sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Bátima levanta


(escrevi metade do texto há milhões de anos e simplesmente esqueci dele -q tem alguns spoilers)


Depois de ter assistido bonitinho todos os filmes, com intervalos pequenos entre cada um, finalmente posso dizer de todo meu coração que, dos três filmes mais recentes do Batman, meu preferido é o segundo.

O que não significa que o terceiro seja ruim. Ele é lindo e eu adorei e surtei e tudo o mais, mas existe uma coisa em The Dark Knight que ele não conseguiria pegar, e não estou falando só do Coringa.

Back in 2008, uma piadinha comum era falar do filme do Batman e responder “que Batman?”. Pra muita gente, o pobre morcegão ficou em segundo plano no seu próprio filme por causa do Coringa - eu caí nessa também. Só milhões de anos depois, assistindo de novo, foi que eu entendi como esse é o mais coerente de todos os filmes e como o Nolan amarrou muito bem todos os personagens. 

O mais interessante nisso tudo é que, enquanto eu assistia The Dark Knight, tive um vislumbre do por que de algumas vezes a arte ser capaz de acabar com a sanidade de uma pessoa. Não é uma questão de levar uma lição pra vida ou algo do tipo; quando, depois de levar um tempo contabilizando os votos no barco dos ~inocentes, uma pessoa se dá conta de aquele tempo todo passou e o barco dos criminosos ainda não os havia explodido, eu entendi o raciocínio do Coringa. Antes ele era um personagem - muito bom, diga-se de passagem - que fazia sentido, que tinha suas motivações, etc. Mas só depois de entender como ele funciona é que uma coisa assustadora acontece: o que ele faz passa a fazer sentido pra você também. Esse é um exemplo pequeno, mas já dá pra imaginar um gatilho maior.

Coloquei a trilogia do Batman num cantinho especial do meu coração como uma das melhores que já vi. Trilogias costumam cagar alguma coisa em pelo menos algum filme, então essa merece meu respeito por ter sido coerente o tempo todo. Okay que eu tô rindo até hoje da Marion Cotillard, mas nem tudo é perfeito, certo? E surtei tanto com o Joseph Gordon-Levitt que ainda não consegui escrever duas linhas coerentes sobre o rapaz até hoje, milhões de anos depois de ter visto o filme, porque sou dessas.

batman who? só vi o robin.


Outro aspecto legal das adaptações do cinema é que gente que nunca leu as HQs (oi eu) fica se coçando toda pra começar. Pretendo começar a ler Batman assim que conseguir dividir a atenção entre duas HQs diferentes (e quem sabe três, porque quero ler Watchmen antes de ver o filme).


Aliás, já que eu tô falando sobre isso: outro dia eu estava reparando em como o universo dos quadrinhos é completamente diferente. Não sei explicar, mas é uma coisa muito particular do formato, da divulgação, das próprias histórias e do modo como elas dialogam entre si, e nem estou falando só das HQs mais conhecidas. Admiro horrores quem consegue escrever & desenhar uma graphic novel independente, porque alimento meio que secretamente o desejo de fazer isso, mas é um formato tão diferente da “literatura comum”, vamos dizer assim, me arriscando a falar merda mesmo, que eu ainda não sei lidar direito. Digo que é diferente porque não se trata “apenas” de texto; existem as imagens, existe a fluidez que é diferente, existe toda a concatenação de ideias que é feita de outro jeito justamente porque é um outro modo de se contar uma história. E se eu posso experimentar novos materiais de desenho, por que não outras formas de escrever, não é mesmo?

Um comentário:

Chrissie Guenever disse...

Mais hein?
Esta positivamente apoiada a idéia de tentar outras formas de 'literatura', Moony. Quando fizer, seja um rascunho ou uma parada toda maneira, vê se posta para seus fans aqui curtirem :).
Achei que tinha sido só eu a ter vontade de ler as HQs por causa da trilogia~~
Até