segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Don't you late, 'cause nobody is going to save us... - Take It All Away / Cake

E aí, pessoas... Cá estou eu novamente, em pleno outono (eu acho xD~ preciso confirmar na minha tabelinha de estações).
Outubro foi um mês estranho... Todos devem ter percebido que passei o mês um tanto deprimida... Sejamos sinceros, bastante deprimida... Mas, curiosamente, isso não tornou o mês ruim. Talvez a gente precise de um tempo pra pensar na vida de vez em quando, não é?
Aqui vai o capítulo 4 do Pra não dizer que não falei de flores. Peço mais uma vez que as pessoas comentem o que lerem, para fazer .moony. feliz ^^

---


Capítulo 4 – Evidências

Como a maioria dos jovens de todo o mundo, eu também me aventurava a escrever uns versos de vez em quando. Hoje em dia não me atrevo a dizer que eram bons, mas na época me bastavam.

Durante as férias preenchi quase um caderno todo só com eles. Na maioria o “porque” imperava absoluto. Porque isso, porque aquilo... Perguntas que eu fazia e não queria saber a resposta.

Às vezes é tão mais fácil não pensar em determinados assuntos... Deixando de pensar, eles param de nos incomodar. Pelo menos por um tempo. E aí depois voltam com toda a força...

Era o que estava acontecendo comigo. No começo resolvi simplesmente parar de pensar naquelas benditas pétalas de rosa, mas depois vi que não seria tão fácil.

Eu ficava pensando... Porque, afinal de contas, Walter estaria fazendo isso? Qual o grande objetivo? Era um risco, pois eu poderia ter me ofendido ao perceber que era ele e nunca mais querer olhar na sua cara. Mas talvez ele já soubesse qual seria minha reação... Talvez já soubesse que eu as guardaria e ansiaria por mais. Será que eu sou tão previsível assim?

Talvez ele já soubesse que eu teria tanto medo de uma confirmação que nunca tocaria no assunto com ele. Mas até quando isso iria durar? Aonde ele queria chegar?

- x -

Voltar às aulas após um torturante mês sem elas sempre foi um grande alívio pra mim, desde que me entendo por estudante. Não foi diferente daquela vez. Era maravilhoso poder saber que agora faltava um semestre a menos para o fim do curso.

Quando entrei na nova sala, Walter já estava lá. Devia ter acabado de chegar, pois ainda arrumava as coisas na cadeira. Ao me ver entrar, ele tirou o caderno que guardava o meu lugar de cima da mesa ao seu lado. Sentei lá.

Eu nunca tinha muito assunto ao voltar de férias, mas parecia que todas as outras pessoas do mundo tinham, e muito. Walter não era exceção. Devo ter passado uns vinte minutos apenas o ouvindo falar sobre seu tão amado mês de folga.

- Ah, e agora vem a melhor parte...! – ele falou, radiante, quando achei que já tinha chegado ao fim do relato. – Arranjei um estágio.

- Sério?

- Sério. No Diário. Eles queriam alguém com ensino médio, pra tirar xerox, digitar coisas, fazer café, anotar recado, varrer...

- Coisas que estagiários fazem. – interrompi, sorrindo, antes que a lista de tarefas se prolongasse por todo o dia.

- Exatamente. Coisas que estagiários fazem. – ele concluiu, orgulhoso.

- Isso é ótimo... E me faz lembrar também que há algum tempo te pedi pra fazer um currículo pra mim.

- Eu fiz.

- Já? – eu sinceramente não esperava que ele fosse se lembrar do meu pedido; e não tinha pressa alguma.

- Já. E já mandei pra alguns lugares também, há séculos. Eu sou rápido, cara.

- Tô vendo...

Nessa altura da nossa conversa a aula começou.

- x -

Como eu havia previsto, as pétalas voltaram a aparecer. Era segunda-feira, uma semana depois das aulas começarem, e eu já estava em casa. Tinha resolvido estudar um pouco à noite, mas quando folheei o caderno para achar a matéria vi algo amarelo entre as folhas. Olhei melhor; era uma pétala de rosa.

Não pude evitar um sorriso. Por alguns dias pensei que não as receberia mais, e, no entanto, lá estava ela. Desta vez amarela. Eu nunca tinha visto rosas dessa cor, mas sabia que existiam. Imaginei como deviam ser lindas quando inteiras...

Já ia guardá-la junto com as outras quando reparei que havia algo escuro nela. Tinha algo escrito. Meu coração deu um salto mortal. Com os dedos trêmulos virei a pétala e li:

Gosto dos seus olhos

A pessoa teve o cuidado de escrever em letra de fôrma. Naquele momento conclui que quem escreveu aquilo deveria ter mãos muito delicadas, tanto para manter a pétala no lugar para escrever, quanto para escrever a frase num lugar tão pequeno e frágil. Ele deve ter rasgado muitas pétalas até conseguir essa, pensei.

Ele poderia escrever cartas, mandar um buquê de flores, ou, se fosse desprovido de romantismo, poderia até ter me mandado um e-mail se declarando. Mas não. Tinha que ser do jeito mais difícil. Tinha que ser escrevendo galanteios numa pétala de rosa!

Foi nesse momento que percebi que o tempo todo só havia pensado na pessoa como ele. Minha certeza era Walter, mas quando me sentia inseguro sobre isso meu pensamento logo viajava para a possibilidade de um “ele” que estaria fazendo isso. Nunca um “ela”.

Bem, ponderei, não seria um comportamento que eu esperaria de uma mulher. Na verdade, era o tipo de coisa que se fazia para uma mulher. No caso, eu.

Estremeci.

Eu não era uma mulher, mas estava sendo tratado como uma. E o pior: estava agindo como uma.

Confuso demais pra minha cabeça. Decidi parar de pensar nesse lado da questão.

Voltei minha atenção para a frase na pétala, procurando nela qualquer detalhe que me lembrasse a caligrafia de Walter. Mas não havia nada. Ele tinha sido cuidadoso nisso também. Talvez, no fim das contas, ele ache que eu não desconfio que seja ele e esteja procurando ser discreto.

O que meus olhos tinham de especial? Levantei da cadeira e fui até o espelho do guarda-roupa. Lá estava meu rosto, me encarando. Seria normal naquela idade ter espinhas, mas eu não tinha. Meu cabelo era castanho e tinha um corte absolutamente normal e sem graça. Mas eu tinha de admitir que meus olhos podiam ser considerados bonitos.

Eram castanho-claro, mas no sol se tornavam esverdeados. Talvez o que mais chamasse atenção nem fosse isso, mas sim o fato de serem levemente puxados. Quando eu ria eles quase se fechavam.

Voltei à mesa e a examinar a pétala. Depois de mais algum tempo, desisti de procurar indícios da identidade do remetente e guardei-a cuidadosamente junto com as outras. Me entristecia saber que se estragaria logo e que eu nem poderia mais ver a frase.

Pensando nisso, tive uma idéia repentina e peguei minha carteira de estudante. Tirei o envelope de plástico que a envolvia e coloquei a pétala lá. Fechei a abertura com fita adesiva. Talvez plastificada durasse um pouco mais.

Finalmente guardei-a dentro do livro, algumas páginas adiante de onde estavam as outras. Naquele saquinho parecia uma evidência de crime.

De certa forma, não deixava de ser.

- x -

Na tarde seguinte decidi reparar mais em Walter. E, fazendo isso, descobri que eu nunca tinha realmente me importado com as pequenas coisas que o definiam, apesar de conviver com ele quase todos os dias.

Eu nunca tinha reparado, por exemplo, que ele mordia a tampa da caneta enquanto ouvia o professor falar. Nem que tinha o maior cuidado em consertar qualquer errinho nas suas anotações, e que suas unhas, ao contrário das de tantos outros rapazes, eram bem cuidadas.

Naquela aula em especial, o que me chamou a atenção foi que, para copiar algo do quadro, ele apertava os olhos e, olhando melhor, dava pra ver que falava baixinho para si mesmo o que estava lendo.

- Do que você tá rindo? – ele me perguntou. Eu tinha começado a rir, de repente, por causa de uma bobagem que me passou pela cabeça.

- Nada... Tava só imaginando como deve ser um japonês míope.

Ele levou uns dois segundos para entender, e depois riu também, um pouco sem graça.

- É meio constrangedor ficar se espremendo todo pra ler. – ele comentou, ainda rindo.

- Existe uma coisa muito útil chamada óculos.

- Odeio óculos.

- Então você tem um?

- Sim, o que não significa que eu use.

- Pois devia usar, senão piora.

Ele resmungou alguma coisa do tipo “sim, mamãe” e voltou a copiar.

- Rô... – ele chamou depois de algum tempo.

- Oi.

-Ainda tem trauma de festas?

- Com certeza. Nem tente. – respondi, olhando furtivamente para o professor e adivinhando o que Walter estava para me dizer.

- Ele não tá nem aí pra gente. – Walter falou, se referindo ao professor. – Escuta, por você não dá mais uma chance à interação social?

- Não.

- Só uma, cara, umazinha. Prometo que vai ser melhor que a calourada.

- Não. Desista.

- Por favor...

- Não me olhe com essa cara de gato-de-botas... – falei, rindo. – Porque essa insistência?

- Quero sair com você, só isso.

Me virei pra ele. Por um instante, eu poderia jurar que o vi enrubescer, como se tivesse dado conta de ter dito algo que não deveria dizer.

- Porque, bom... – ele emendou, parecendo engasgado. – Sei lá, a gente passa o dia todo se matando de estudar, devemos ter uns momentos de diversão, não acha?

- Claro. – respondi, sem pensar.

- Isso é um sim?

- Porque você disse que seria melhor que a calourada?

- Porque é em uma casa, porque não é propriamente uma festa, e sim uma espécie de “reunião amigável”, porque... Tenho milhões de motivos.

- E eu provavelmente nem conheço a pessoa que vai dar esta “reunião”.

- Você e metade das pessoas que vão aparecer por lá.

- Não sei, não...

- Vamos fazer um trato: você vai comigo, e se não gostar a gente vai embora imediatamente.

- Promete?

- Prometo.

- Quando vai ser isso?

- No sábado.

- Tá.

- Isso é um sim?

Olhei pra ele, vencido.

- É, é um sim.


---

Até mais...


6 comentários:

Thays Lima disse...

Linda história!
Obrigada pela visita!
bjuuuu t+++

' Rôh disse...

uahuahauha... O tamanho até pode assustar, mas qm não ler nao sabe o que ta perdendo.
Doiido p/ ler sobre a festinha... ;DD
Mtu bom, Káh-san. ^^

Cheiiro.o//*

RafaelGuimaraes disse...

wow...
Faz tempo que eu não lia uma história do tipo. E principalmente que me deixasse interessado. ^^
Gostei bastante. :D
Tá de parabéns.
Agora quando sai o cap 05?
Fiquei bem curioso. u.u'

SophieLóren disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nay Maiaa disse...

To aqui agradecendo por ler quando já tem 7 pronto...
imagina se eu tivesse que esperar, acho que chorava...

Strokes disse...

És movida e intercalada por dois pontos no plano:
Luxúria e Humor.
Regozija-se moça!
minha moça com flor na boca...
sarcástica e bela
mas ainda assim... não passas de um ponto.::.
(eu que fiz)