sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Se a gente já não sabe mais rir um do outro, meu bem, então o que resta é chorar...

(Música do título: O vento - Los Hermanos)

Olha aí, parece que estamos voltando ao ritmo normal de postagem :D

Na verdade, eu ia postar só amanhã, mas não vai dar, então achei melhor adiantar do que atrasar.

Vamos mudar um pouco as coisas por aqui neste post... Hoje só os novos selos e o que me der na telha de escrever... Capítulos pra depois =P

Esse foi indicado pela Thays Lima:



É o Troféu do Amigo!
Criado no intuito de conhecer novas pessoas e enaltecer grandes amizades via blogosfera!
Esse é o Troféu do Amigo!
Esses blogs são extremamente charmosos.
Esses blogueiros têm o objetivo de se achar e serem amigos.
Eles não estão interessados em se auto promover.
Nossa esperança é que quando os laços desse troféu são cortados
ainda mais amizades sejam propagadas.
Entregue esse troféu para oito blogueiros(as) que devem escolher oito
outros oito blogueiros(as) e incluir esse texto junto com seu troféu.

Eu costumo seguir fielmente as regras dos selos, mas hoje não tô afim de escolher pessoas... Afinal, nesta amada blogosfera são muitos os que eu considero amigos, e não apenas oito. Sendo assim, este selo vai pra todo mundo que está na lista de blogs aqui na barra lateral. Sintam-se indicados!

Este outro é o Seu blog é muito Top! Indicado pela Bell Bastos do Retilíneo.

Regras:

- Indicar quem te mandou
- Responder a pergunta: por que seu blog é top
- Indicar 7 blogs pra receberem o selinho
- Constar as regras

Bom, o nosso (meu e do Rôh) blog é top porque, pra início de conversa, nós somos demais xD Ok, falando sério... O .status quo. é Top porque nós temos um compromisso com esse blog. Ao mesmo tempo em que escrevemos o que queremos, o .status quo. também está aqui por vocês, que nos lêem e nos incentivam a continuar e também para nos manter cada vez mais unidos, apesar das tantas (!) diferenças. *enxuga as lágrimas*

Hoje tô revoltada com regras... Mais uma vez, esse selo é pra todos! Sintam-se indicados xD

Ok, passados os selinhos e declarações de amor ao blog... Mais uma vez estou com uma vontade louca de escrever sobre... o ato de escrever xD Vou acabar escrevendo um livro sobre isso... Ei, não é má idéia!

Enfim... Minha história Pra não dizer que não falei de flores (Flores, pros íntimos xD) está recebendo comentários realmente construtivos no Nyah! Fanfiction, que é o site onde publico minhas histórias. Todo mundo que escreve deve saber como é maravilhoso receber um retorno positivo do seu trabalho. Eu não sou paga pra escrever, ou seja, não tenho nenhuma obrigação de atualizar minhas histórias em determinado período de tempo e coisa e tal... A minha única recompensa por escrever são os comentários que recebo. É pelas pessoas que lêem (e gostam do que lêem) que eu atualizo freqüentemente e também é por causa delas e dos bons comentários que eu me sinto motivada a continuar escrevendo e manter a qualidade do que faço.

Foi por essas e outras que nessas férias eu “me apeguei” muito a Flores. Como eu já disse umas milhares de vezes aqui, comecei a escrevê-la pura e simplesmente para aliviar a tensão do Will (Todos Aqueles Ontens) que estava me consumindo muito. Eu não tinha nenhuma preocupação em revisar os capítulos de Flores e pensava muito pouco no rumo que trama tomaria. Era realmente algo pra passar o tempo. Mas, como não podia deixar de ser, ela ganhou vida e eu não consegui fugir do fato de que todas as minhas histórias acabam tendo um pouco de mim nos seus personagens.

É aí que entra o que eu queria escrever hoje... O ato de escrever em primeira pessoa. Conheço algumas pessoas que têm muita dificuldade nisso. E outras que não têm problema em escrever tanto em primeira quanto em terceira. E, claro, as que, como eu, preferem escrever em primeira pessoa. Bom, depende de cada trama... Se a história tem muitos personagens e vários pontos de vista, é melhor que a narração seja feita em terceira pessoa. Mas para as que, como as minhas, se focam basicamente em uma ou duas pessoas, a melhor opção é a primeira.

Eu não escrevo bem em terceira. Posso até fazer isso (como no Prólogo de Ontens), mas vai sair com muito mais esforço do que se fosse em primeira pessoa. Quando a narração vem de um personagem, geralmente o protagonista ou um deles, é impossível pra mim não me envolver profundamente na história. Sentir o que o personagem sente, essa é a questão.

Quando escrevo em primeira pessoa (ou seja, sempre), procuro descrever fielmente o que o personagem está sentindo ou vivenciando no momento. Meus personagens sentem mais do que agem. Eu tenho que saber o que ele está sentindo o tempo todo, e isso é desgastante.
Mas não é ruim. Em primeira pessoa as coisas simplesmente... fluem. Eu já disse aqui no .status quo. como sofro pra escrever, como demoro pra conseguir parar de revisar e achar que algo está bom. Mas eu amo escrever. Sim, como todo amor, este também é contraditório.

Ao mesmo tempo em que preciso me sentir na pele desses personagens, eles também acabam me trazendo uma espécie de escape. O Will foi o primeiro e sempre será o único (creio eu) que terá a incrível capacidade de me esgotar e me aliviar com a mesma intensidade xD Toda forma de escrita, pra mim, sempre é um alívio (contanto que não seja obrigação), mas direcionar esse alívio para determinado personagem e determinado momento é melhor ainda.

Will é, basicamente, a pessoa que eu gostaria de ser. Não no sentido de viver as coisas que ele vive (ou melhor, que eu o faço “viver”), mas o Will-essência, o Will despido de fatos, esse sim, é uma coleção de coisas que eu nunca fui ou nunca terei oportunidade de ser. Bom, pra início de conversa, ele é homem 8D Estranho, mas eu realmente não consigo escrever em primeira pessoa se o personagem for uma mulher. Simplesmente não sai. Um dia ainda consigo...

O Rodrigo de Flores é o escape pra um lado mais doce que eu não revelo nem sob tortura xD Todo mundo tem dois lados, um mais calmo e outro nem tanto, só um sempre pesa mais... Em Flores eu posso desenvolver esse lado mais tranqüilo que definitivamente não levo pra vida real u.u’

E, finalmente, há mais um... Essa semana eu decidi começar outra história, chamada The Greatest. Um dia desses, eu estava assistindo o filme Alta Fidelidade (que, aliás, nunca terminei de assistir xD) e aquela coisa de loja de discos, CDs e derivados me fascinou. No mesmo dia li uma crítica do filme Milk – A voz da igualdade (preciso assistir!) e lá dizia que o cara (o Milk do título) tinha uma loja de discos e tal... Poxa, duas vezes no mesmo dia! A idéia ficou na minha mente por alguns dias até que eu decidisse pôr a mão na massa.

Amo música, de todo o coração. E acho fascinantes as décadas de 60, 70 e 80. Pra mim é meio triste ver como o nosso modo de conseguir as músicas que queremos está deixando de ser “físico” e se tornando virtual. Se antes comprávamos CDs, hoje baixamos no Emule. Estamos passando por uma transição. A bandas disponibilizam algumas faixas no sites, outras podem ser compradas... Tudo virtual. Não é muito mais gratificante comprar um CD? Eu não estou dizendo que não ouço músicas na internet, nem que isso é completamente errado. O que estou dizendo é que devíamos equilibrar isso. Eu adoro a Internet, mas às vezes acho que estamos exagerando. Sim, isso entra em conflito com a minha área, que é justamente a Informática, mas eu tenho um certo medo do futuro da tecnologia. Mas isso é assunto pra outro post...

Enfim... Do meio da década de 80 para o início da década de 90 também houve uma transição. Os LPs - os velhos discos de vinil, tão bonitinhos *-* - começaram a se tornar obsoletos e as pessoas preferiam comprar CDs, que tinham acabado de surgir no mercado e eram a grande novidade do momento. Aqui em casa, o primeiro CD foi comprado em 1989.

Bom, resolvi que a história se passaria nesta época. E, claro, como ponto principal, uma loja de discos e música em geral (cassetes, revistas, CDs, etc). Pensei em situá-la no Brasil, mas depois pensei melhor e resolvi que seria, mais uma vez, em Londres. Porque? Bom, porque eu preciso de estações bem definidas (inverno e outono, principalmente), porque eu amo Londres e porque não consigo imaginar um lugar melhor para situar algo focado em música. O rock britânico é maravilhoso.

De tanto escrever Flores nestas férias, eu estava precisando de um personagem mais ácido do que o calmo Rodrigo. Precisava de algo pra descontar o meu senso de humor um tanto sarcástico (só um tanto?) que muitas vezes eu deixo só pra mim. E então surge o Joshua.

No início dos anos 90 também começava a surgir nas faculdades o curso de Engenharia da Computação. Perfeito. Música e Exatas.

É, eu sou das Exatas. Meio difícil de acreditar, até pra mim xD Apesar do meu imenso amor à arte, essa é a minha área. Então nada melhor pra aliviar isso também do que um estudante de exatas com sua grandessíssima queda pelas humanas, assim como eu.

Mas tudo bem... Depois de Engenharia eu faço Jornalismo e Belas Artes 8D *iludida*

Enfim, não postarei essa história aqui, senão ficaria a maior confusão. Mas a medida que eu for atualizando no Nyah! vou colocando os links pros capítulos no Índice (abaixo da lista de blogs). Pra quem quiser, primeiro capítulo aqui.

Ah, minhas aulas começarão nessa segunda-feira, finalmente!! *-* Depois conto como estão as coisas por lá...

Até mais... o/

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A volta dos que não foram...

Olá! Sempre digo que faz tempo que não posto, porque pra mim qualquer oportunidade de postar desperdiçada é muito, mas dessa vez eu me superei. Três posts seguidos de Moony; mas a culpa é minha, quero dizer... Acontece que as coisas aqui estão num ritmo sobre comum e incompreensível, inadaptável, por vezes. Sei lá.
Pouco a pouco tudo vai se resolvendo...
A meus caros amigos de fortaleza:
Mudei de bairro, estou morando no Benfica próximo ao CEFET e estudando no FB-Central.
*(Poly Jomasi, lembra o que nos prometemos pra esse ano? XD)
Ainda tem o fato de 3º ano ser um ano incomum, mas isso é assunto para os próximos posts, esse ano tem muito choro, muito desabafo... Não vou poder ser um frequentador assíduo do blog de todos, mas desde já agradeço quem comentar aqui.
---x---
Um conto muito interessante:
O Melro toma a decisão

Um velho Melro encontrou um miolo de pão e saiu voando com ele. Ao vê-lo os pássaros mais jovens correram para atacá-lo. Diante do combate iminente, o Melro largou o miolo de pão na boca de uma serpente, pensando consigo mesmo:
"... Quando se está velho, a gente ver a vida de outra maneira: perdi meu alimento, e verdade, mas posso encontrar outro miolo de pão amanhã. Entretanto, se insistisse em carregá-lo comigo eu iria deflagrar uma guerra no céu; o vencedor passaria a ser invejado, os outros se armariam para combatê-lo, o ódio encheria o coração dos pássaros, e tal situação podia durar por muito tempo. A sabedoria da velhice é essa:
SABER TROCAR AS VITÓRIAS IMEDIATAS, PELAS CONQUISTAS DURADOURAS."




Coleção Contos do Alquimista- Paulo Coelho
Xêro, Rôh~)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Je ne vais plus pleurer, je ne vais plus parler...

Olá...


Antes de qualquer coisa, quero dizer que sei que os meus posts são absurdamente enormes e que não é todo mundo que tem tempo (e saco) pra ler tudo xD Então, se você só ler a parte besteirol, ou só ler a parte de memes ou selos, ou só quiser ler a continuação das histórias, no problem. E se você quiser ler tudo, melhor ainda xD Este post, particularmente, vai ser grande mesmo, porque faz séculos que eu não piso aqui xD


Pra vocês verem como a Vida, o Universo e Tudo o Mais são irônicos, o Rôh não tá postando por estar ocupado demais (creio que ele volta a postar no próximo fim de semana) e eu por estar desocupada demais. Essas férias estão me matando... Odeio passar um mês inteiro boiando no tédio. Passei essa última semana sem nem chegar perto do .status quo., e nem de nenhum outro blog. Perdoem a ausência de mais de uma semana, mas eu tava precisando de uma folguinha das coisas que eu sempre faço. Parei até de (tentar) tocar violão, e olha que eu tava até avançando. Ao menos pra duas coisas essas férias estão servindo: pra que eu desenhe e escreva mais. Ontem de madrugada eu fiquei super feliz porque consegui desenhar o Will, depois de milhares de anos tentando. Mas minha felicidade não durou muito... A arte final ficou uma grandessíssima merda, não ficou nem parecida com o esboço original que eu não vou postar aqui por vergonha xD O mais próximo que eu já cheguei do Will que existe na minha mente insana foi este aqui, feito há uns dois anos:


Neste desenho ele tem lá os seus quinze anos, como no começo da história. Mas o que eu queria mesmo era desenhar o Will um pouco mais velho, que é completamente diferente deste rostinho ‘angelical’ xD Vou ver se daqui pra semana que vem eu melhoro meu rascunho estranho... Se quiser ver meus outros desenhos estranhos é só clicar aqui.


Mudando radicalmente de assunto... A maioria dos meus amigos (de fora do CEFET) estão agora no 3º ano ou na faculdade. Eu quase consigo sentir falta dessa “rotina” normal. Lembro agora como estudei horrores pra entrar no CEFET, e queria (é, eu sou doida xD) uma motivação dessas de novo. Acho que é a ansiedade pelo quarto semestre. Só começa em março, e eu estou quase tendo um ataque aqui. Sempre fui assim, é só ter a perspectiva de um novo período letivo que eu fico doidinha esperando xD


Ok, vamos aos memes...


Recebemos dois memes essa semana. Você deve estar se perguntando: porque o Rôh nunca responde os memes? Eu respondo: porque ele não quer xD Já tentei convencê-lo a ser mais sociável, mas não deu certo ><”

Certo, o primeiro foi da Lêda. É pra contar seis segredos. Vou tentar...


1. Já pensei em entrar pra Marinha e ser engenheira naval. Ainda bem que não levei isso adiante xD É disciplina demais, eu não suportaria.


2. Morro de medo da piscina do CEFET, mesmo sabendo nadar. É muito funda, e já sonhei várias vezes que me afogava nela o.O


3. A maioria das pessoas que falam comigo no MSN pela primeira vez e não me conhecem pessoalmente acha que sou homem o.O²


4. Já tive uma agenda da Capricho *olha pros lados e sai correndo* xD


5. Tenho medo de avião desde que comecei a assistir Lost xD


6. (Quase) todos os meus ex me odeiam não sei porque ¬¬ *cínica*


O outro meme foi a Sophie que indicou. Achei ele super interessante! Tenho que escrever nove coisas sobre mim, sendo que três serão mentiras. Quem receber este meme deverá postar na sua resposta as três mentiras do blogueiro, que depois vai revelar se elas acertaram ou não xD


Vamos lá:


1. Eu não gostava de mangá quando era pequena;

2. Gosto de country e blues;

3. Sou chorona;

4. Adoro Eletricidade;

5. Tenho medo de trovão;

6. Adoro bolacha de morango;

7. Já tive uma tartaruga;

8. Me rendi à tecnologia e só estou escrevendo no PC;

9. Já rasguei manuscritos do Will.


E os da Sophie que eu acho que são mentira:


2. Sonho em fazer Medicina.

4. Sonho conhecer Paris e o Vaticano.

7. Tirei agora minha carteira de motorista.


Eu indico os dois memes para Jellyfish, Onde nem o céu seja o limite, Je’ suis e Thays Lima ^^


A Mony indicou o selo Olha que blog maneiro! Eu já tinha recebido antes e publicado as regras neste post, e vou colocar o nome dela embaixo do selo também : )


Eu ia postar hoje o capítulo oito de Pra não dizer que não falei de flores, mas tô com vontade de postar o Will xD Lembrando que se você quiser ler alguma história desde o começo, embaixo da lista de blogs aqui na barra lateral tem um "índice".


--


Todos Aqueles Ontens


Capítulo 2 - Dizes que sou feliz, e não mentes (Continuação)



Duas semanas depois, em uma tarde de sábado, Orlando foi comigo até minha casa, para contarmos tudo à minha mãe.


Eu tremia. Planejei vários modos de dizer, imaginei milhares de reações que ela poderia ter, mas quando chegamos lá e eu tive de apresentá-los, a única coisa que consegui dizer foi:


- Esse é o Orlando. Meu namorado.


Nenhum explicação, nenhuma história de como aconteceu ou algo do tipo; apenas saiu. Meu namorado. Nada mais. Cerca de dois segundos depois de ter dito, eu me arrependi, mas bastaram apenas outros dois para que eu me sentisse aliviado por não ter de dizer mais nada. Tudo já tinha sido dito naquela frase.


Minha mãe, que se chamava Katerina, teve apenas um segundo de hesitação, para logo em seguida apertar a mão de Orlando e sorrir. Seu sorriso era igual ao meu. Os olhos verdes também, assim como o nariz comprido e fino. Apenas o cabelo não era; o meu era louro, e o dela, castanho.


Depois daquele instante de hesitação, ela não deu nenhum sinal externo de desagrado. Agia normalmente, e isso me dava medo. Quando Orlando foi embora, depois do chá, eu entrei em pânico. O que ela diria? Talvez fosse melhor eu começar a arrumar as malas...


- Não precisava ter esperado tanto para trazê-lo aqui. – foi o que ela disse, me trazendo de volta a realidade.


- Hã?


- Parece ser um bom rapaz. – ela continuou, enquanto lavava uma xícara e se virava para me olhar. – Achou mesmo que eu não sabia?


- x -


- Sua mãe é realmente estranha – Orlando comentou no dia seguinte, quando lhe contei o ocorrido.


- Ela é. Nem sei o que pensar.


- Não foi tão ruim quanto você achou que seria.


- Ao menos isso...


- A propósito... vocês são muito parecidos. – ele disse, passando geléia em uma torrada.


- É...


- Will?


- Oi.


- Dá pra voltar pra Terra?


Eu realmente estava muito distraído. Puxei um assunto qualquer da memória para tentar iniciar uma conversa normal. A falta de reação da minha mãe ainda me perturbava; se ela tivesse me expulsado de casa eu estaria mais tranqüilo.


- Quem é aquela mulher que sempre acena pra você quando você sai?


- Hm? Ah, é a Carmen.


- A Carmen? – repeti, sentindo uma pontada de ciúme. – E vocês se conhecem?


- Ela é minha vizinha, Will. – ele respondeu, agora rindo.


- Isso não justifica.


- Não justifica o quê?


- Ela ficar toda cheia de sorrisos quando te vê!


- Deixa de bobagem. – ele reclamou, me dando um beijo rápido e me puxando para o quarto.


- Você não ia comer? – perguntei, olhando para a torrada abandonada na mesa.


- Depois.

- x -


Eu nunca tinha ido à escola. Aprendi a ler e escrever em casa, na Rússia. Fazia apenas três anos que eu tinha chegado à Inglaterra e já falava inglês razoavelmente bem, ainda que com muito sotaque. Mas não era o bastante. Sem saber ler e escrever inglês eu não poderia arranjar um bom emprego.


A lanchonete cresceu, e eu fui demitido. Alegaram que eu não poderia anotar os pedidos; antes eram poucas mesas e eu os decorava para passar à cozinha. Já não dava mais pra fazer isso.


Al e Orlando tentavam me ensinar, mas não era fácil mudar de alfabeto assim. Meu ritmo era lento e, enquanto não aprendia, também não conseguia outro emprego.


Enquanto isso, no espaço onde ficava a livraria, Orlando tentava montar um hall e uma sala de estar. Era horrível ter aquele espaço todo sem nenhum móvel e nenhuma utilidade.


- James queria fazer um café aqui. – ele comentou.


James era o amigo com quem Orlando dividiu a casa há alguns anos, antes que nos conhecêssemos. A casa era dele, que agora estava em Oxford, se formando advogado.


- Parece uma boa idéia.


- Ele vai vir aqui no próximo fim de semana, aí a gente vê tudo.


- x -


Finalzinho sem graça, eu sei... u.u’ De qualquer forma, o capítulo dois ainda não acabou. Depois eu posto a continuação dele (que eu espero deixar maior que o primeiro); ainda tá no comecinho e tem muita coisa pra acontecer o.O No total são doze capítulos.

Até mais... Comentem para fazer Moony feliz o/


Je ne vais plus pleurer

Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
À te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas
(Ne me quitte pas - Edit Piaf)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

E então eu vi o infinito...

"(...) o sentimento não é bem de arrependimento, é uma espécie de nostalgia - já lhe disse isso. Nostalgia daquilo que a gente não é, dos lugares onde não esteve, das coisas que não chegou a fazer... Se você não tiver isso, se um dia se sentir satisfeito, pode ter a certeza de que você não é mais escritor." - Trecho de O Encontro Marcado, de Fernando Sabino, p. 117.

Olha eu aqui de novo... Ah, as reticências do título do post não têm nada a ver com as reticências do trecho de Encontro Marcado, ok?

Tenho três coisas a fazer hoje... A primeira é explicar porque o Rôh vai passar um tempinho sem postar aqui, a segunda é postar os novos selos do .status quo. e a terceira é postar a primeira parte do segundo capítulo do Will ^^

Ah, antes de qualquer coisa... Bem embaixo da lista de blogs aqui ao lado, vocês vão encontrar agora uma espécie de “índice” pros capítulos das minhas histórias. Achei que seria mais prático do que ficar procurando nos marcadores. Então, se você quiser ler alguma história desde o começo, ou ler algum capítulo mais antigo, é só ver o índice e escolher ^^

O Rôh vai passar um tempo sem postar, por dois motivos. Por ter acabado de se mudar, e portanto estar sem telefone, internet e outras formas de comunicação com o mundo exterior, e também porque agora ele está fazendo o 3º ano. Isso significa, basicamente, estudar pro vestibular >.<” Mas não chorem, ele volta i.i O .status quo. ganhou mais alguns selos:



Este aqui, criado pelos blogs Tecnenfermaginando e Liberté, deve ser indicado para 10 mulheres.
Indico para Patrycia, Sophie, Poly, Bruna Luyza, Mah, Thays, Vanessa, Chrissie, .ana. e GueGue.









Este foi indicado pela Kekel ^^









Este pela Lêda Maria, do Diz aí ^^










E este pela .ana., do .das minhas convicções.






As regras são indicar para seis pessoas e contar seis segredos. Não contarei nenhum, é claro, senão não seriam segredos xD Mas vou contar umas particularidades minhas (ou bizarrices, chame como quiser xD) :

1 - Só tomo café com a colher dentro da xícara;
2 - Tenho memória olfativa;
3 - Sou viciada em Coca-Cola;
4 - Decoro o número dos ônibus que pego;
5 - Quando ligo pra alguém, deixo chamar cinco vezes. Sete, se for urgente xD;
6 - Sou muito possessiva.

Indico, não somente este selo, mas também os Mania de Eescrever e Proximidade para Aja Modéstia!, Onde nem o céu seja limite, Sophie, Jellyfish, A máquina de escrever e Chapéu Torto.

Bom, é isso aí... Agora vamos ao Will ^^


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Finalmente, hoje começo a postar o segundo capítulo. Espero que gostem e comentem, porque são os comentários que me animam a escrever mais ^^ Sério mesmo, faz muito tempo que não escrevo nessa velocidade xD Quando vejo que tem pessoas lendo, tudo melhora ^^


Todos Aqueles Ontens


Parte I - Prelúdio para a solidão


Capítulo 2 - Dizes que sou feliz, e não mentes


Foram tempos de paz. Da lanchonete onde trabalhava como garçom eu seguia para a casa de Orlando. Um dia, quando cheguei lá, ele estava esvaziando as estantes; os livros eram arrumados em caixas espalhadas pelo chão. Uma estava separada para mim. Eram exemplares russos, antigos, com folhas amareladas e capa dura. Ajudei-o por algum tempo, já saudoso pela livraria fechada.

- E esse espaço todo... Vai colocar o quê aqui? - perguntei.

- Não sei... Talvez uma loja. Ou simplesmente uma sala de estar.

Assim a livraria acabou. Orlando deu algumas caixas para amigos, separou outra para mim (Pra quando melhorar o inglês, ele dizia), mas a maioria ficou com ele mesmo.

- Você já vendeu algum livro na vida? – perguntei, vendo a quantidade absurda de livros que cobriam aquelas estantes.

- Talvez uns cem. E um deles foi pra você.

O Conde de Montecristo. Eu nem sequer tinha lido; tentara uma ou duas vezes, mas meu inglês ainda não se estendera à literatura.

Ao chegar em casa, naquele dia, encontrei minha mãe na cozinha. Fazia tempo que eu não a via tão cedo em casa, e ainda mais cozinhando. Por alguns instantes me dei conta de que éramos só nós dois naquela casa, e mesmo assim só nos víamos de vez em quando.

Acho que ela não percebeu que eu estava ali, e eu também não quis dizer nada. Subi para o meu quarto, de certa forma aliviado por não ter de fazer o jantar.

- x -

Al foi a única pessoa para quem eu contei que estava com Orlando, e era, portanto, a única pessoa que entendia porque eu andava tão feliz nos últimos tempos.

Eu e Orlando tínhamos uma relação meio clandestina. Isso me incomodava, mas não mais do que os olhares tortos que recebíamos quando saíamos juntos. No começo foi ruim, mas depois resolvi adotar a indiferença. As coisas então melhoraram; eu estava feliz no meu mundinho particular onde só existiam nós dois.

Um dia esqueci um casaco na casa dele. Algumas semanas depois deixei lá uma camisa, e ao fim de um ano já estava quase morando lá. Minha mãe mal notava; tinha acabado de se formar enfermeira e fazia plantões com cada vez mais freqüência. Não acho que em algum momento ela tenha percebido que eu não dormia mais em casa. Ou talvez nem se importasse.

O começo de mil novecentos e oitenta e dois marcava o aniversário de um ano do nosso namoro. Comemoramos sozinhos, na casa que eu já começara a considerar como um segundo lar. Ainda nevava e a lareira estava acesa.

- Espera aqui. – ele disse, se levantando do sofá onde estávamos confortavelmente aconchegados sob imensos cobertores.

Voltou em menos de dois minutos, trazendo consigo uma caixinha, que me entregou. Desfiz o laço que a enfeitava e abri; dentro haviam duas alianças de prata.

- Já era hora de oficializar, não? – ele falou, colocando uma delas no meu dedo. Coloquei a outra no dele. Estava feito.

Ele então me beijou e aquele momento pareceu se prolongar pelo infinito. Não havia nenhuma luz acesa na casa; só a lareira, crepitando. Orlando estava sobre mim, distribuindo beijos pelo meu pescoço e tentando tirar minha camisa. Eu me ocupava com seu cinto.

- Ainda não contou pra sua mãe? – ele perguntou, enquanto abria os botões da minha camisa, um por um.

- Porque você tem que estragar tudo? – reclamei, o empurrando para sair de cima de mim.

- Will... Vem cá. Você não acha que tem que contar? – ele continuou, me puxando para perto de si novamente.

- Eu não... Não sei como fazer isso, não sei se...

- Se você quiser, eu vou também, te ajudo. Eu sei que é difícil, mas vai ser pior se ela descobrir por outra pessoa.

Olhei pra ele, desconsolado. Eu sabia que era necessário contar à minha mãe que eu era gay, mas como? Eu nem conseguia imaginar como ela reagiria.
Orlando mexia no meu cabelo, que já estava tão comprido que chegava quase À metade das costas.

- Vou cortar. – comentei, querendo mudar de assunto.

- Mas eu gosto assim. – ele reclamou, começando a fazer uma trança.

- Dá muito trabalho cuidar dele, sabia?

- Se quiser cortar, corte. Mas eu gosto do seu cabelo do jeito que é.

Aquele jeito dele falar, tão calmo e baixo, sempre conseguia me convencer. Bom, quase sempre. No caso da minha mãe, por exemplo, ele ainda não tinha conseguido.

- Eu não sei como dizer.

- Você consegue.
- Não...

- Vou estar lá, bem ao seu lado. – ele assegurou, me olhando nos olhos. – E daqui a um ano você vem morar aqui “oficialmente”. – ele acrescentou, num tom mais baixo.

Naquele momento tive vontade de chorar. Cheguei a sentir meus olhos se encherem de lágrimas, e nem sabia ao certo o porquê disso. A lareira, a conversa, os anéis em nossos dedos; tudo parecia tão surreal. Orlando ali, na minha frente, me dando certeza de que tudo ficaria bem.

Tão surreal e, no entanto, era tudo em que eu conseguia acreditar.

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O fato desse pedaço ter terminado exatamente no trecho que eu coloquei no post passado é mera coincidência xD

Ah, ontem terminei mais um capítulo de Pra não dizer que não falei de flores. Talvez semana que vem eu coloque ele aqui ^^

Até mais, people...