Vão me entender quando o conhecerem.)
Cuidado: se você é homofóbico, pra início de conversa nem deveria estar neste blog. Se você não tá afim de ver, ou não pode ver, cenas de sexo, hã, diversas vezes e, hã, sem atenuações, também é melhor não assistir. Se você acha que os direitos GLBT devem ser defendidos, mas sem precisar mostrar dois caras/mulheres se beijando, então talvez seja melhor rever seus conceitos.
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Má Educação (La Mala Educacíon. 2004)
Gosta de Almodóvar? Ótimo, meio caminho andado. Nunca viu? Vai ver agora. Não gosta? Fazer o quê, né, a vida é assim. Você pode gostar agora.
Má Educação tem um enredo inicial relativamente simples: o diretor de cinema Enrique, belo dia, é procurado por um antigo colega de escola, chamado Ignacio, por quem ele era apaixonado. Esse colega se tornou ator, e entrega a Enrique um roteiro escrito por ele mesmo, chamado A Visita, baseado na infância deles no colégio católico. Beleza. Enrique lê o roteiro, que relata os abusos que o padre diretor cometia com Ignacio, e a causa da expulsão de Enrique da escola: o ciúme que o padre sentia da relação dos dois amigos. Daí, Ignacio permite que Enrique grave o filme, com uma única condição: que ele mesmo faça o papel de Ignacio.
Essa trama metalingüística, por si só, já daria um bom filme. Afinal, está nas mãos de um ótimo diretor. Mas Almodóvar vai além e, ao longo do filme, você verá o quanto esse início simples se torna intricado e instigante.
Almodóvar é conhecido pelas suas personagens femininas, seus ângulos e suas cores. A diferença básica em Má Educação é que dessa vez não há praticamente nenhuma personagem feminina. Mas, ao contrário do que se pode pensar, o filme não apela pra questão do homossexualismo nem condena ferrenhamente a Igreja. Ele não precisa disso pra ser uma boa história.
Alguns dizem que o filme peca pelas cenas de sexo “excessivamente pornôs”. Eu, sinceramente, não vi nada disso ali. Aliás, nem são tantas. Não sei se é porque estou acostumada com algo mais cru mesmo, ou se é porque não acharam mais o que criticar (e, do jeito que eu tô meio revoltada hoje, digo logo que se fossem cenas hétero, tava todo mundo achando muito bom e poético). Aliás, por falar nisso, uma das grandes características de Má Educação, pra mim, foi justamente a crueza. E não falo só de sexo. A história, como um todo, é crua, vibrante. Um soco no estômago, um quebrar de pernas. E, curiosamente, as cenas mais delicadas e bonitas, visualmente falando, são as do colégio, onde Ignacio era abusado pelo padre Manolo. Uma boa analogia sobre como a vida do garoto se tornou o que se tornou: de simples e inocente à seca e crua.
Destaco também a atuação de Gael García Bernal (sim, o Che, de Diários de Motocicleta). Ele está super versátil nesse filme, interpretando, veja bem, uns tantos personagens diferentes, e ao mesmo tempo a mesma pessoa (Ignacio) - vocês ainda vão me entender, eu acredito -, entre eles o travesti Zahara.
Dizem que o filme é uma autobiografia de Almodóvar, principalmente pelo que se vê nos segundos finais. O que ele mesmo diz, no entanto, é:
"É um filme muito íntimo, mas não é autobiográfico. Não falo de minha vida no colégio (...). Obviamente minhas memórias foram importantes na hora de escrever o roteiro, já que vivi nos locais e momentos onde a história se passa. ‘Má Educação’ não é um ajuste de contas com os padres que me educaram mal, nem com a Igreja em geral. Caso tivesse necessidade de me vingar, não teria esperado quarenta anos para fazê-lo. A Igreja não me interessa, nem como adversária. O filme não é uma comédia, ainda que haja humor, nem um musical infantil, ainda que crianças cantem. É um film noir, ou, pelo menos, gostaria de considerá-lo assim. O gênero noir admite bem a mistura com outros gêneros, sempre que a narração respire esse ar fatal, sem o qual o negro seria cinza. No noir pode não haver polícia nem armas, nem sequer violência física, mas tem de haver mentiras e fatalidade, qualidades que normalmente uma mulher encarna: a femme fatale. Ela é consciente de seu poder de sedução e é fria, razão pela qual não se altera facilmente. É alguém que perdeu os escrúpulos e não se interessa em recuperá-los. Para ela, o sexo não é fonte de prazer e sim de dor para os demais. Em Má Educação, a femme fatale é um enfant terrible, o personagem interpretado por Gael Garcia Bernal."
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No meu próximo surto cinematográfico:Les Chansons d’Amour e, se Deus quiser, Os Sonhadores (The Dreamers).
No meu, cada vez mais próximo, surto literário:Grande Sertão: Veredas e O Iluminado.
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(eu tava com saudade de escrever assim, com paixão. dessa vontade de compartilhar minhas opiniões. acho que estou de volta.)
Olha eu aqui de novo, superando todas as expectativas do .status quo. voltar a ser atualizado regularmente!
Mas, calma, não se exaltem. A frequência de atualização vai continuar sendo de uma em uma semana - pelo menos é o que pretendemos. Mas hoje é um dia especial, e é por isso que estou aqui, postando e pegando emprestado o título de uma fic que estou escrevendo (ninguém perguntou, -q) por um simples motivo:
Dar parabéns pro Rôh, porque hoje é aniversário dele. Simples assim.
Uma das coisas que eu mais lamento é o fato de até hoje não termos nenhuma foto decente juntos. Até que tem uma que eu gosto bastante, mas sei que ele tiraria minhas tripas se eu postasse. Por isso, não teremos foto aqui :( (mas, Rôh, se mudar de idéia sobre a foto, eu edito o post na hora!)
Enfim, parabéns, feliz aniversário, muitos anos de vida e blábláblá. Os resto 'cê já sabe. Aproveite tudo - inclusive os simulados do Enem, porque pra alguma coisa eles certamente hão de servir -, encha a cara quando o vestibular passar, fuja do trote na UFC, jogue na minha cara que é mais velho que eu, entre em todos os lugares em que não podia entrar (oficialmente) antes, ande feito um pavão orgulhoso exibindo sua identidade, corte o cabelo, tire uma foto comigo e autorize sua exibição, escreva um best-seller, morra de rir de alguma besteira qualquer (inclusive desse texto tosco), poste com mais frequência, se apaixone por alguém que seja consideravelmente menos legal que eu, faça mais amigos (que sejam consideravelmente menos legais do que eu), estude pra caralho, lembre-se dos meus frequentes palavrões e obscenidades quando estiver triste, a propósito, não fique triste, e se ficar, liga pra mim, só não liga agora porque meu celular pifou, 'cê sabe, ignore as vírgulas malucas que eu coloquei ou deixei de colocar aqui e ignore as vezes que eu disse que tu tinha errado alguma palavra.
Tenho outras bilhões de coisas pra dizer, mas eu não vou lembrar de tudo agora, então apenas imagine enquanto eu não disser pessoalmente.
O colégio em que estudo promove anualmente um concurso de poesia, conto, crônica, desenho artístico, etc.
A "Coletânea Jovem FB" é dividida em categorias onde participam tanto alunos da escola, como pais, funcionários e alunos de escolas públicas associadas ao PEA-UNISCO.
O concurso é grandioso: os finalistas além de medalhas e certificados provenientes da 1º eliminatória, são duas ao todo, têm a oportunidade de terem suas obras publicadas em um livro financiado pela instituição.
Então eu pensei: "pqp... é a minha chance" O_O
Eu já havia ouvido falar sobre o assunto quando minha irmã mais velha estudou lá, inclusive dizendo que quando eu estudasse no FB deveria participar. E quase que não participaria, ou melhor, nem saberia. Porque a coordenação não se preocupou em avisar nas turmas olímpicas (fica aqui o meu protesto), fiquei sabendo por uma amiga que ouviu falar em algum lugar.
Vocês têm ideia do quanto é difícil encontrar concursos assim? Logo para mim que me identifico muito, na escrita, com a estética ultra-romântica e simbolista.
Então me inscrevi e "fui devorar" o regulamento. E, devo dizer, que decepção. Primeiro, o descobri nos últimos suspiros de vida, como diria Moony, pois era a ultima semana para enviar as poesias, eram duas no caso, e depois porque vejam só alguns dos temas em que os poemas deveriam se basear:
"As Oito Metas do Milênio",
"Educação para o Desenvolvimento Sustentável",
"Patrimônio Mundial", etc...
Sem contar, ainda, com "Preocupações Mundiais e o papel do Sistema das Nações Unidas": pô, não tem naaaaaaaaada a ver comigo.
Meu povo, juro como eu pensei de novo: "pqp...", mas foi com outro sentido.
Pra terminar devo dizer que fora a pressão normal e carga horária de estudo eu ainda tinha dois simulados pra me preocupar esta semana. Então resolvi deixar as Preocupações Mundiais e o Sistema das Nações Unidas de mão, como diria minha avó.
"... Nevinha foi-se. Passou feito um símbolo, ficou aqui nas memórias como alegre, jovem sombra, como alguém que não se sabe ao certo, depois, se existiu ou se foi sonho, confundia-se com outras lembranças, identificava-se com outras imagens, misturava-se a outras mulheres, outros nomes, figuras de romance, de cinema e de lenda, e se repetia em todas as outras que conheci posteriormente. Uma tinha os olhos de Nevinha, outra tinha a boca, uma terceira guardava o jeito de Nevinha, enfim eu buscava inutilmente Nevinha em cada mulher que encontrava..."
Entre a boca da noite e a madrugada Milton Dias
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Por que mentias?
Por que mentias leviana e bela? Se minha face pálida sentias Queimada pela febre, e se minha vida Tu vias desmaiar, por que mentias?
Acordei da ilusão, a sós morrendo Sinto na mocidade as agonias. Por tua causa desespero e morro... Leviana sem dó, por que mentias?
Sabe Deus se te amei! sabem as noites Essa dor que alentei, que tu nutrias! Sabe esse pobre coração que treme Que a esperança perdeu por que mentias!
Vê minha palidez - a febre lenta Esse fogo das pálpebras sombrias... Pousa a mão no meu peito! Eu morro! Eu morro! Leviana sem dó, por que mentias?