terça-feira, 9 de março de 2010

I know now why God didn't heal Bobby. He didn't heal him because there was nothing wrong with him.

COMBO ANOS 70 - PARTE II

*

Quando penso na Sigourney Weaver, o primeiro filme que me vem à cabeça não é o fodão Avatar, mas sim o modesto Orações para Bobby (2009). Pena que ele foi feito apenas para a televisão e, portanto, nem é muito conhecido.

Orações para Bobby é como Milk, que você começa a assistir já sabendo que o protagonista vai morrer. E também é uma história real. Bobby Griffith se jogou do alto de uma ponte aos vinte anos, porque sua família (especialmente sua mãe, Mary) não aceitava que ele fosse gay.

Eu assisti esse filme em dois dias, metade x metade. E nem foi porque sou A_Maior_Procrastinadora_do_Universo, mas sim porque não consegui ver tudo de uma vez mesmo. Era muito, sei lá, doloroso.

E o pior era ver que Bobby, no começo, realmente acreditava que estava errado, que sua mãe queria curá-lo como se fosse uma doença, e aí voltamos a todo o preconceito e falta de informação que acometia os Estados Unidos na década de setenta, como em Milk. 

Eu não posso deixar que ninguém saiba que eu não sou hétero. Isso seria tão humilhante. Meus amigos iriam me odiar, com certeza. Eles poderiam até me bater. Na minha família, já ouvi várias vezes eles falando que odeiam os gays, que Deus odeia os gays também. Isso realmente me apavora quando escuto minha família falando desse jeito, porque eles estão realmente falando de mim. Às vezes eu gostaria de desaparecer da face da terra”.


Depois que Bobby morre, o tormento maior de Mary começa, claro. Se a homossexualidade é um pecado, então um garoto tão bom quanto Bobby vai direto para o inferno? O meu filho que nunca fez mal a ninguém está no inferno? Existem interpretações diferentes do que está escrito na Bíblia, que supostamente teria a confirmação do pecado mortal?

Não vou entrar na questão da religião aqui, mas é exatamente isso que ela começa a questionar. E começa a buscar informações e, finalmente, outros pontos de vista. Tarde demais? Sim.

Mas vamos ao que podemos tirar de bom: Mary Griffith se tornou uma grande ativista do PFLAG (Parents, Families and Friends of Lesbians and Gays). Hoje ela tem 74 anos e continua lutando pelos direitos dos homossexuais.


Foi tarde demais para o Bobby, mas ela mudou para ajudar outras pessoas que teriam uma história igual a dele.


(sim, haverá a Parte III. Tenham fé.)