sábado, 20 de setembro de 2008

Cala essa boca,que isso é coisa pouca perto do que passeieu que lavei os teus lençóis sujos de tantas outras paixões, que ignorei as outras muitas..

O verso do título é da música Do lado de dentro, do Los Hermanos. Sim, eu sou completamente louca por Los Hermanos. xD

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Como todos perceberam, esse blog está abandonado às moscas desde a quinta-feira passada, mas não é culpa dos pobres blogueiros, Moony-chan e Parente-san xD
Sabe como é, o aniversário do já-não-tão-jovem Parente-san foi na sexta e, adivinhem, ele passou o fim de semana todo na farra, e, por motivos desconhecidos que nunca entenderemos, sobreviveu a tudo que se propôs a fazer xD~ Tenho quase certeza de que ele vai dar um jeito de postar amanhã ou depois...
Enfim, também não mudei o layout, porque os links não estão com defeito (era só uma doideira do computador que eu tava usando).
Novidade básica: pensei seriamente em começar a publicar o Will em ordem, desde o primeiro capítulo e tal, porque esses fragmentos soltos estão deixando as pessoas malucas xD
Mas, antes disso, eu preciso ter capítulos prontos. Então, como ainda não os tenho, vou publicar aqui o prólogo e o capítulo um de uma nova história que ando fazendo. Não é nada extraordinário, e também não é um "projeto de vida" como o Will, é apenas algo que fiz pra passar o tempo e fugir um pouco de mim... O que não deu muito certo, porque o negócio virou quase uma auto-biografia xD
Não tem título ainda, mas daqui pro capítulo dois eu arranjo um ><"
Divirtam-se.

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Prólogo

Todos sabem que o último ano na escola, logo antes do vestibular, é o pior e mais cansativo de todos. Pelo menos pra maioria, claro. Porque não é todo mundo que passa a vida toda tirando boas notas em tudo e depois passa feliz e tranqüilo na primeira vez em que tenta entrar numa faculdade.
Meu terceiro ano foi horrível. Não nas notas, porque as mantive altas nas matérias que gostava e relativamente normais nas que não tinha muita aptidão (leia-se: exatas). O grande problema foi a rotina alucinante de estudo, e as milhares de informações que eu tinha de relembrar e enfiar à força no meu cérebro todos os dias. Foi altamente cansativo, e dei graças a Deus no dia em que recebi meu diploma.
Além de todo esse cansaço, ainda havia outro problema que piorava tudo dez vezes: a escola. Eu estudava lá há séculos. Mais especificamente desde a primeira série do fundamental. Isso significa, basicamente, que passei onze anos olhando todo dia para os mesmos rostos, convivendo todo dia com as mesmas pessoas e, claro, sem conhecer outro “mundo” além daquele.
Afinal de contas, toda escola é mundo particular, principalmente quando se gosta dela. E eu gostava mesmo, no começo. Não que eu tivesse muitos amigos, mas os que eu tinha me bastavam. Mas eles, invariavelmente, acabavam saindo de lá para uma escola melhor e eu sempre ficava, como se fosse a pedra fundadora da instituição.
E assim foi se tornando insuportável passar as manhãs de todos os dias úteis lá. Eu conhecia cada aluno de pelo menos cinco séries antes da minha pelo nome, mas já não tinha nenhum amigo. Os professores, sempre os mesmos, já não podiam mais me fazer pensar que estavam sempre certos.
E então finalmente pude sair. Conquistar a liberdade há tanto sonhada, pra ser mais trágico. Pouco antes das aulas terminarem por completo eu – e todos os outros alunos da minha classe – fiz vestibular em três universidades diferentes. Em uma foi Jornalismo, em outra História e, na última, Literatura. Mas no fundo a que eu queria mesmo era Jornalismo.
Todos dizem que o mercado está saturado de jornalistas, que não se ganha muito, que é perigoso... Mas não estou nem aí. E consegui.
Nem foi tão difícil assim. Não estou querendo dizer com isso que sou extremamente inteligente, mas o fato é que realmente não é difícil. Não pra quem sabe o que vai enfrentar e se prepara com bastante antecedência. E, entendam, isso não significa que acho certo dizer a crianças de cinco anos que elas devem fazer simulados para o vestibular, mas sim que, quando você sabe que um dia vai precisar de todo o conhecimento que adquiriu, você aprende mais. Mas, claro, sempre haverá pessoas que não têm noção de futuro, do que vão fazer na vida...
Eu mesmo não tinha. Bem, eu realmente achava que tinha, mas estava muito enganado. Estudei a vida toda na mesma escola particular e nunca soube o que um aluno de escola pública tem que sofrer pra chegar a uma faculdade. Nunca tinha pegado um ônibus sozinho, não sabia nem me orientar se fosse solto no meio da cidade. Nomes de ruas, praças, lugares? Nada. E, no entanto, eu achava que já sabia tudo. E achava também que entrar na faculdade era sinônimo de bom emprego quando formado. Triste engano...
A vida não é sempre fácil e garantida. Mas, como eu não sabia disso, fiquei exultante quando descobri que tinha passado em Jornalismo. Não quis nem saber das outras duas (mais tarde soube que passei nelas também); fui logo fazer minha matrícula. Em pouco tempo eu me livraria do fantasma daquela escola e entraria no mundo real. Finalmente.


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Capítulo 1 – O mundo é dos tímidos

Era meu primeiro dia na faculdade. Pública, diga-se de passagem. Eu passei a vida toda ouvindo que as universidades públicas eram melhores, e consegui entrar na federal. Maravilha. Além de pesar no currículo, ainda seriam quatro anos sem pagar mensalidade, comprar fardas, ou ser obrigado a comprar livros caríssimos e pesados.
Naquele fatídico dia eu tinha decidido que não ia ter medo do meu “novo mundo”. Peguei o ônibus, sob os olhares orgulhosos dos meus pais, milagrosamente desci na parada certa, e entrei.
Eu já tinha entrado lá, claro, pra me inscrever, fazer as provas e me matricular, mas agora eu a via com novos olhos. Era imensa, e, diferente das outras vezes em que estive lá, estava cheia de alunos conversando e andando de um lado para o outro.
Foi incrível ver todas aquelas pessoas... Pode parecer idiotice, mas eu nunca tinha visto pessoas tão diferentes e interessantes. Na escola todos vestiam fardas iguais, todos entravam e saíam da classe na hora determinada... Ali, não. Ninguém se vestia igual, como num quartel. Tinha um grupo sentado no chão, tocando violão e cantando. Um cara mostrava o saxofone que tinha consertado pros amigos. Outros ensaiavam no meio do pátio a peça que pretendiam mostrar pro professor. O barulho era incrível, pois toda essa gente falava ao mesmo tempo. E faziam o que queriam.
Não é que não tivesse regras... Elas existiam, porque afinal de contas há regras em todos os lugares, mas o que varia é o modo como elas não são cumpridas. A grande diferença daquela universidade para a escola era que na primeira as pessoas já sabiam muito bem o que queriam ou não queriam fazer. Ali não havia mais ninguém pra me vigiar, conferir meu boletim e ter reuniões de pais. Partia-se do pressuposto que todos os alunos já eram bem grandinhos pra cuidar de suas próprias vidas e ter responsabilidade pelos seus atos. Achei isso fascinante. Era como ter a chance de provar para todos que eu seria capaz de me virar sozinho!
Enquanto pensava nisso achei a minha sala, no primeiro andar do bloco de humanidades. A plaquinha na porta dizia “BH-03”. Entrei, tremendo dos pés à cabeça, e me comportei como um verdadeiro bicho-do-mato: sentei no canto mais escondido da sala e não falei com ninguém. Minha grande decisão de não ter medo tinha ido por água abaixo.
Se bem que, de certa forma, todos estavam agindo como eu. Muita gente nem se atrevia a se mexer na cadeira. E olha que estávamos num curso onde é essencial a comunicação com as pessoas! Os mais extrovertidos e os que já se conheciam de outros tempos não paravam de conversar, mas era evidente que também estavam inseguros.
Para mim aquilo era horrível. Era a primeira vez que eu ia estudar num lugar diferente, ver pessoas e professores diferentes... Achei que seria incrível. Mas ficar sentado naquela cadeira, olhando pros lados como um bichinho acuado, não estava nos meus planos. E tampouco queria sair da sala, pois a gritaria nos corredores era absurda.
O professor entrou, finalmente. Nos apresentou ao curso, disse o que iríamos ver no semestre, como as médias eram calculadas... Por fim, perguntou o nome de cada um de nós e nos desejou boa sorte.
Não foi tão ruim, pensei. O barulho lá fora já tinha diminuído consideravelmente e eu já sabia o nome de algumas pessoas. Como ainda faltava quase uma hora pro intervalo, eu ainda poderia dar uma explorada na biblioteca...
Não, não poderia. Porque naquele exato momento entrou uma enxurrada de alunos na sala, trazendo tinta, papel crepom, fitas...
Trote.
Como eu não pensei nisso antes?
É claro que haveria um trote pros calouros! Como fui idiota...

- x -

Voltei para casa completamente coberto de tinta de todas as cores. Desisti de tentar tirar quando vi que quem entrava no banheiro saía de lá pior do que estava antes.
Mais uma semana se passou sem que eu conseguisse estabelecer comunicação com alguém. Como sempre, eu me sentava no fundão, mesmo que não conseguisse enxergar a lousa. E já que a sala era grande e os alunos poucos, não tinha barulho nas últimas carteiras.
Mas um dia, finalmente, alguém resolveu vir falar comigo. Ainda bem, porque eu não teria coragem de me aproximar de ninguém, por mais que quisesse. Era um cara um pouco mais alto que eu, que se sentava no meio da sala, e em quem eu nunca tinha reparado muito. Ele foi falar comigo no intervalo, que eu sempre passava na minha fiel cadeira, lendo ou escrevendo alguma coisa.

- Oi. – ele disse, me estendendo a mão. – Meu nome é Walter.

- Oi. – respondi, apertando a mão estendida. – Rodrigo.

Simples, prático e rápido. Nem doeu. Em pouco mais de um mês já éramos os melhores amigos de infância. Walter era muito menos tímido que eu, mas não chegava a ser como aqueles caras irritantes que queriam chamar atenção o tempo todo. Contei a ele como a minha vida era chata e sem atrativos, e como eu odiava aquela prisão que chamavam carinhosamente de escola. E ele me contava como tinha passado a vida toda se mudando de bairro em bairro e, conseqüentemente, sempre mudando de escola.

- Mas eu não achava tão ruim como as pessoas geralmente pensam que seja. – ele dizia. – Tenho espírito cigano!

Nos divertíamos juntos, pois ele estava sempre de bom humor. Isso quebrava muito a minha apatia habitual. Eu estava tão acostumado a criar raízes num canto que não sabia nem viver direito.

- ‘Cê vai na festa? – ele me perguntou um dia, no meio do semestre.

- Que festa? – perguntei, distraído, pois estava estudando pra uma prova importante.

- Como que festa, cara? A calourada da estadual!

- Mas nós nem somos de lá.

- E daí?

Olhei pra ele. É, estava falando sério mesmo.

- Não dá. Olha o monte de coisa que eu tenho que revisar... E você também deveria estar estudando!

- Pelo amor de Deus, Rô, a prova é segunda-feira e a festa é no sábado! Ainda tem o domingo pra estudar!

Foi a primeira vez que ele me chamou de Rô. Na boca de qualquer outra pessoa eu teria achado ridículo, mas na dele soou tão natural que era como se sempre tivesse sido meu nome.

- E você acha mesmo que eu vou deixar tudo pra última hora? Nem pensar!

- Você não vai deixar pra última hora porque já passou essa semana toda estudando. Vai, deixa de ser nerd, e acorda pra vida! A gente se vê de noite. – ele concluiu, já se levantando.

- ‘Cê não tem jeito, né?

- Tenho nada! Te espero na entrada do campus!
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Bye...

2 comentários:

.[P].a.[R].ente disse...

My god, isso ta a tua cara... E pelamordedeus, muda o nome do pobe coitado, Walter é feio pra caralhuu.
=P

Sem mistério disse...

Hhauhauah
Walter eh foda
mas já que eh esse o nomem fik esse mermo
Amor
eu juro q se continuar assim eu caso com vc
nem q seja a força xD
eh
to falando de vc mesmo
num eh do Parente nao xD
beijaum ^^
inté
\o/