domingo, 31 de agosto de 2008

Usa a desgraça como outros usam o veludo; o sofrimento o favorece como a luz das velas; as lágrimas lhe servem como jóias

(a frase acima foi tirada de A História do Ladrão de Corpos, e Lestat está se referindo a Louis)

Olá, pessoas...

Pra início de conversa, vou logo esclarecendo que não sou o [P].a[R].ente-san, e que tenho total e absoluto desprezo por Paulo Coelho.

Sou Moony, e, pros que não liam esse blog antes das minhas merecidas férias e pros que não prestam atenção profile do blog, vale explicar que esse blog é meu e de Parente-san, ok?

Ok, feitas as apresentações, vamos aos fatos...

Não acabaram minhas férias ainda, mas tive uma ligeira oportunidade de postar, então estou postando xD Eu juro que, se tivesse com net em casa, postaria com uma frenqüência monstruosamente maior, e, se quando não tivesse de férias eu tivesse tempo, com certeza postaria mais também, mas nem tudo é como a gente quer xD
Como eu disse antes de sair de cena por algumas semanas, meu plano para as férias era, basicamente, terminar de ler as Crônicas Vampirescas que tenho aqui. Ou seja, eu tinha terminar de ler A Rainha dos Condenados, e terminei. Não vou dizer que foi lindo e maravilhoso, porque só ficou bom mesmo do meio pro fim, mas valeu a pena.

Eu também tinha que ler A História do Ladrão de Corpos. E li. E foi bom xD Mais curtinho, mais básico, e mais interessante também.

Tinha que ler Memnoch, o demônio. E li. Assustador no começo, bastante convincente no meio, e maravilhoso no fim. Pela primeira vez li um final bem acabado em um livro da Anne Rice. Não que os outros fossem horríveis, mas sempre deixavam um "sim, e aí?" no último parágrafo. Esse, porém, não foi assim... Foi... gratificante xD Foi merecidamente a última Crônica Vampiresca, pois, se não me engano, depois de Memnoch começam as Novas Crônicas Vampirescas. Ou seja: o narrador deixa de ser Lestat e passa a ser David Talbot, a mais nova cria de Lestat.

Eu tinha que ler O Vampiro Armand, e estou lendo. E amando. Adoro aquele cara... Me lembra o Will.

Por falar em Will... Vou aproveitar a oportunidade e postar logo um trecho do Will...

Explicando quem é o Will:

Will é o personagem criado por mim, Moony, e é o protagonista de minha história ainda sem título que escrevo há anos e ainda não terminei xD
O trecho que vou colocar agora é da Parte II. Não sei ainda de que capítulo.
Leiam.

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Parte II – Solidão

Capítulo (?) - Untitled


- Há quanto tempo?

Não respondi. Estava concentrado apenas em observar a mudança que acontecia a Will. Ele parecia estar acordando de um sonho particularmente confuso. E, pior ainda, descobriu que dormiu demais.

- Que lugar é esse? Há quanto tempo eu tô aqui?

Continuei sem responder. De tanto me preocupar em acalmá-lo, durante aqueles últimos meses eu quase não tinha parado para pensar em como ele se sentiria ao se olhar no espelho, agora que uma rede de cicatrizes grossa e profundas lhe deformavam o lado esquerdo do rosto, do canto do olho até quase o pescoço. E pensar que disseram que tinha feito o possível...

- Responde! - ele exclamou, desesperado, no tom mais alto que conseguiu articular.

- Você está aqui há uns sete ou oito meses... - respondi, ocultando parte da verdade e me levantando para arrumar melhor o seu lençol. Da janela se podia ver uma enfermeira conduzindo um homem usando o mesmo “uniforme” branco de Will, que apontava bobamente para o céu. Fechei as cortinas do modo mais natural possível.

- Que lugar é esse? - Will perguntou, como se tivesse adivinhado os meus temores.

- É um... centro de recuperação. Para soldados, sabe como é.

- O que aconteceu comigo?

- Você não lembra de nada?

Eu não queria fazê-lo lembrar de momentos tão ruins, mas também não queria ter de contá-los a ele. Will pareceu tentar lembrar de algo, e algum tempo depois pôs a mão no rosto, em busca da cicatriz.

- Ela era menor. - ele falou, enquanto percorria com os dedos o caminho tortuoso da sua face. - E eu enxergava. Esse olho... O que aconteceu?

Eu não sabia se, no lugar dele, reagiria tão calmamente ao descobrir que estava cego de um olho, mas já estava tão acostumado com as suas inconstâncias que já não estranhava mais nada. Bem, quase nada.

- Eu imagino que tenha sido conseqüência da queda. - falei, tentando fugir do assunto. Eu preferiria falar sobre qualquer coisa do que lhe dizer que ele tinha sido brutalmente torturado.

- Que queda?

- De um cavalo. Não me pergunte como, mas ele caiu em cima de você. - bom, isso era verdade. Ainda não entendo como um homem esmagado por um cavalo sobrevive, mas o fato é que ele sobreviveu, e isso me bastava.

- Por isso elas doem tanto? - ele perguntou, apontando as próprias pernas.

- É.

- E eu vou...?

- Vai.

Pronto. O véu de frieza atrás do qual ele estava se protegendo caiu. Will deus um suspiro de alívio e se recostou no travesseiros. Estava agora analisando todo o quarto com seus olhos rápidos, sem o tormento de saber se poderia andar ou não.

- Isso é um manicômio. - ele constatou, depois de alguns minutos. O tom indiferente tinha voltado a sua voz; estava com medo.

- Há nomes mais sutis pra isso. - comentei calmamente, fazendo o seu jogo.

- Oito meses num manicômio? Pelo que você disse, devo ter passado meses no hospital antes disso... Eles refizeram minhas pernas, não foi? - ele disse, quase afirmando, enquanto levantava o lençol e analisava cada cicatriz que encontrava pelo corpo. - Em que ano estamos?

- Oitenta e nove.

- Que mês?

- Setembro.

Will se ajeitou de novo na cama, mas não parava de olhar rapidamente para todas os cantos do quarto. Estava frenético. Segurei sua mão, em parte para acalmá-lo, mas também para, por pelo menos alguns instantes, sentir que era real, que ele estava enfim lúcido. Ele se acalmou um pouco e, pela primeira vez desde que “acordara”, olhou diretamente para mim.

- Eu não quero saber. Nem lembrar, nem nada. - ele pediu, visivelmente desesperado. Seus olhos estavam tão amargos, tão tristes e opacos, que quase me desesperei também. E o pior, o infinitamente pior, era saber que ele era ao menos um pouquinho mais feliz quando estava louco.


- x -


A dor de Will era tão forte que eu tinha medo dos seus olhos. Eu sabia que, se os visse, cairia também no abismo em que ele estava se perdendo.
Ele sempre tinha sido um garoto bonito e disposto a enfrentar o que lhe acontecesse. Esperto, vibrante... E agora se tornava um homem amargurado e infeliz, que passava as tardes a olhar pela janela os tons do céu no pôr-do-sol.
Naquelas horas eu lembrava quase com saudade o brilho de satisfação que lhe surgia nos olhos quando eu lhe trazia um girassol. Na sua loucura, Will era apenas um garotinho que ficava feliz facilmente e ainda era capaz de sorrir.
Mas agora os girassóis que eu trazia já não eram tão importantes. Parecia que cada vez que os via ele se lembrava de uma vida melhor do que a presente, e sofria mais ainda pela felicidade perdida. Então não olhava mais para eles, assim como eu evitava seus olhos.

- Não quer sair um pouco, ver o jardim? - perguntei, esperançoso, num dia em que ele parecia menos triste.

- Não posso levantar daqui. - ele falou, desalentado.

- É claro que pode...

Pensei em colocá-lo na cadeira de rodas, mas o pânico que ele tinha dela, mesmo louco, me fez desistir imediatamente disso. Levei Will nos braços até o jardim e o coloquei na grama, sentando ao seu lado. Definitivamente, era melhor do que aquele quarto abafado.
Will desviou os olhos dos outros pacientes que andavam, num canto mais distante jardim. Eu, ao contrário, já começava a gostar daquela realidade absurda em que eles viviam. Perdidos nas próprias mentes, não lembravam mais dos problemas, das dores. Acho que eu estava começando a ficar louco também.
Então, nessa altura dos meus pensamentos, ele se encostou em mim e repousou a cabeça no meu ombro, fechando os olhos. Há muito tempo ele não chorava mais. O que sentia era maior que isso. Era algo que ia de fora pra dentro, e lá fica.

- É como uma coisa se enroscando em mim, me sufocando. - ele disse, num sussurro, se agarrando mais ao meu braço. - Eu quero morrer, Lando.

- Eu sei. - porque, pela primeira vez, eu também queria.
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Curtinho, né? xD
Então é isso, vou-me embora pra Pasárgada novamente...

Até mais...

6 comentários:

.[P].a.[R].ente disse...

PuTzz... Eu realmente devo ter perdido muita coisa do Will, desde ele ir parar num manicômio e ficar cego de um olho (coitado) trate de mudar isso, levar logo a história pro século XXI, onde se descubra a cura para tudo isso e q o will possa enfim engravidar do Orlando. kkk (não dê importância a segunda parte)

rs. Cheiro...

Angel de Amor disse...

FANTÁSTICO!!!!
absurdamente, maravilhosamente, espetacular!!!
é nessas horas que me conformo em tirar 55 numa redação!
Adorei sua [ironicamente ><] curta postagem!!rs
Saudades absurdas do seus textos, de nossas conversas...
saudades moony!!

bjus
;***

Rodrigo Hyoukami disse...

Obrigado pela honra...
Você certamente tambem não me desaponta...
Creia em sua habilide com a qual tanto contas...
Nem de longe deve-se pola de fora...
Por fim uma vez mais saiba...
Saiba que aprecio tuas palavras...
Assim como desta que acima acaba...
E os items que tocaras...
Lamento as respostas demoradas...
Ando com a vida tumultuada...

Fiquem bem.

Mahzinha disse...

Ficou muito bom, quero ver onde tá o primeiro capítulo que eu quero ler >_>

Sem mistério disse...

Uau!!!
Caramba, o Rô disse que perdeu muito do Will (isso logo acima)
imagina eu !
que estou há quase dois anos sem saber dele...
mas também né, a dona Moony me falou q ia mandar...
e não sei porque, ela nunca me mandou...
mas tudo bem...
eu tenho q me conformar
AGORA EU VOU COMENTAR A HISTÓRIA xD
bom eu amei ^^
ta lindo cara
em todo esse tempo você só melhorou...
mas quanta tragédia na vida do Will
eu fiquei sem entender nada
quando eu terminei de ler, ele ainda era um garoto q fazia discursos em cima de um carro, na frente de um bar...
e o Orlando lá, só olhando...
agora eu tô deslocada..
mas vê se tira o Will dessa fossa xD
por favor..
td bem que nem tudo são flores, mas assim já é demais..
td bem ..
até nas desgraças do Will
eu me prendo, e não consigo parar de ler.
Um beijo ^^

xau
continue assim ^^

La Vie disse...

Era inevitável: o cheiro das amêndoas amargas lhe lembrava sempre o destino dos amores contrariados.
Gabriel García Marquez

Adorei a carta ...rs
Beijo
Carmen