domingo, 29 de março de 2009

Why so serious?

E aí, pessoas...

Sabe, hoje joguei tudo pro alto e fui desenhar. O resultado é o cara que vocês estão vendo aqui ao lado. Fiz o rascunho com a boa e velha lapiseira, e finalizei no Photoshop. De onde veio o modelo? De um perfume xD O que eu adoro nos anúncios de perfume são as poses que os modelos fazem, e esse desenho foi baseado no anúncio da nova fragrância do Paco Rabanne, One million. Vou pôr o original mais abaixo...

Enfim... Achei super parecido com o Will xD De qualquer forma, serve também como uma "homenagem" ao Coringa xD Foi bom passar o domingo, que é geralmente tão chato, sem tocar nos livros. Tá certo que dá um pouco de remorso, mas eu supero...

E hoje vou deixar de ser chata e postar o capítulo oito de Pra não dizer que não falei de flores... Mas antes, eis o original:



A GueGue indicou um selinho novo, mas eu não vou pôr ele aqui hoje pro post não ficar muito grande, ok?

Aí está o capítulo:


Capítulo 8 – Infinito

Devo ter passado uns dois minutos olhando fixamente para aquele saquinho. Parecia que alguém tinha aberto a minha cabeça, pegado minhas certezas e dado um nó. Walter continuava a me olhar com uma expressão estranha, quase que temendo a minha reprovação.


Peguei o saquinho devagar, ainda sem pensar muito. Olhei para o meu amigo (amigo?), desconsolado, e ele entendeu a minha pergunta muda.


- Eu não sei porque aquele cara tava te mandando também.


- Também? Espera aí... – ótimo, mais um nó! – A pétala branca, no dicionário?


- Essa fui eu, foi a primeira.


- E todas as brancas seguintes?


- Eu presumo que tenha sido eu também, oras. Sei lá o que ele te mandou!


- E as amarelas?



- Foi só uma. Junto com um bilhete.

- Então a outra foi ele?


- É, deve ter sido... Cara, não me leve a mal, mas eu to ficando confuso!


- Se fosse só você!


Eu disse isso com um tom mais rude do que deveria. Walter se calou, parecendo ter notado que quem estava numa situação constrangedora era ele. Quis pedir desculpas por ter sido rude, mas não consegui. Minha cabeça ainda era um turbilhão, e então percebi que aquele era o momento de fazer a pergunta que me atormentava há tantos meses.


- Mas... Porque? Porque você fez isso?


- Ah, Rô... – ele começou, olhando para os pés. Nunca meu apelido foi dito de forma tão... apertável. – Eu... sei lá. Acho que eu precisava de um jeito de te dizer que... E aí tive a idéia maluca de te dar essas pétalas e tal... Mas pelo visto não fui o único.


- Não enrola...


- Não estou enrolando... – ele continuou, ainda fofo. Fofo? Eu pensei mesmo isso? – É que... Você é um cara... Bom, você é um cara tão legal e eu... Sei lá, acho que com o tempo comecei a gostar tanto de você que... que acabei gostando demais, entende? – ele terminou, finalmente me olhando, com uma súplica no olhar.


Fiz que não com a cabeça, e ele suspirou, arrasado.


- Não me faça ter que dizer isso. Eu não consigo, tá bem? Se conseguisse, não mandava as pétalas! Você me entendeu, sim.


- Eu entendi, Walter, mas... Ponha-se no meu lugar, eu to muito confuso...


- Eu sei... Olha, não precisa dizer nada, tá bem? Bota a cabeça no lugar, e aí a gente conversa sobre isso.


- Walter... – chamei, já que ele estava se levantando e indo embora. – Walter, espera!


Ah, ótimo. Depois de tudo, quem foge é ele. Me senti traído, abandonado num barco que afundava. Tudo isso só pra depois ficar ainda mais confuso que eu? Mas que merda.


- x -


- Rodrigo... Ei! Volta aqui.


Era Walter que me chamava, no dia seguinte, quando eu estava entrando no portão principal da faculdade. Chegamos quase juntos, e eu nem tinha reparado. Estanquei a meio caminho da escadaria, e olhei pra ele com cansaço.


- Tô aqui.


- Não me olha assim, cara.


- Porque? Ah, eu não deveria estar assim, porque afinal de contas, você foi tão esclarecedor ontem! Desculpe, eu tinha me esquecido da sua eloqüência!


Ok, agora foi a vez dele estancar no meio do caminho.


- Não precisa me tratar assim! Aliás, esse nem é você.


- Você disse que eu devia colocar minha cabeça no lugar, não disse? Você deveria fazer o mesmo.


- Rô... – ele suspirou, me puxando a um canto. – Escuta, não vamos ficar nesse clima estranho, ok? Vamos tentar resolver isso.


- O que você quer, afinal?


- Como assim o que eu quero?


- As pétalas, os bilhetes... Tudo isso tinha um objetivo, não tinha?


- Tinha, mas... Mas agora é diferente.


- Diferente? Você desistiu, foi isso?


- Não, cara, é que... – ele suspirou mais uma vez, fechou os olhos e passou a mão pelo cabelo. Desviei o olhar; não podia corar naquele momento. – É que agora que você sabe tudo fica mais difícil. Eu não sabia que ia ser assim, eu achei que fosse mais fácil, eu... Não sabia o que ia sentir quando você soubesse.


- E o que você está sentindo agora? – perguntei, receoso.


Walter me olhou diretamente, desesperado. Estávamos muito próximos; eu, encostado numa parede e ele à minha frente. Por fim, respondeu, num suspiro só.


- Medo.


- Medo de quê? – perguntei, sem conseguir evitar um pequeno sorriso.


- De você, de... De tudo. Sabe, isso é difícil, é... Eu quero você, cara. Mas...


Não ouvi o resto. Eu quero você. Precisava de mais alguma coisa?


- ...Rô? Ei, acorda. Não tá me ouvindo?


- Hã? Tô ouvindo.


- Eu tenho medo de perder você.


- Me perder?


- É! Se não der certo, se você se afastar, se não quiser ser mais meu amigo... Eu não vou ag... Ei!


Eu tinha começado a rir descontroladamente, sem saber ao certo se era euforia ou desespero. Ou os dois juntos. Já tinha algumas pessoas nos olhando e rindo também. Senti que ele me puxava para um canto mais afastado ainda, e consegui me controlar um pouco.


- Do que você tá rindo? Odeio quando você faz isso! Você é um histérico, sabia?


- Tô rindo de você, Walter!


- O quê?


Ele levou algum tempo absorvendo isso, enquanto eu ainda me controlava. Como ele era bobo! Porque eu me afastaria?


Eu estava com a cabeça baixa e não vi quando a mão dele veio até o meu rosto e levantou meu queixo. Estremeci. Era agora, então? Ele estava próximo demais. Senti primeiro um leve roçar de lábios, depois uma pressão mais forte, e finalmente nossas bocas se abrindo. E então senti o infinito.



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Aeeee, demorou mas saiu xD

Agora me deem licença, preciso de café...

sábado, 21 de março de 2009

Há um prazer indiscutível em ser louco como só os loucos sabem

(frase do livro Forrest Gump, de Winston Groom)

Oi :D

Eu não deveria estar postando hoje, só amanhã ou segunda, maaaas... Sorry, caro Rôh, mas eu preciso disso.

Resumão das últimas semanas:

- tomei o maior banho de chuva da minha vida. E não foi legal;
- quase fui devorada pelos cachorros assassinos do Rôh;
- aceitei o convite para participar do blog Oh! My Girls, que estréia no dia 07 de abril :D ;
- li A menina que roubava livros. E é perfeito;
- descobri a banda DeVotchKa e minha vida mudou. Sério, é muito bom. Indie Folk;
- quase tive um colapso nervoso numa aula de Lógica de Programação;
- entre outras coisas...


Enfim... Hoje vou só reclamar da vida, responder dois memes e postar o novo selo. Eu sei que faz uns vinte mil anos que não posto capítulos do Will ou de Flores, mas é que realmente tô sem saco pra isso ultimamente... Passei as últimas semanas apenas estudando (porque eu realmente pretendo passar em Lógica de Programação ò.Ó), correndo atrás de ônibus, fugindo da chuva, ouvindo músicas calmas e tristes e reprimindo minha vontade de escrever. E isso não é bom. Isso não é nada bom.

Sabe quando você não tá com saco pra fazer nada? Pois é. A única coisa que eu queria fazer agora era deitar na minha cama fofinha, com meu amado MP4 que é pequeno demais pro meu esdrúxulo gosto musical, e passar um tempão ouvindo tudo que eu quisesse ouvir e tendo idéias pro próximo capítulo de uma história qualquer. O problema é que toda vez que eu faço isso acabo pensando na lista de exercícios de Cálculo que deveria estar fazendo e na porra do programa que eu não consigo fazer! Cheguei ao cúmulo de ir pro shopping com um bloquinho e caneta na bolsa pra poder ir anotando todas as soluções que me viessem à mente. Detalhe: quando cheguei em casa resolvi o programa que me atormentava .__.

Tá bom, vamos às coisas legais :D

A .ana. indicou um selinho lindo e maravilhoso (adoro o Calvin):



Tenho que dizer sete coisas que me fazem rir... Vamos lá:

- o Rôh;
- as palhaçadas dos meus amigos :D ;
- comentários sarcásticos soltos ao acaso;
- sono (sério, quando fico com sono tenho umas crises de riso incríveis xD);
- certas músicas xD ;
- Everybody hates Chris xD (é uma série) ;
- Os Simpsons :D ;


Repasso pra Jellyfish, Nenhum Mistério, A máquina de escrever, Onde nem o céu seja limite, Dear Chrissie's Sky, Kátia Flávia e Guia Gay :D

Esse meme foi indicado pelo Gustavo:

- Agarrar o livro mais próximo;
- Abrir na página 161 ;
- Procurar a quinta frase completa;
- Colocar a frase no blog;
- Repassar para seis pessoas.


Ok, agarrando o Encontro Marcado:

"- Em todos... Espera: em todos quais? Que história é essa?"

Esse vai pra quem quiser :D


Ok, último meme do dia... Indicado pela Sophie:

1. Nome Completo?
Sorry, mas isso vai contra a minha “política de privacidade” xD
2. Porque lhe deram esse nome?
Bom, mesmo sem dizer o nome (xD): segundo meus pais, porque havia uma moça muito bonita com esse [não mencionado] nome. Acho que ela morreu =/
3. Você faz pedidos às estrelas?
Todo dia xD Sabe aquela história de pedir algo à primeira estrela que se vê? Pois é.
4. Quando foi a última vez que você chorou?
Há alguns dias =/
5. Gosta da sua letra?
Gosto, mas ninguém mais gosta xD
6. Gosta de pão com o que?
Requeijããããão *-*
7. Quantos filhos você tem?
Nenhum.
Como se chamam e quantos anos eles têm?
Ainda não tenho.
8. Se você fosse outra pessoa, seria seu amigo?
Só depois de me conhecer bem xD
9. Saltaria de bungee-jump?
Não o_O Morro de medo de altura
10. Desamarra os sapatos antes de tirá-los?
Não
11. Acredita que você seja uma pessoa forte?
Não tanto quanto gostaria .___.
12. Sorvete favorito?
Flocos *-*
13. Vermelho ou Preto?
Preto
14. O que menos gosta em você?
Minha intolerância com algumas pessoas =/
15. O que mais gosta em você?
Minha mente insana xD
16. De quem você sente saudades?
Velhos amigos .__.
17. Descreva que roupa e calçado esta usando agora.
Um short verde-escuro, uma blusa verde [tô parecendo uma planta] e chinelos xD
18. Qual foi a última coisa que comeu hoje?
Café e pão com orégano *-* [quente, evidentemente xD]
19. O que você está escutando agora?
Do it again - The Kinks
20. A última pessoa com quem falou ao telefone?
Minha mãe
21. Bebida favorita?
Coca-Cola *---*
22. Comida?
Pizza de atum *-*
23. Último filme que viu no cinema e com quem?
O curioso caso de Benjamin Button, com a minha irmã
24. Dia Favorito do ano?
Meu aniversário e dia de novo semestre xD
25. Inverno ou verão?
Inverno.
26. Beijos ou abraços?
Abraços
27. Sobremesa favorita?
Sorvete
28. Que livro está lendo?
O Encontro Marcado, de Fernando Sabino [sim, de novo!! ^^]; O apanhador no campo de centeio, de J. D. Salinger e Forrest Gump, de Winston Groom.
29.O que tem na parede do seu quarto?
Tinta =/
30.Filmes favoritos?
Nooossa, são muitos! Mas os lugares de honra são de A Lista de Schindler, O Curioso Caso de Benjamin Button, Sunshine [não, não é Pequena Miss Sunshine (que é muito bom também, aliás)], V de Vingança, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, Entrevista com o vampiro, etc...
31. Onde foi o lugar mais longe que você foi?
Maracanaú, uma cidade bem pertinho daqui ¬¬
32. Uma música?
Blues do iniciante - Cazuza
33. Uma Frase?
Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez.

Esse também vai pra quem quiser :D

É só... u.u

domingo, 15 de março de 2009

"Vamos fazer com que esse pouco, dure a nossa vida inteira..."

Olha aí, Moony:


Nota de Esclarecimento: esse caderno é do tempo que fazíamos o 1º ano( ano que estudamos juntos) Quando ela escreveu isso ai, tínhamos acabado de nos conhecer, acabado mesmo, saca? Pena que a imagem ta embaçada, senão vocês iam ver o amor dessa muié já tinha por mim! XD

---x---

A poesia de hoje não é de minha autoria. É um poema que achei, quase que por acaso... É de um filme nacional, que até fiquei muito instigado a ver, mas acabou nem rolando, mas o poema eu sei, XD, parece ser um filme muito legal (vi o trailer), chame-se 'O Signo da Cidade'




POEMA DE SOMBRA


Se perdem gestos,
cartas de amor, malas, parentes.
Se perdem vozes,
cidades, países, amigos.
Romances perdidos,
objetos perdidos, histórias se perdem.
Se perde o que fomos e o que queríamos ser.
Se perde o momento.
Mas não existe perda,
existe movimento.

Se não me engano a autora se chama Bruna Lombardi, então é isso... Um grande abraço a todos!;D

Rôh

segunda-feira, 9 de março de 2009

Talvez fosse apenas louco...

Hallö...


Aqui estou eu de novo, tentando cumprir, ainda que tortuosamente, a “política” do não-deixe-o-blog-sem-post-por-mais-de-uma-semana xD


Na segunda-feira passada começaram as minhas tão esperadas aulas *-* É tão bom voltar à rotina xD


Balanço das férias:


- 200 horas de internet;

- muitos pacotes de bolacha de chocolate devorados;

- muito café;

- sete capítulos de Flores;

- alguns capítulos começados e outros quase terminados do Will xD;

- um capítulo de The Greatest

- um conto

- e, entre outras coisas, tédio, muito tédio.

Mas tudo bem, eu sobrevivi u.u’ Ainda é meio estranho não ter mais tanto tempo livre para internet e para escrever, mas eu posso superar isso... Sabe, eu sou uma pessoa tão absurda que as minhas maiores inspirações vêm justamente quando as aulas começam e eu to cheia de coisa pra fazer!


Nesse sábado, por exemplo, eu fiz um conto. Eu nunca tinha feito um conto. Minhas histórias sempre têm vários capítulos, porque eu nunca consigo desenvolver bem a minha idéia nas poucas páginas que um conto deveria ter. Até tentei fazer alguns nos últimos tempos, mas não saía e desisti.


E, bom, outra peculiaridade: a maioria das coisas que eu escrevo nascem de simples frases. Eu fico com a tal frase na cabeça e só sossego quando escrevo alguma coisa pra botar ela no meio. Esse conto que eu fiz nasceu da frase “uma vozinha fraca e delicada, que poderia ser levada pelo vento a qualquer instante”. Eu só sosseguei quando escrevi o conto para colocar essa frase nele xD Vários capítulos do Will nasceram assim.


Vou postar esse conto hoje. É curtinho e indolor xD


Ah, ontem assisti o O Curioso Caso de Benjamin Button *-* O filme é MUITO bom mesmo!! Chorei litros xD O último filme que me fez chorar assim foi A Lista de Schindler, que também é muito incrivelmente bom! Qualquer dia ainda escrevo mais sobre esses filmes...


Enfim, vamos parar de enrolar... É a primeira vez que uso essa "estrutura circular" e a completa ausência de diálogos diretos... Espero que tenha ficado bom ^^ Eis o conto:


I

Infinito

...perguntei a ele se eu estava ali por ser louco. Ele disse que eu era apenas um homem confuso. Talvez eu seja mesmo. Sabe, às vezes me sinto bastante confuso. Mas continuo achando que se estou aqui é porque sou louco. Ele diz que não. Bom, ele não diz exatamente que não, mas também não diz sim. Ele é o cara de branco. O chamam de psiquiatra. Nunca vi psiquiatras de branco, a não ser ele, claro.


É, talvez eu seja louco. Eu bem que gostaria de ser. Quero dizer, há pessoas aqui piores do que eu. Há realmente muitas pessoas que posso considerar em pior estado, porque eu nunca me joguei de um prédio nem fico torcendo as mãos de cinco em cinco segundos. Acho que seria interessante ser louco assim. Afinal de contas, eles não estão nem aí para nenhuma outra coisa que não esteja dentro de suas próprias mentes. Bom, às vezes isso é o bastante. Eu bem que queria me distrair tanto assim comigo mesmo, a ponto de esquecer o mundo exterior.


Talvez eu não goste de mim o suficiente. Talvez eu não me odeie o suficiente. Ou simplesmente não deveria pensar nisso. É, acho que sou confuso, sim.


Aqui não é um lugar ruim e deprimente como a maioria das pessoas costuma acreditar. Algumas pessoas realmente são deprimentes, mas o lugar em si não é. Não há nada de deprimente no meu quarto cirurgicamente branco e sem objetos cortantes. Não há nada de deprimente na minha janela com grade. Nem no meu inseparável roupão. As pessoas sempre acham que os loucos têm que andar com um roupão surrado. Eu gosto do meu roupão. Logo, devo ser louco.


Gosto de olhar pro teto, que também é branco. De dia, com a luz acesa, ele fica mais branco ainda. Então deito na cama e fico olhando, imaginando que aquela branquidão é o infinito me tragando. Às vezes estendo a mão para ele, o infinito. Ele costuma me ignorar freqüentemente. Isso me deixa muito triste.


Tem uma valsa tocando aqui no quarto ao lado. Não sei quem mora nele. Na verdade, não conheço ninguém aqui pelo nome. Não gosto de nomes. Mas a valsa é bonita. Parece tirada de um daqueles discos antigos e quase deteriorados. Música bonita me dá vontade chorar e rir ao mesmo tempo. Me dá um nervosismo estranho. Como quando a gente vê uma garota bonita e não sabe como se aproximar. Como quando a gente entra no mar e gosta de estar lá, mesmo sendo perigoso.


Como quando eu olho paro o teto e imagino o infinito. Eu fico pensando se seria muito ruim estar lá. Completamente envolvido por aquela luz branca e brilhante. Fico pensando se seria como um abraço bom. Poucas vezes na vida recebi um abraço realmente bom. Abraço, pra mim, é uma coisa estranha e que a maioria das pessoas – inclusive eu – não sabe fazer direito. Acaba ficando desconfortável e chato, e você não vê a hora de se desfazer dele. Mas um dia recebi um abraço bom. Não lembro quem foi que me abraçou, nem quando foi. Como já disse, talvez eu seja um cara confuso.


O que me resta é apenas é uma lembrança vaga daquele abraço. Lembro claramente de como ele era quente e aconchegante. Foi como estar finalmente em casa. Eu não queria sair daqueles braços. Se o infinito deixasse de me ignorar e me tragasse, talvez eu pudesse sentir esse abraço de novo.


E então eu estendo a mão. E nada acontece. O teto é apenas o teto, e está escurecendo. De noite não é tão brilhante quanto de manhã. Não é a mesma coisa. Da minha janela posso ver o campo. Nele há muitas enfermeiras conduzindo gente maluca. Elas não me conduzem, porque eu não saio. Tenho medo. Não sei exatamente do quê, mas tenho.


Todas as janelas têm grades. Em determinada época do ano, o pôr-do-sol ganhar uma tonalidade especial pra mim... Fica incrivelmente alaranjado e às vezes até meio roxo. É como se o céu fosse uma tela de pintura e o pôr-do-sol fosse a pincelada de um artista melancólico. Não há todas essas cores nos outros meses. Então eu me sento no parapeito da janela e fico olhando.


Deve ser também alguma forma de infinito. Mas pra esse eu não posso estender a mão, pois há uma grade. Eles acham que eu vou pular se tirarem. O cara de branco disse que sabe que eu não faria isso. E então eu perguntei porque então não tiram. E ele respondeu que era medida de segurança, não só pra mim, mas pra todos e algumas outras coisas complicadas assim.


Isso também me deixa triste.


Quando estou no corredor e vejo uma enfermeira passando, ela sorri pra mim. O típico sorriso de quem está ali pra ajudar. Quando vejo o cara de branco, o psiquiatra, ele também sorri. O sorriso dele é algo como ‘você vai ficar bom’. Mas quando vejo alguém que está visitando outra pessoa... Bom, esses não sorriem. E quando sorriem, é algo tão falso ou medroso que dói. Eles não têm medo dos próprios loucos, não é? Vão lá visitá-los e tudo o mais. Não sou pior do que eles.


Medida de segurança. Tá certo. Essas pessoas não são exatamente uma ajuda para nos sentirmos melhor e não termos vontade de pular pela janela.


Acho que eu não pularia. O infinito está em cima, não embaixo. Não tem porque procurar por ele lá.


Ninguém vem me visitar. Ele disse que já vieram, há algum tempo, mas que pararam de vir. Não perguntei porque. Às vezes é melhor ficar de boca fechada. Não lembro dessas visitas. Ou talvez eu não queira lembrar.


Raramente vejo uma criança por aqui. Elas vêm de vez em quando, visitar os parentes malucos. Não gosto muito de crianças. Elas podem ser as criaturas mais cruéis do mundo, se quiserem. Elas não temem nada. Nós achamos que temem, mas não. São cruéis. Elas sorriem quando passam, mas isso não me engana. São cruéis.


Uma vez conheci uma garotinha. Eu devia ser criança também, não lembro. Devia ser. Não lembro como ela era. Lembro só da voz. Uma vozinha fraca e delicada, que poderia ser levada pelo vento a qualquer instante. Ouvi-la falar era quase como sentir um beijo.


Não sei onde ela está. Nem sei se ela realmente existe. Às vezes acho que, pra que alguma coisa exista, basta eu querer que ela exista. Mas não funciona. Como o infinito no teto, por exemplo.


Está um pouco frio lá fora. Às vezes tenho vontade de ir até os jardins. Me sentar debaixo de uma árvore. Ver o pôr-do-sol. Mas eu não posso sair. Não quero. Talvez eu esteja melhor no meu quarto cirurgicamente branco, sem objetos cortantes... Acho que já disse isso.


Ele diz que eu preciso me encontrar. Eu respondo que isso vai acontecer quando o infinito resolver me levar. Ele diz que eu não devo pensar assim. Acho que ele pensa que eu vou pular. Eu não vou, já disse. Não sou idiota de procurar embaixo. E, além do mais, há a maldita grade.


Talvez aquele abraço pertença a vozinha levada pelo vento. É, talvez ela tenha sido levada pelo vento.

E então eu perguntei a ele se estava ali por ser louco. Ele disse que eu era apenas um homem confuso. Talvez eu seja mesmo. Sabe, às vezes me sinto bastante confuso. Mas continuo achando...

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Comentem, digam o que acharam, e façam uma blogueira feliz xD


Até mais...