sábado, 25 de abril de 2009

A vida é algo duro, que nos aperta muito e perpetuamente nos faz mal a alma

Passei uns três meses escrevendo uma carta pra Rebeca, amiga minha que mora nos States, lembram? (óbvio que não xD) Enfim... eu tive um surto de inspiração, finalmente terminei minha singela cartinha de dez páginas e enviei.

Só que enquanto estava escrevendo eu reparei numa coisa... Já faz alguns anos que só tenho amigos homens. Não é que isso seja ruim, mas às vezes você sente falta de uma amiga. Não que eu não tenha amigas agora, mas não tenho com elas a intimidade que tinha com outras que agora já estão beeem longe de mim – geograficamente falando.

Sabe, às vezes a gente sente falta de dizer “Vou ao banheiro” e receber como resposta um “Vamos” ao invés “Tá bom, eu espero. Mas não demora”.

Mas que se há de fazer...

Ah, lembrando que o aniversário de um ano do .status quo. é no dia 11 de maio. Tá pertinho e, confesso, não tenho muita idéia do que fazer. Nós tínhamos até alguns planos, mas to achando que não vai rolar =/ De qualquer forma, veremos...

Selo novo, indicado pela Kell:



Indico para Jellyfish, Sophie, Irracionalidade Racional, A máquina de escrever, Happy XD, Retilíneo, .das minhas convicções., O fantástico fusca verde, O guia gay, O amor não tem sexo e o novíssimo Oh My Girls! (não esqueçam que estou lá nas noites de terça).

Uma coisa importante: eu não tenho tido tempo pra passar no blog de todo mundo, espero que isso mude quando essa temporada de provas, seminários e derivados terminar =/

Sem mais tentativas de ser criativa, eis o capítulo onze de Pra não dizer que não falei de flores:



Capítulo 11 – Sequestro


Era a primeira vez que eu me sentia tão nervoso na véspera de um aniversário. Ao mesmo tempo em que ficava pensando no que Walter seria doido de fazer, eu também pensava que se focasse demais nisso ia acabar ficando decepcionado se ele não fizesse nada demais.
Com esses pensamentos angustiantes na cabeça, cheguei em casa na quarta-feira à noite completamente distraído. Mas antes de subir as escadas pro meu quarto, percebi que minha mãe estava falando na cozinha. Dei meia volta e fui até lá pra ver se era comigo. Ela estava no telefone.

- ...mas vocês tem certeza de que é tudo certinho lá? – ela dizia, sem perceber minha presença. Eu teria voltado ao meu caminho para o quarto, se não fosse a próxima frase. – Não, é claro que ele vai gostar!

Opa! Alarme de aniversário gritando!

- ... eu só quero mesmo saber se... Ah, Rodrigo, você tá aí! – ela se assustou, percebendo minha presença, e parecendo que fazia questão que a pessoa no outro lado da linha também percebesse e ficasse quieta. – Até lá então. Ah, de nada, querido. – e desligou rapidamente, com um sorriso amarelo. – E então, como foi a faculdade?

- Normal. Com quem você tava falando? – perguntei casualmente, lavando as mãos na pia e pegando um copo pra beber água.

- Ah... era um amigo do seu pai; ele estava me perguntando sobre uns hotéis. Não fica andando com essa mochila nas costas, tá batendo nas coisas! – ela falou, feliz por ter algo pra reclamar e me fazer esquecer o assunto.

- Hm... – resmunguei, bebendo minha água. Minha mãe não sabia mentir, mas resolvi dar um desconto e fingir que acreditava. Talvez ela estivesse combinando alguma coisa com parentes distantes que eu não via há dez anos.

- x -

Acordei terrivelmente cedo na manhã de quinta-feira. Ainda tentei dormir mais um pouco, mas não deu. Resolvi descer logo e tomar café, pra depois esperar as torturantes horas até que pudesse ver o Walter na faculdade, à tarde. Queria apenas poder beijá-lo e ficar conversando besteira num lugar confortável e discreto, onde não precisássemos nos preocupar com discrição e horário.
Na cozinha, meus pais já tomavam café. Depois dos abraços, beijos e parabéns de costume, me sentei à mesa também. Quase imediatamente após eu terminar meu café e levar a xícara pra pia, ouvi a campainha tocar. Bufei, achando que só poderia ser uma tia chata qualquer que estivesse de passagem pela cidade. Sabe-se lá porque, minha mãe riu e foi atender, nem parecendo se importar com o fato de ainda serem sete horas de manhã.
Mas então ouvi a voz dele no hall. O que Walter estaria fazendo na minha casa tão cedo assim? Meu queixo caiu ao constatar que ele estava realmente lá e não era uma alucinação, e antes mesmo que eu tivesse tempo de registrar mais alguma coisa na cabeça, Walter me puxou para um abraço absurdamente apertado, me dizendo “feliz aniversário”.

- O que você tá fazendo aqui uma hora dessas? – perguntei quando fui solto, registrando vagamente que ainda estava de pijama, e não conseguindo evitar um sorriso nervoso - Você não devia estar no estágio, seu doido?

- Tô de folga, oras! Também não sou escravo, não. Agora veste uma roupa, arruma a mochila que a gente tem que ir.

- A gente quem? Ir pra onde?

Foi aí que percebi que lá fora estava estacionado o carro vermelho da mãe dele, e que dentro havia umas quatro pessoas espremidas no banco de trás. Não dava pra distinguir quem eram, mas quando me viram na porta começaram a gritar “Parabéns, Rodrigooo” bem alto e a fazer bagunça no carro. Assustado, saí de vista pra que não acordassem a rua toda.

- Quem...? – comecei, mas Walter não me deixou terminar a pergunta. Ele me pegou pela mão e me puxou escada acima. Meus pais, convenientemente, se refugiaram na cozinha.

- Vamos logo, eu te ajudo.

Quando chegamos ao meu quarto, tranquei a porta e me virei para ele, que estava vermelho e ofegante da corrida até lá.

- Agora me explica que doideira é essa. Quem são aquelas pessoas no carro?

- São figurantes.

- São o quê?

- Figurantes, Rô! Olha, vou explicar... Eu liguei pra tua mãe...

- Ah, já vi tudo!

- Deixa eu terminar. Liguei e convenci ela a te deixar passar o dia com uns amigos da faculdade – inclusive eu, claro – num lugar.

- Que lugar?

- Espera! Aí depois de muito insistir, ela deixou e eu arranjei esse povo todo pra realmente parecer que nós somos um grupo. Olha lá, tem até mulher no carro, pra dar um toque de realismo. – ele apontou, afastando a cortina da minha janela pra que eu visse.

- Onde você arranjou essa gente? – perguntei, começando a rir.

- É o meu carisma contagiante. Agora você arruma uma mochila com algumas roupas, escova, pente, essas coisas básicas pra passar um dia fora. Aí a gente entra no carro, eu deixo o pessoal na faculdade, agradeço com um lindo sorriso a ajuda deles, e a gente parte pro paraíso juntos e felizes. Que tal?

Continuei rindo, nervoso. Que plano maluco! Ainda meio fora da minha consciência normal, abri o guarda-roupa e comecei a pegar algumas coisas e jogar na cama.

- Hoje é quinta, Walter. Tem aula e tudo o mais... Pra onde a gente vai?

- Não se preocupe com nada. E uma falta só não mata. Ei, essa camisa não, é muito quente. – ele reclamou, devolvendo a gola pólo que eu tinha pegado pro guarda-roupa.

- E pra onde a gente vai? – voltei a insistir. A cara dele me deu a certeza de que eu não teria a resposta tão cedo. – Como você convenceu a minha mãe?

- Já disse, tenho um carisma contagiante.

- Tá, sei...

Peguei umas roupas e entrei no banheiro pra me vestir, enquanto Walter ajudava a dobrar as que eu tinha jogado na cama. Aproveitando que ele não podia me ver, passei um bom tempo me olhando no espelho, conferindo se estava apresentável e, bom... bonito pro meu namorado.

- Rô, sai daí! Ainda tem muita estrada pela frente, anda!

- Estrada? – perguntei, saindo do banheiro e voltando a arrumar a mochila com as coisas que eu provavelmente precisaria pra essa viagem misteriosa. – A gente vai voltar hoje mesmo?

- No mais tardar, amanhã bem cedo.

- Amanhã? – exclamei, me arrepiando ante a perspectiva de passar uma noite inteira com ele. Virei a cara pra mochila, pra que Walter não visse meu insistente sorriso idiota.

Em cinco minutos nós descemos, nos despedimos dos meus pais sob vinte milhões de recomendações de cuidado e juízo e entramos no carro entupido de gente. Eu achava que já tinha visto aquelas pessoas de relance na faculdade, mas nunca tinha falado com ninguém. Sentado no banco da frente, evitei notar que havia mais alguém naquele carro além de mim e Walter, que dirigia na maior animação.
Chegamos na faculdade e os “figurantes” foram despejados lá. Walter e eu agradecemos a ajuda e seguimos o nosso caminho.

- Você contou sobre a gente pra esse pessoal?

- Não. Disse que precisava de uma ajudinha, porque nós tínhamos que ir pra esse lugar e encontrar outro pessoal e que seus pais não iam deixar se soubessem e etc.

- Hm... Odeio quando você diz “esse lugar”. Quero saber pra onde você tá me seqüestrando!

- Relaxa, Rô. Você vai adorar.

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Até mais...

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Escrevo para não esquecer

Ter muita coisa pra fazer é bom porque te faz se sentir útil, e é ruim porque... Porque é ruim, oras. Eu adoraria ter mais tempo pra escrever, faz séculos que não escrevo mais que uma frase nova no Will, e os capítulos de Flores estão saindo numa velocidade mortalmente lenta... Dessa, na verdade, tenho mais alguns capítulos prontos (não se preocupe, Nay! xD), mas queria ter mais. Queria não ter que acordar tão cedo, não ter tantos trabalhos pra fazer, não ter um seminário pra apresentar em plena manhã de sábado...


E no meio dessa rotina alucinante, meu rim resolve se revoltar e me matar de dor, mas tudo bem... Eu supero. Podia estar na minha caminha, ouvindo The Kinks e DeVocthKa até enjoar, como um atestado de uma semana como álibi, mas tudo bem... Eu supero.


Enfim... há exatamente um mês atrás eu resolvi que escrever cartas pra mim mesma poderia ser uma boa idéia. Tá, eu sei que é um negócio meio estranho, mas também não tava muito afim de ficar conversando em voz alta comigo, então achei melhor escrever.


Eu não lembro quem disse essa frase “Escrevo para não esquecer”, mas seja lá quem for, estava certíssimo. Estou escrevendo para mim mesma coisas que não quero esquecer. Sei lá, eu acho bom fazer isso... Vai ver é terapia xD


Bom, vamos parar de tagarelar e ir pro que interessa... Vou postar o capítulo dez de Flores. Até o quinze tá tudo pronto, então ainda tem uma boa reserva... Enquanto isso, vou tentando continuar o Will pra postar também.


Esse capítulo dez, o onze e o doze, na verdade eram um só, escrito num momento raro de extrema inspiração (xD), mas como ficou muito grande eu resolvi dividir. Aos novos visitantes do .status quo. eu explico umas coisinhas sobre Flores e Ontens. Os veteranos podem pular essa parte xD


Pra não dizer que não falei de flores e Todos aqueles ontens são histórias que eu já escrevo há algum tempo e divulgo aqui no blog, publicando os capítulos. Eu costumo me referir a “Ontens” apenas por Will, que é o nome do personagem principal.


Pois bem... O Will é um projeto antiqüíssimo, tem uns quatro anos, e eu realmente pretendo que ele se torne um livro. Posto com menos freqüência porque os capítulos são beeem maiores que os de Flores, e por isso têm que ser divididos em pequenos pedaços xD


Flores, no entanto, eu comecei só pra me distrair e pra aliviar a tensão do Will, sem maiores pretensões. Mas como o pessoal tava gostando eu me empolguei e me dediquei mais à história. Como os capítulos são bem curtinhos, acredito que ainda vá durar bastante tempo xD


Acho que já deu pra perceber que alguns dos capítulos de Flores praticamente só têm diálogos. Eu não costumo fazer isso no Will, nem em contos, mas, sei lá, o Walter e o Rodrigo precisam desses diálogos longos, sabe? A atmosfera da história é diferente o_O



De qualquer forma, se quiser ler desde o começo ou algum capítulo em especial, tem um índice aqui na barra lateral. Be happy o/


Enfim, é isso... Antes do capítulo, um trechinho de O apanhador no campo de centeio, de J. D. Salinger, que terminei de ler nessa segunda. Falei um pouquinho dele no Oh! My Girls e falarei também no Etc, que ainda vai estrear... [surprise! xD]



"- Esta queda para a qual você está caminhando é um tipo especial de queda, um tipo horrível. O homem que cai não consegue nem mesmo ouvir ou sentir o baque do seu corpo no fundo. Apenas cai e cai. A coisa toda se aplica aos homens que, num momento ou outro de suas vidas, procuram alguma coisa que seu próprio meio não lhes podia proporcionar. Ou que pensavam que seu próprio meio não lhes poderia proporcionar. Por isso, abandonam a busca. Abandonam a busca antes mesmo de começá-la de verdade. "


Ok, chega de enrolação:


Capítulo 10 – Pré-aniversário


Era novembro e faltava uma semana para o meu aniversário. Walter me perturbava todos os dias me perguntando o que eu queria ganhar, mesmo que eu já tivesse respondido vinte vezes. Eu estava ansioso pelo recesso de Natal e Ano Novo, pois o ritmo na faculdade estava começando a aumentar, mas ainda estava longe... Um pouco de descanso seria ótimo. No momento, estávamos tentando relaxar debaixo de uma árvore do campus. Eu adorava ficar debaixo de árvores.


- Rô...


- Se você perguntar de novo o que eu quero ganhar, eu não respondo por mim!


- Ei, calma! Não era isso, não. – ele respondeu, rindo.



- Hm... Que bom.


- Escuta, porque a gente não sai nesse fim de semana?


- Pra onde? – perguntei, apreensivo.


- Pra qualquer lugar, oras. Um barzinho, um cinema, sei lá. Preciso descobrir do que você realmente gosta.


Concordei, tentando segurar meu sorriso bobo. Walter era fofo mesmo quando não queria. Eu queria ficar mais perto dele, mas não parava de passar gente de todos os lugares. A maioria se dirigindo ao R.U. Com uma pontada de desgosto, vi Lucas passando também. Pro meu alívio, ele não nos viu ali. Mas Walter viu.


- Ele nunca mais falou com você? – ele perguntou.


- Não. – respondi, adorando o tom de ciúmes da sua voz.


- Hm... Que bom.


O assunto morreu aí. Nos levantamos, morrendo de preguiça, para abastecer nossos estômagos famintos. Walter estava com uma cara de poucos amigos que não me agradou nem um pouco. Discretamente, segurei sua mão.


- Não precisa ficar assim.



Ele não respondeu. Continuamos andando, e nossas mãos se soltaram naturalmente. O R.U., como sempre, estava lotado de estudantes e do barulho que eles faziam. Eu odiava, mas era o lugar mais próximo e mais barato que tínhamos para comer.


- O que vai querer fazer no seu... – ele começou quando entramos na fila.


- Nem termine essa frase!


- Você disse pra eu não perguntar o que queria ganhar; eu tô perguntando o que você quer fazer, é diferente!


- Ah... Bom, eu não sei.


- Pois vai pensando aí, quero uma resposta concreta até terça.


- Você não tá se achando muito mandão, não? – reclamei, lhe dando um tapa nas costas.


Walter se virou e me lançou um olhar que derreteria todas as sorveterias da região. Ele parecia dizer “é-mas-você-adora”. Tudo bem, eu adorava mesmo.


- x -


Na noite de sábado Walter foi me pegar em casa pra gente sair. Meus pais estavam felizes por eu estar, finalmente, tendo “amizades saudáveis” e não ficar mais entocado em casa. Mas também, Walter era naturalmente cativante, não tinha como não gostarem dele.


- Minha irmã tá usando o carro, a gente vai ter que ir de ônibus mesmo. – ele explicou, enquanto caminhávamos até a parada.


- Tudo bem. E pra onde a gente tá indo, exatamente?


- Bom, pensei no básico: cinema-pizza-boate.


- Walter, olha pra minha cara e diz se eu pareço querer ir a uma boate.


- Eu sabia que você ia dizer isso... Tá, corta a boate. Mudando de assunto – ele começou algum tempo depois, quando chegamos à parada de ônibus. – Elas vão embora semana que vem.


- Sua mãe e sua irmã?


- É. Viu só como é um complô: as duas vão na mesma semana!


- Deixa de ser dramático.


Nesse momento o nosso ônibus chegou. Fomos a um shopping ali perto mesmo, e ele tentou me fazer sentar lá nas últimas fileiras da sala de cinema, mas consegui arrastá-lo até as cadeiras centrais.


- Aqui dá pra ver melhor.


- Hm... Sei. – ele falou, contrariado.


Ainda assim conseguiu me roubar alguns beijos assustados. No fim das contas, mal entendi o filme e saímos da sala com uma cara de “fiz-algo-constrangedor-mas-não-quero-que-niguém-perceba” que metade do shopping deve ter notado. Até porque ele não parava de rir.


- Cara, se controla. – reclamei, começando a rir também.


Por fim fomos a uma pizzaria perto dali, porque ninguém merece uma praça de alimentação cheia de crianças gritando, funcionários ansiosos tentando lhe fazer engolir cardápios e música ao vivo deplorável.


Walter estava sendo um amor. Fiquei imaginando o que ele faria no meu aniversário, já que aquela noite estava sendo ótima. Como que lendo meus pensamentos, ele disse depois de pedir a pizza de atum:


- E aí, já pensou no aniversário?


- Você disse que eu podia responder até terça. Não me pressione.


- Tá bom...


Olhei pros lados, contemplando a decoração do lugar, que era muito aconchegante. Havia uma lareira acesa a um canto, a iluminação era amarelada e as mesas distantes umas das outras garantiam uma certa privacidade aos seus ocupantes.


Quando saímos de lá a noite estava fria, e a idéia de ainda ter que pegar um ônibus provavelmente lotado não era nem um pouco animadora. Walter passou um braço pelos meus ombros, me trazendo mais pra perto de si. Assim estava melhor.


- Eu gostei da noite. – ele comentou.


- Eu também.


Continuamos andando, sem falar mais nada. O ônibus estava um tanto lotado mesmo, mas conseguimos ir sentados. Chegando ao ponto da minha casa, me despedi de Walter e desci, num estado de quase sonho.


- x -


Terça-feira. Eu não tinha pra onde correr.


- E então? – ele perguntou, sério.


- Ah... Escolhe.


- Hã?


- Escolhe.


- Você faz suspense por dias e dias só pra me dizer pra escolher um lugar?


- Ah, Walter! Você sabe escolher melhor do que eu. Eu pensei, mas não consigo decidir nada que já não tenhamos feito.


- Hm, então você quer algo que ainda não tenhamos feito... – ele pescou, adquirindo um ar pensativo.


- Ei... calma aí.


- Qual é, Rô... não vou te atacar, não.


Baixei a cabeça pro meu caderno, corando. Será que ele não podia ser menos direto?


- Bom, pense aí. Você ainda tem dois dias.


- Ah, legal. Agora sou eu que tenho prazos.


- É, sim. E vê se escolhe algo bom.


- A-haaa... Quem é o mandão aqui? Hein, hein, quem é? – ele começou, me fazendo cócegas.


- Ai! Pára, seu chato!


Acabei desabando em cima dele. A sorte era que estávamos no seu quarto, e não na faculdade, na frente de todo mundo. Depois de alguns beijos me levantei rapidamente, sendo acompanhado pelo olhar de Walter. Seria desejo o que tinha nos seus olhos?


- Hã... Quando sua mãe vai embora? – perguntei, desviando o olhar. Ele riu. – Que foi?


- Você fica lindo quando tenta mudar de assunto assim.


Passamos alguns segundos num silêncio estranho. Era a primeira vez que ele me dizia algo assim. Era uma sensação boa, apesar de um pouco constrangedora.


- Ela vai na sexta. A Márcia vai no domingo. – ele emendou, para desfazer o silêncio.


Márcia era a irmã dele. Eu a tinha umas duas vezes, de relance. Eles tinham em comum o cabelo meio cacheado, mas ela tinha um arzinho irritante que preferi não comentar com Walter.


- Vem pra cá na segunda.


- Tá. Eu já vou agora, tá ficando tarde.


- Ok.


Nos despedimos com um beijo caloroso que não podíamos aproveitar em nenhum outro lugar. Com alguma dificuldade, saí dos braços dele e fui embora.



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C'est fini [por enquanto]


Até mais!


P.S.: Me rendi ao Twitter ¬¬

terça-feira, 7 de abril de 2009

Can I sleep in your arms tonight, sister?

--- POST EDITADO NO DIA 08/04 ---


Geeente, eu sabia que tava esquecendo de alguma coisa! O selo que a GueGue indicou!! xD Aí está ele:



Regras:


.escrever 7 segredinhos de beleza seus;

.convidar 7 parceiros(as) de blogs amigos para responder;

.comentar no blog de quem nos convidou;

.comentar no blog dos nossos(as) convidados(as), para que saibam da "convocação”;

.linkar o blog que te convidou, no seu blog (no post em que você responder as perguntinhas) e mencionar as regras.


Bom, eu vou indicar para todas as leitoras, ok? É só chegar e ir levando xD


E os “segredinhos”... eu não diria de beleza, mas sim uns pequenos caprichos para se tornar apresentável:


1 – Batom sempre, principalmente porque tem dias que pareço um zumbi se não pôr alguma cor no rosto ><

2 – Lápis de olho sempre. Não vivo sem. *abraça o lápis* Há alguns séculos atrás, morria de medo de passar, achando que ia furar o olho, sabe? xD Mas tudo bem, agora eu tenho coordenação motora suficiente :P

3 – Elogios! xD Como disse a Sophie, pra estar bonita a gente tem que se sentir bem, e nada melhor do que um elogio pra isso!

4 – Esmalte. Minhas unhas não vivem sem esmalte, de preferência escuro. Eu amo minhas unhas *-*

5 – Fivelas. Meu cabelo não vive sem fivelas. Nada chamativo, aquelas pretas mesmo, pra não virar um arbusto no ônibus lotado.

6 – All Star. Amo meu All Star vermelho-desbotado *-*

7 – Colares enormes. Adooooro *-*


Prontinho ^^


Agora, o post original:


Hoje tive minha primeira aula de handebol (qual é o jeito certo de escrever, afinal? o_O) e foi traumatizante... Quero dizer, tirando o fato de que levei uma bolada no olho, quase quebrei meus dedos e unhas, desloquei todos os músculos e ossos da parte superior do corpo e fiquei desidratada, tá tudo bem. Dá pra fazer isso por um semestre. Talvez eu até sobreviva e me torne uma nerd atleta.


Aliás, hoje também estreou o Oh My Girls!, e eu acabei de postar lá, neste exato segundo (tá, não exatamente nesse segundo, mas deu pra entender xD) :D Sejam bons meninos e passem por lá também! xD Tem um monte de gente participando, ou seja, vai ter de tudo!


Ah, sei lá, tô tão sem assunto... Acredito que até maio – que é quando o .status quo. fará um aninho de vida – eu terei trocado esse layout... Bom, não vai ser exatamente uma troca, mas sim um “remanejamento” nas colunas para que as coisas fiquem mais organizadas e, claro, um novo banner.


Aliás... o blog faz aniversário no dia 11 de maio, ou seja, temos mais ou menos um mês até lá. Apesar da falta de tempo e tudo o mais, é uma data que merece algo especial, né? Estou aberta à ideias (tããão estranho escrever sem acento!).


Bom, eu desenhei mais algumas coisas esses dias, mas realmente to com uma preguiça mortal de abrir o Photoshop e limpar o desenho. Eu digo “limpar” porque quando ele é escaneado aparecem todas as imperfeições e rabiscos anteriores do grafite, e pra ficar tudo bonitinho é preciso consertar e apagar essas coisinhas, para restarem somente as linhas que realmente interessam e não os borrões. Aliás, esses borrões acontecem, eu acho, porque uso um grafite muito macio =/


Mas, como hoje eu tô revoltada e sem criatividade mesmo, aí está o desenho não finalizado:

Pois é... Esse também veio de um anúncio de perfume, mas tô com preguiça de procurar o original no Google... Já perceberam que tô com preguiça de tudo hoje? o_O


Bom, vamos deixar de besteira... Eu até postaria a continuação do capítulo dois do Will (Todos aqueles ontens), mas ainda tá curtinho, então deixa pra outro dia...


Enquanto ele não sai, aqui vai o capítulo nove de Flores:



Capítulo 9 – Resolvido?


A boca de Walter era quente e experiente. Parecia até que eu nunca havia beijado de verdade até aquele momento. Nosso infinito particular durou até o toque do sinal para a primeira aula. Nos separamos, um tanto ofegantes. Eu sentia meu rosto queimar, e ele se afastou um pouco.


Começamos a andar, lado a lado e no mais completo silêncio. Chegamos na sala, colocamos nossas mochilas nos lugares de sempre e sentamos. Por umas duas vezes ele aidna me olhou e abriu a boca para falar, mas não disse nada. Nem lembro mais do que foi aquela aula; só sei que quando terminou suspirei longamente e olhei para ele, que estava com a cabeça abaixada para o caderno.


- Walter... – chamei, observando as pessoas saírem da sala, tagarelando e se alongando pelas horas passadas na cadeira.


- Oi.


Ele estava mais vermelho do eu jamais o havia visto. Não pude evitar um sorriso.


- Ah, não! Não comece a rir de novo! – ele reclamou, revoltado.


- Eu não vou rir, ok? Mas eu acho que...


- Que o quê?


- Bom... A gente precisa conversar, não precisa? – falei, um pouco hesitante.


- Quer que eu te peça desculpas por ter te beijado?


- Shh! Não fala isso alto! – reclamei, dando um tapa no seu braço. Ele riu.


- Calma. Não tem ninguém aqui.


- Ok... E não, não precisa me pedir desculpas. – acrescentei, baixinho.


- Isso significa que não foi ruim? – ele perguntou, esperançoso.


- Claro que não. – eu disse, tentando controlar meu entusiasmo depois. – Eu não te entendo. Você disse que... Disse que me queria.


- E eu quero! – ele confirmou, ficando vermelho de novo.


- Então pronto! Não fique fugindo ou achando tudo difícil! Eu estou aqui e pronto.


Walter olhou para mim um tanto assustado, mas depois sorriu. Estávamos constrangidos e sem saber como dar o próximo passo, como dois adolescentes apaixonados, bobos e inseguros. Bem... E éramos mesmo.


- x -


Como cada qual era mais travado do que o outro, o início da nossa “relação” foi meio difícil, e se resumia basicamente em alguns beijos roubados em lugares discretos, onde ninguém pudesse nos ver. No mais, ainda éramos apenas amigos. Isso era estranho pra mim, mas não atrevia a tentar mudar nada. Achava que talvez as coisas corressem naturalmente. Mas um dia não agüentei e tive que perguntar algo a Walter.


- Você já ficou com algum cara antes?


Estávamos na casa dele, e eu me sentia um tanto inseguro. Uma coisa é ficar sozinho com um amigo, e outra é ficar sozinho com um cara que te beijava de vez em quando. E, pior, no quarto dele.


Quando fiz a pergunta, Walter levantou os olhos do caderno onde escrevia algumas coisas e pensou um pouco.


- Bom... Algumas vezes, mas nada demais.


- E o que você considera como “nada demais”?


- Ah, cara, foram só alguns beijos em festas, quando eu estava bêbado o suficiente para não saber quem estava me agarrando. – ele explicou, voltando os olhos pro caderno, mas sem concentração alguma.


- Hm... Ok.


Pensei um pouco naquilo. Talvez por nunca ter estado realmente com um rapaz nem ele soubesse como conduzir a nossa estranha situação. Não pude resistir e o chamei de novo.


- Walter...


- Oi. – ele respondeu, parecendo temer minha próxima pergunta.


- Eu não estou gostando disso.


- Disso o quê, Rô?


- Dessa situação que a gente tá.


- Que situação?


- Tá vendo! É disso que eu to falando! Nós nem sequer temos uma situação.


Ele suspirou e fechou o caderno, pensativo.


- Eu sei.


- Eu acho que, sei lá, a gente devia tornar isso uma coisa mais concreta. É tão desconfortável estar aqui com você e nem ao menos saber se nós somos apenas amigos ou algo mais.


- Você sabe que a resposta é “algo mais”.


- Tá, eu sei, mas... – desisti, sem saber como explicar meu desconforto. Walter se levantou da cadeira onde estava e sentou ao meu lado na cama.


- Eu não sei exatamente como fazer isso, Rô. Se você fosse uma garota, eu até saberia, mas... Você não é. E eu não sei o que fazer.


- Talvez a gente esteja pensando demais no que fazer.


Walter apenas levantou as sobrancelhas, como quem diz “é, você tem razão”. Ficamos nos olhando por algum tempo, até que ele me beijou. Fui um pouco mais atrevido dessa vez e passei os braços pelo seu pescoço, o trazendo mais pra perto. Ele deve ter gostado, pois aprofundou o beijo, que pareceu, mais uma vez, durar uma eternidade.


- Amigos não fazem isso. – ele comentou, quase colado à minha boca.


- E o que nós somos, então?


Se afastando, Walter olhou para os próprios pés por alguns segundos. Passou a mão nos cabelos (como eu adorava aquilo!) e me olhou bem nos olhos.


- Olha... Eu não sei exatamente como vai ser isso, mas... Você quer ser meu namorado?


Meu coração falhou umas duas batidas. Quando eu lia essa frase nos livros ficava imaginando como pode acontecer uma coisa dessas, e nesse momento fiquei sabendo. Era como se, por uns dois segundos, meu coração tivesse parado, sido arrancado, chacoalhado, e colocado de volta no lugar.


- Eu... é claro que eu quero. – respondi, tremendo e tentando olhar para ele sem parecer uma garotinha de quinze anos.


Walter sorriu e voltou a me beijar. Eu adorava quando ele fazia isso, adorava sentir o perfume dele, adorava mexer no seu cabelo. Adorava tudo. Ele era naturalmente quente, e eu tinha a impressão de que me incendiava toda vez que chegava mais perto. Mas, movido por um acesso de juízo vindo sabe-se lá de onde, interrompi o beijo quando percebi que estávamos quase deitados. Walter não ficou nem um pouco feliz com isso, mas me afastei e fui pra cadeira onde ele estava sentado.


- Comporte-se.



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Agora vocês já sabem, né? É comentar e me fazer feliz!! xD


Até mais...