segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Pedras no caminho? Guardo todas. Um dia vou construir um castelo. - Fernando Pessoa

Olá, pessoas...
Hoje não tem capítulo novo, porque ainda nem comecei a escrevê-lo (sou má xD). Mas daqui pra sexta-feira eu termino (acho).
Enfim... Tô lendo um livro legal: Vastas emoções e pensamentos imperfeitos, do Rubem Fonseca. Yes, é bom.
Continuo tentando me iniciar na literatura russa, mas não é fácil... Quase todos os livros aqui estão reservados, de Crime e Castigo à Lolita.
E... Bom, anteontem, escrevendo uma carta para Vanessa-chan, tive umas idéias para outra história... E elas foram se desenvolvendo até chegarem à idéia básica de escrever vários contos.
Detalhe: não tenho o menor talento para contos. Não me perguntem porquê, mas todas as minhas histórias são irremediavelmente compridas. Eu simplesmente não consigo terminar uma história em poucas páginas, nem criar a atmosfera suficiente para isso que um conto exige. Mas, eu posso tentar... É um desafio pra mim mesma xD
Ah, eu acho que já falei isso aqui antes... Mas falo de novo assim mesmo xD É sobre o Pra não dizer que não falei de flores.
Quem acompanha o blog há algum tempo sabe que tenho uma outra história, na verdade tá mais pra projeto de vida (xD), chamada Will. Ela ainda não tem título oficial, então a chamo pelo nome do personagem principal xD
Pois é, eu postava aqui fragmentos do Will, pedaços soltos de capítulos que eu ia escrevendo e tal... Até que decidi deixar de ser ruim e postar tudo na ordem. Então, enquanto não terminava o primeiro capítulo todo, decidi escrever uma outra história, pra dar uma relaxada...
Por que relaxar? Simples: faz uns quatro anos que escrevo o Will e ele nunca acaba xD Como disse Parente-san uma vez, eu vivo me auto-sabotando para que ele não acabe. Quem me conhece sabe que eu reviso os textos que escrevo até a exaustão, e o que eu faço com o Will é isso elevado a 532.488 xD~ Nunca estou satisfeita, então vou fazendo um retoque ali, outro aqui, e assim vai que nunca termina.
Por isso quis fazer outra história... Pra ver se conseguia me libertar um pouco de mim e desse perfeccionismo. Aí saiu o Pra não dizer que não falei de flores.
Bom, e isso tem uma história interessante xD Há mil anos atrás (tá, não faz tanto tempo assim xD), melhor dizendo, há alguns carnavais, quando Parente-san e eu estudávamos na mesma escola e estávamos fazendo o primeiro ano do ensino médio (eita nome grande), tínhamos um professor de Álgebra chamado Wagner, que todo mundo odiava. Ele tinha uma implicância especial com a gente, não consigo imaginar porquê (cínica xD).
Quando estava decidindo o nome dos personagens, pensei: vou fazer o mal com Parente-san. E aí coloquei Rodrigo, cujo apelido é Rô, o mesmo de Parente-san xD
E o outro... Bem, aí eu quis colocar o nome do professor que a gente odiava, só porque Parente-san odiava o nome dele xD Só que eu, desmemoriada que sou, confundi o nome do cara de Wagner pra Walter, e acabou ficando...
Ha ha ha, que história legal *sorriso amarelo*
Tá, é uma chatice, mas eu queria contar assim mesmo xD~
Talvez eu poste o primeiro conto sexta-feira, se não conseguir terminar o capítulo seis.

Pra não dizer que sou ruim e pra colaborar com as pessoas que tem preguiça de procurar "Will" nos marcadores, vou colocar um trechinho dele aqui:

"(...)
- Em que ano estamos?

- Oitenta e nove.

- Que mês?

- Setembro.

Will se ajeitou de novo na cama, mas não parava de olhar rapidamente para todas os cantos do quarto. Estava frenético. Segurei sua mão, em parte para acalmá-lo, mas também para, por pelo menos alguns instantes, sentir que era real, que ele estava enfim lúcido. Ele se acalmou um pouco e, pela primeira vez desde que “acordara”, olhou diretamente para mim.

- Eu não quero saber. Nem lembrar, nem nada. - ele pediu, visivelmente desesperado. Seus olhos estavam tão amargos, tão tristes e opacos, que quase me desesperei também. E o pior, o infinitamente pior, era saber que ele era ao menos um pouquinho mais feliz quando estava louco."

Este trecho é da Parte II - Solidão, ainda não sei que capítulo. Sim, eu sou uma louca que já sabe tudo o que vai acontecer na história mas só escreve fragentos para depois juntá-los.
Sejam bonzinhos, procurem o Will nos marcadores e comentem. Façam Moony feliz o/*

Para finalizar, Fernando Pessoa, também conhecido como
O Cara.

Trago dentro do meu coração
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que quero.

Trecho de Passagem das Horas, de Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa).

Até mais.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

You’re don’t really there, is just the radio. – Superstar / The Carpenters

Mais um capítulo com título tosco saindo!! xD Ah, como todos podem perceber, mudei o layout do blog. Tá altamente verde, mas tudo bem. Por favor, comentem para fazer Moony feliz.



Capítulo 5 – Confirmação


Eu não queria que o sábado chegasse logo, mas, talvez justamente por isso, ele chegou. A tal festa/reunião começaria às oito da noite, e às sete Walter me ligou perguntando o endereço da minha casa. Meia hora depois surgiu um carro vermelho buzinando na porta. Entrei no carro, que ele explicou ser da mãe dele, e partimos.
A casa, que ficava a uns vinte minutos da minha, era grande e, graças a Deus, não dava para ouvir música alta do lado de fora. Havia poucos carros estacionados de cada lado da rua, e levamos algum tempo pra achar uma vaga. Por fim, entramos.
A música que estava tocando era calma e baixa, e as pessoas pareciam civilizadas. Suspirei mentalmente por isso.
Assim que cruzamos o hall, uma moça bem vestida e que me pareceu um tanto arrogante veio nos cumprimentar. Melhor dizendo, ela me disse “oi” e se derramou toda para Walter.

- A dona da casa. – ele me explicou, depois que ela foi falar com outras pessoas que estavam chegando.

Não era exatamente o melhor lugar do mundo, eu ainda me sentia um peixe fora d’água e sabia que não conhecia quase ninguém que estava ali, mas definitivamente era melhor que a calourada. Disse isso a Walter, e ele sorriu.

- Eu não avisei? Agora você só precisa relaxar e curtir.

Engoli a resposta que queria dar. Ela seria “Curtir o quê, exatamente?”, mas não quis ser chato.
Antes mesmo que eu percebesse que havia saído do meu lado, ele trouxe dois copos com ponche. Provei e não era ruim. Parecia que a noite não ia ser perdida, afinal. Percebi que Walter me observava e agradeci aos céus pela iluminação fraca, porque sabia que tinha corado.

- Que acha deles? -Walter me perguntou de repente, indicando discretamente com a cabeça um grupo de pessoas na sala de estar. Pareciam estar discutindo alguma corrente filosófica qualquer, e a maioria apenas fazia que sim com cabeça quando outro falava, tentando dar uma de inteligente.

- Um bando de idiotas metidos a intelectuais.

Walter riu. Ele sempre me pedia opiniões sobre as pessoas que víamos, em todo lugar. Eu não sabia exatamente porque, mas não deixava de ser uma boa distração.

- E aquelas?

Agora ele estava falando de umas moças paradas junto à mesa das bebidas. Elas não paravam de dar risadinhas idiotas e desviar o olhar dos rapazes quando eles percebiam que estavam sendo observados. A anfitriã estava lá também, mas, ao contrário das outras, estava calada e olhava fixamente para nós. Melhor dizendo, para Walter.

- Ela está prestes a se jogar em cima de você. – eu falei, sem me preocupar em dizer qual delas. Ele devia saber.

- Ela é muito enjoada. – ele comentou, caminhando até uma janela.

Senti uma coisa parecida com alívio quando ele disse aquilo. Não, sejamos sinceros... Foi alívio.

Por umas três horas tudo foi muito bem. Fui apresentado a algumas pessoas, conversei com outras, a música era boa, bebidas e comida não acabavam nunca... O tempo passou voando. E Walter nunca saía de perto de mim por mais de cinco minutos, talvez pra se redimir da calourada.

- Vem. – ele falou, de repente, me puxando para a escada. Subimos.

Àquela altura da noite eu tinha que admitir que já estava um tanto alto. Paramos perto de uma janela alta, à moda das casas francesas, e ficamos olhando o jardim. Na minha mente semi-bêbada registrei vagamente que Walter e eu estávamos perigosamente próximos, e que ele ainda segurava meu braço. Como se tivesse ouvido meus pensamentos, ele me soltou e se afastou um pouco.

Havia vasos com rosas nas mesinhas que ladeavam a janela. Os móveis eram feitos de uma madeira escura e lustrosa. Tudo muito antigo e luxuoso. Por um momento achei que tinha voltado no tempo. Percebi que Walter me olhava observar as rosas.

- Gosta? – ele perguntou.

Fiz que sim e ele voltou a olhar o jardim. Algumas pessoas passavam por nós no corredor. Reparei que eram casais bêbados cambaleando para os quartos, e a casa perdeu o encanto de minutos atrás.

E então a dona da casa subiu também. Ela estava com um cara que reconheci ser do quinto semestre de Jornalismo. Eles estancaram quando nos viram. A garota olhou para Walter com uma expressão de desafio que naquela hora interpretei como “posso ficar sem você e não vou morrer por isso”, enquanto Walter apenas lhe deu uma olhada rápida antes de lhe dar as costas.

Foi o cara que estava com ela que me chamou atenção. Ele não parava de me olhar. Nós nunca tínhamos nos falado, e eu nem sequer sabia seu nome. Aliás, eu só sabia que ele existia pelo simples fato de estarmos fazendo o mesmo curso e, por isso, de vez em quando nos cruzávamos nos corredores.

Enfim, eles entraram em um quarto no fim do corredor e eu pude esquecer momentaneamente o cara do quinto semestre. Me aproximei mais de Walter, que ainda olhava para o jardim com um copo de whisky na mão. O perfume dele se misturava ao cheiro de bebida, me deixando mais zonzo ainda.

- Vamos voltar? – perguntei.

- Vamos. – ele respondeu, deixando o copo na mesinha das flores.

Foi só quando chegamos ao carro que me dei conta que ele não deveria dirigir, pois estava visivelmente bêbado, mas não falei nada. Ele colocou a chave, mas não chegou a girá-la. Encostou a cabeça no volante e ficou lá por alguns minutos.

Por fim, ele tirou a chave, pôs uma tranca no volante e saiu do carro. Saí também, e ele trancou as portas. Pegamos um táxi.

- É aqui. – eu disse ao motorista quando chegamos à minha casa.

Walter se adiantou e pagou a corrida. Tentei reclamar, mas ele apenas fechou os olhos e me disse “boa noite”.

- x -

No dia seguinte acordei tarde e com uma dor de cabeça fora do comum. Por algum tempo temi abrir os olhos, e quando os abri senti que minha cabeça ia rachar por causa da luz. Fui ao banheiro e passei um bom tempo olhando pra pia, tendo a certeza de que vomitaria a qualquer momento. Quando o momento chegou, corri para o vaso.
Eu nem bebi tanto assim, pensei. Ou bebi? Não dava pra lembrar com certeza. Aliás, a noite toda parecia ter se tornado um borrão disforme na minha mente.

Na segunda-feira, ainda com a certeza de estar com uma cara péssima, reparei melhor nas pessoas que via nos corredores. Passando em frente à porta do S5 vi o cara da festa, o que me olhava. Ele era definitivamente bem mais apresentável quando não estava bêbado ou olhando fixamente para alguém. Antes que percebesse que eu o observava, continuei andando até chegar à minha sala.
Walter estava no mesmo lugar de sempre, e sem nem levantar os olhos do que estava lendo tirou a mochila da minha cadeira e disse “oi”.

- Você tá com uma cara péssima. – ele comentou alguns segundos depois, fechando o livro.

- Culpa sua.

- Ah, vai. Não foi ruim.

- Não, não foi.

- Você não quer admitir.

- Acabei de fazer isso.

- A contragosto.

- Deixa de ser chato.

- Não posso. Faz parte da minha natureza.

- x -

Na quarta-feira encontrei um envelope dentro do meu caderno. Na frente estava escrito “Rodrigo” em letras datilografadas. Bem, então ele tem uma máquina de escrever! Já é alguma coisa. Walter me parecia ser o tipo de cara que teria uma.
Abri o envelope com as mãos tremendo um pouco. Porque isso sempre acontecia? Dentro havia uma pétala amarela e um bilhete, também datilografado.

Sei que gosta dessas pétalas
E sei também que posso continuar mandando-as pelo resto da vida
E ainda assim você não vai dizer nada
Mas tudo bem
Eu também não saberia o que fazer se você dissesse

Até logo,

(não achou que eu fosse assinar mesmo, não é?)

O senso de humor do Walter. A certeza de que eu sei e não digo nada. Não, eu não precisava de qualquer outra confirmação.

You’re don’t really there, is just the radio. – Superstar / Sonic Youth

Primeiramente, quero dizer a Sophie Lóren que passei no blog dela nesses últimos dias, mas nunca conseguia deixar um comentário nos posts. Acho que o sistema de comentários não tá funcionando, ou simplesmente o computador em que eu estava era ruim xD
Enfim, mais um capítulo com título tosco saindo!! xD Ah, como todos podem perceber, mudei o layout do blog. Tá altamente verde, mas tudo bem. Por favor, comentem para fazer Moony feliz.


Capítulo 5 – Confirmação

Eu não queria que o sábado chegasse logo, mas, talvez justamente por isso, ele chegou. A tal festa/reunião começaria às oito da noite, e às sete Walter me ligou perguntando o endereço da minha casa. Meia hora depois surgiu um carro vermelho buzinando na porta. Entrei no carro, que ele explicou ser da mãe dele, e partimos.
A casa, que ficava a uns vinte minutos da minha, era grande e, graças a Deus, não dava para ouvir música alta do lado de fora. Havia poucos carros estacionados de cada lado da rua, e levamos algum tempo pra achar uma vaga. Por fim, entramos.
A música que estava tocando era calma e baixa, e as pessoas pareciam civilizadas. Suspirei mentalmente por isso.
Assim que cruzamos o hall, uma moça bem vestida e que me pareceu um tanto arrogante veio nos cumprimentar. Melhor dizendo, ela me disse “oi” e se derramou toda para Walter.

- A dona da casa. – ele me explicou, depois que ela foi falar com outras pessoas que estavam chegando.

Não era exatamente o melhor lugar do mundo, eu ainda me sentia um peixe fora d’água e sabia que não conhecia quase ninguém que estava ali, mas definitivamente era melhor que a calourada. Disse isso a Walter, e ele sorriu.

- Eu não avisei? Agora você só precisa relaxar e curtir.

Engoli a resposta que queria dar. Ela seria “Curtir o quê, exatamente?”, mas não quis ser chato.
Antes mesmo que eu percebesse que havia saído do meu lado, ele trouxe dois copos com ponche. Provei e não era ruim. Parecia que a noite não ia ser perdida, afinal. Percebi que Walter me observava e agradeci aos céus pela iluminação fraca, porque sabia que tinha corado.

- Que acha deles? -Walter me perguntou de repente, indicando discretamente com a cabeça um grupo de pessoas na sala de estar. Pareciam estar discutindo alguma corrente filosófica qualquer, e a maioria apenas fazia que sim com cabeça quando outro falava, tentando dar uma de inteligente.

- Um bando de idiotas metidos a intelectuais.

Walter riu. Ele sempre me pedia opiniões sobre as pessoas que víamos, em todo lugar. Eu não sabia exatamente porque, mas não deixava de ser uma boa distração.

- E aquelas?

Agora ele estava falando de umas moças paradas junto à mesa das bebidas. Elas não paravam de dar risadinhas idiotas e desviar o olhar dos rapazes quando eles percebiam que estavam sendo observados. A anfitriã estava lá também, mas, ao contrário das outras, estava calada e olhava fixamente para nós. Melhor dizendo, para Walter.

- Ela está prestes a se jogar em cima de você. – eu falei, sem me preocupar em dizer qual delas. Ele devia saber.

- Ela é muito enjoada. – ele comentou, caminhando até uma janela.

Senti uma coisa parecida com alívio quando ele disse aquilo. Não, sejamos sinceros... Foi alívio.

Por umas três horas tudo foi muito bem. Fui apresentado a algumas pessoas, conversei com outras, a música era boa, bebidas e comida não acabavam nunca... O tempo passou voando. E Walter nunca saía de perto de mim por mais de cinco minutos, talvez pra se redimir da calourada.

- Vem. – ele falou, de repente, me puxando para a escada. Subimos.

Àquela altura da noite eu tinha que admitir que já estava um tanto alto. Paramos perto de uma janela alta, à moda das casas francesas, e ficamos olhando o jardim. Na minha mente semi-bêbada registrei vagamente que Walter e eu estávamos perigosamente próximos, e que ele ainda segurava meu braço. Como se tivesse ouvido meus pensamentos, ele me soltou e se afastou um pouco.

Havia vasos com rosas nas mesinhas que ladeavam a janela. Os móveis eram feitos de uma madeira escura e lustrosa. Tudo muito antigo e luxuoso. Por um momento achei que tinha voltado no tempo. Percebi que Walter me olhava observar as rosas.

- Gosta? – ele perguntou.

Fiz que sim e ele voltou a olhar o jardim. Algumas pessoas passavam por nós no corredor. Reparei que eram casais bêbados cambaleando para os quartos, e a casa perdeu o encanto de minutos atrás.

E então a dona da casa subiu também. Ela estava com um cara que reconheci ser do quinto semestre de Jornalismo. Eles estancaram quando nos viram. A garota olhou para Walter com uma expressão de desafio que naquela hora interpretei como “posso ficar sem você e não vou morrer por isso”, enquanto Walter apenas lhe deu uma olhada rápida antes de lhe dar as costas.

Foi o cara que estava com ela que me chamou atenção. Ele não parava de me olhar. Nós nunca tínhamos nos falado, e eu nem sequer sabia seu nome. Aliás, eu só sabia que ele existia pelo simples fato de estarmos fazendo o mesmo curso e, por isso, de vez em quando nos cruzávamos nos corredores.

Enfim, eles entraram em um quarto no fim do corredor e eu pude esquecer momentaneamente o cara do quinto semestre. Me aproximei mais de Walter, que ainda olhava para o jardim com um copo de whisky na mão. O perfume dele se misturava ao cheiro de bebida, me deixando mais zonzo ainda.

- Vamos voltar? – perguntei.

- Vamos. – ele respondeu, deixando o copo na mesinha das flores.

Foi só quando chegamos ao carro que me dei conta que ele não deveria dirigir, pois estava visivelmente bêbado, mas não falei nada. Ele colocou a chave, mas não chegou a girá-la. Encostou a cabeça no volante e ficou lá por alguns minutos.

Por fim, ele tirou a chave, pôs uma tranca no volante e saiu do carro. Saí também, e ele trancou as portas. Pegamos um táxi.

- É aqui. – eu disse ao motorista quando chegamos à minha casa.

Walter se adiantou e pagou a corrida. Tentei reclamar, mas ele apenas fechou os olhos e me disse “boa noite”.

- x -

No dia seguinte acordei tarde e com uma dor de cabeça fora do comum. Por algum tempo temi abrir os olhos, e quando os abri senti que minha cabeça ia rachar por causa da luz. Fui ao banheiro e passei um bom tempo olhando pra pia, tendo a certeza de que vomitaria a qualquer momento. Quando o momento chegou, corri para o vaso.
Eu nem bebi tanto assim, pensei. Ou bebi? Não dava pra lembrar com certeza. Aliás, a noite toda parecia ter se tornado um borrão disforme na minha mente.

Na segunda-feira, ainda com a certeza de estar com uma cara péssima, reparei melhor nas pessoas que via nos corredores. Passando em frente à porta do S5 vi o cara da festa, o que me olhava. Ele era definitivamente bem mais apresentável quando não estava bêbado ou olhando fixamente para alguém. Antes que percebesse que eu o observava, continuei andando até chegar à minha sala.
Walter estava no mesmo lugar de sempre, e sem nem levantar os olhos do que estava lendo tirou a mochila da minha cadeira e disse “oi”.

- Você tá com uma cara péssima. – ele comentou alguns segundos depois, fechando o livro.

- Culpa sua.

- Ah, vai. Não foi ruim.

- Não, não foi.

- Você não quer admitir.

- Acabei de fazer isso.

- A contragosto.

- Deixa de ser chato.

- Não posso. Faz parte da minha natureza.

- x -

Na quarta-feira encontrei um envelope dentro do meu caderno. Na frente estava escrito “Rodrigo” em letras datilografadas. Bem, então ele tem uma máquina de escrever! Já é alguma coisa. Walter me parecia ser o tipo de cara que teria uma.
Abri o envelope com as mãos tremendo um pouco. Porque isso sempre acontecia? Dentro havia uma pétala amarela e um bilhete, também datilografado.

Sei que gosta dessas pétalas
E sei também que posso continuar mandando-as pelo resto da vida
E ainda assim você não vai dizer nada
Mas tudo bem
Eu também não saberia o que fazer se você dissesse

Até logo,

(não achou que eu fosse assinar mesmo, não é?)

O senso de humor do Walter. A certeza de que eu sei e não digo nada. Não, eu não precisava de qualquer outra confirmação.

domingo, 16 de novembro de 2008

(Sem título)

Olá, pessoas...
Uffa! Semana super corrida essa última... Mas o pior foi na quarta, recebi um notícia trágica de que um amigo havia se suicidado. Mas, graças à Deus foi um mal entendido minúsculo que gerou uma proporção tamanha. Depois que... ando meio deprimido por não ter nem um livro pra ler no momento, aquela sequência de livros pra ler que fiz foi pro espaço. É que estou tão absurdamente alucinado por Paulo Coelho, que espero ansiosamente que minha irmã cumpra a promessa de me comprar o livro
'Onze minutos' dele.
Aliás, aqui em Fortaleza está acontecendo a "Bienal", feira de livros no centro de convenções, que sempre é uma ótima oportunidade de quebrar o porquinho e comprar livros. xD (Pena que eu não tenho um porquinho) Mas, mesmo assim, pretendo comprar alguns que uma amiga indicou: "A arte da meditação", que segundo ela vem com um CD, você escuta-o enquanto ler... fiquei super excitado com a idéia, e andou me falando também de um autor,
Osho, que escreve livros voltados pra essas temáticas, tem um chamado 'Farmácia da alma' que ela diz ser muito bom.

A vida nem sempre é como esperamos que seja, e como diz Clarice Lispector:

"Não me dêem fórmulas certas,
porque eu não espero acertar sempre..."

Como diz Linhares Filho:

"aqui estou confinado
entre o esquecimento e a indiferença..."


Não me resta dizer mais nada. Um Cheiiro. xD

P.S.- Fiz um vídeo ontem, vou postar aqui, espero que gostem. (é meio deprê, senão não pareceria cmg. rsrs)


segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Este caminho que eu mesmo escolhi é tão fácil seguir, por não ter onde ir - Maluco Belza / Raul Seixas

Olá...
Eu ia postar o capítulo cinco do Pra não dizer que não falei de flores hoje, mas a verdade é que não consegui terminá-lo a tempo... Mas talvez eu poste na sexta ou na segunta-feira que vem (mais provável na segunda).
Acabo de sair de uma terrível prova de Análise de Circuitos... É deprimente, porque eu achei que tava arrasando na matéria e vem a porra do Teorema de um doido chamado Thévenin pra acabar com tudo! Resultado: tudo indica que tirei um 2. Mas tudo bem, eu supero. Afinal, dois sempre é melhor que zero.
Parente-san (que mudou seu nick para Roh, mas eu nunca vou conseguir deixar de chamá-lo de Parente-san) está mais uma vez sem internet. Talvez ele poste essa semana, talvez não... Mas acho que ele posta sim...
Ah, estou lendo um livro muito bom: A Grande Arte, de Rubem Fonseca.
Conheço muita gente que despreza a literatura nacional, mas a eles eu digo: Não façam isso. Muitos autores brasileiros são simplesmente maravilhosos. Fernando Sabino, por exemplo, é o the best. O melhor livro que li em toda a minha vida foi Encontro Marcado, do Fernando Sabino. A Faca de Dois Gumes também é incrível.
Detalhe: às vezes quando a gente diz "o melhor livro que já li" as pessoas acham que é por causa do estilo, da história, etc, etc... E é mesmo, mas, nesse caso em especial, o Encontro Marcado não é o melhor pra mim só por causa disso. Ele é o melhor porque significou muito para mim quando o li, e não me canso de relê-lo quantas vezes forem necessárias para sentir de novo tudo o que ele tem de especial.
E Brumas de Avalon divide o pódio, evidentemente xD~ Mais uma vez, o que eu mais achei incrível no livro foram alguns assuntos que significavam muito para mim, mesmo que não afetassem muito a história. E foi epecial tamém por tratar o tema do Rei Arthur de uma forma tão maravilhosa, focando principalmente na substituição das reliões "pagãs" pelo cristianismo. Quanta coisa se perdeu nessa loucura de achar que todos os não-cristãos estavam errados!! E o pior é que ainda tem gente que pensa assim.
Bom, por hoje é só...
Até mais...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Don't you late, 'cause nobody is going to save us... - Take It All Away / Cake

E aí, pessoas... Cá estou eu novamente, em pleno outono (eu acho xD~ preciso confirmar na minha tabelinha de estações).
Outubro foi um mês estranho... Todos devem ter percebido que passei o mês um tanto deprimida... Sejamos sinceros, bastante deprimida... Mas, curiosamente, isso não tornou o mês ruim. Talvez a gente precise de um tempo pra pensar na vida de vez em quando, não é?
Aqui vai o capítulo 4 do Pra não dizer que não falei de flores. Peço mais uma vez que as pessoas comentem o que lerem, para fazer .moony. feliz ^^

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Capítulo 4 – Evidências

Como a maioria dos jovens de todo o mundo, eu também me aventurava a escrever uns versos de vez em quando. Hoje em dia não me atrevo a dizer que eram bons, mas na época me bastavam.

Durante as férias preenchi quase um caderno todo só com eles. Na maioria o “porque” imperava absoluto. Porque isso, porque aquilo... Perguntas que eu fazia e não queria saber a resposta.

Às vezes é tão mais fácil não pensar em determinados assuntos... Deixando de pensar, eles param de nos incomodar. Pelo menos por um tempo. E aí depois voltam com toda a força...

Era o que estava acontecendo comigo. No começo resolvi simplesmente parar de pensar naquelas benditas pétalas de rosa, mas depois vi que não seria tão fácil.

Eu ficava pensando... Porque, afinal de contas, Walter estaria fazendo isso? Qual o grande objetivo? Era um risco, pois eu poderia ter me ofendido ao perceber que era ele e nunca mais querer olhar na sua cara. Mas talvez ele já soubesse qual seria minha reação... Talvez já soubesse que eu as guardaria e ansiaria por mais. Será que eu sou tão previsível assim?

Talvez ele já soubesse que eu teria tanto medo de uma confirmação que nunca tocaria no assunto com ele. Mas até quando isso iria durar? Aonde ele queria chegar?

- x -

Voltar às aulas após um torturante mês sem elas sempre foi um grande alívio pra mim, desde que me entendo por estudante. Não foi diferente daquela vez. Era maravilhoso poder saber que agora faltava um semestre a menos para o fim do curso.

Quando entrei na nova sala, Walter já estava lá. Devia ter acabado de chegar, pois ainda arrumava as coisas na cadeira. Ao me ver entrar, ele tirou o caderno que guardava o meu lugar de cima da mesa ao seu lado. Sentei lá.

Eu nunca tinha muito assunto ao voltar de férias, mas parecia que todas as outras pessoas do mundo tinham, e muito. Walter não era exceção. Devo ter passado uns vinte minutos apenas o ouvindo falar sobre seu tão amado mês de folga.

- Ah, e agora vem a melhor parte...! – ele falou, radiante, quando achei que já tinha chegado ao fim do relato. – Arranjei um estágio.

- Sério?

- Sério. No Diário. Eles queriam alguém com ensino médio, pra tirar xerox, digitar coisas, fazer café, anotar recado, varrer...

- Coisas que estagiários fazem. – interrompi, sorrindo, antes que a lista de tarefas se prolongasse por todo o dia.

- Exatamente. Coisas que estagiários fazem. – ele concluiu, orgulhoso.

- Isso é ótimo... E me faz lembrar também que há algum tempo te pedi pra fazer um currículo pra mim.

- Eu fiz.

- Já? – eu sinceramente não esperava que ele fosse se lembrar do meu pedido; e não tinha pressa alguma.

- Já. E já mandei pra alguns lugares também, há séculos. Eu sou rápido, cara.

- Tô vendo...

Nessa altura da nossa conversa a aula começou.

- x -

Como eu havia previsto, as pétalas voltaram a aparecer. Era segunda-feira, uma semana depois das aulas começarem, e eu já estava em casa. Tinha resolvido estudar um pouco à noite, mas quando folheei o caderno para achar a matéria vi algo amarelo entre as folhas. Olhei melhor; era uma pétala de rosa.

Não pude evitar um sorriso. Por alguns dias pensei que não as receberia mais, e, no entanto, lá estava ela. Desta vez amarela. Eu nunca tinha visto rosas dessa cor, mas sabia que existiam. Imaginei como deviam ser lindas quando inteiras...

Já ia guardá-la junto com as outras quando reparei que havia algo escuro nela. Tinha algo escrito. Meu coração deu um salto mortal. Com os dedos trêmulos virei a pétala e li:

Gosto dos seus olhos

A pessoa teve o cuidado de escrever em letra de fôrma. Naquele momento conclui que quem escreveu aquilo deveria ter mãos muito delicadas, tanto para manter a pétala no lugar para escrever, quanto para escrever a frase num lugar tão pequeno e frágil. Ele deve ter rasgado muitas pétalas até conseguir essa, pensei.

Ele poderia escrever cartas, mandar um buquê de flores, ou, se fosse desprovido de romantismo, poderia até ter me mandado um e-mail se declarando. Mas não. Tinha que ser do jeito mais difícil. Tinha que ser escrevendo galanteios numa pétala de rosa!

Foi nesse momento que percebi que o tempo todo só havia pensado na pessoa como ele. Minha certeza era Walter, mas quando me sentia inseguro sobre isso meu pensamento logo viajava para a possibilidade de um “ele” que estaria fazendo isso. Nunca um “ela”.

Bem, ponderei, não seria um comportamento que eu esperaria de uma mulher. Na verdade, era o tipo de coisa que se fazia para uma mulher. No caso, eu.

Estremeci.

Eu não era uma mulher, mas estava sendo tratado como uma. E o pior: estava agindo como uma.

Confuso demais pra minha cabeça. Decidi parar de pensar nesse lado da questão.

Voltei minha atenção para a frase na pétala, procurando nela qualquer detalhe que me lembrasse a caligrafia de Walter. Mas não havia nada. Ele tinha sido cuidadoso nisso também. Talvez, no fim das contas, ele ache que eu não desconfio que seja ele e esteja procurando ser discreto.

O que meus olhos tinham de especial? Levantei da cadeira e fui até o espelho do guarda-roupa. Lá estava meu rosto, me encarando. Seria normal naquela idade ter espinhas, mas eu não tinha. Meu cabelo era castanho e tinha um corte absolutamente normal e sem graça. Mas eu tinha de admitir que meus olhos podiam ser considerados bonitos.

Eram castanho-claro, mas no sol se tornavam esverdeados. Talvez o que mais chamasse atenção nem fosse isso, mas sim o fato de serem levemente puxados. Quando eu ria eles quase se fechavam.

Voltei à mesa e a examinar a pétala. Depois de mais algum tempo, desisti de procurar indícios da identidade do remetente e guardei-a cuidadosamente junto com as outras. Me entristecia saber que se estragaria logo e que eu nem poderia mais ver a frase.

Pensando nisso, tive uma idéia repentina e peguei minha carteira de estudante. Tirei o envelope de plástico que a envolvia e coloquei a pétala lá. Fechei a abertura com fita adesiva. Talvez plastificada durasse um pouco mais.

Finalmente guardei-a dentro do livro, algumas páginas adiante de onde estavam as outras. Naquele saquinho parecia uma evidência de crime.

De certa forma, não deixava de ser.

- x -

Na tarde seguinte decidi reparar mais em Walter. E, fazendo isso, descobri que eu nunca tinha realmente me importado com as pequenas coisas que o definiam, apesar de conviver com ele quase todos os dias.

Eu nunca tinha reparado, por exemplo, que ele mordia a tampa da caneta enquanto ouvia o professor falar. Nem que tinha o maior cuidado em consertar qualquer errinho nas suas anotações, e que suas unhas, ao contrário das de tantos outros rapazes, eram bem cuidadas.

Naquela aula em especial, o que me chamou a atenção foi que, para copiar algo do quadro, ele apertava os olhos e, olhando melhor, dava pra ver que falava baixinho para si mesmo o que estava lendo.

- Do que você tá rindo? – ele me perguntou. Eu tinha começado a rir, de repente, por causa de uma bobagem que me passou pela cabeça.

- Nada... Tava só imaginando como deve ser um japonês míope.

Ele levou uns dois segundos para entender, e depois riu também, um pouco sem graça.

- É meio constrangedor ficar se espremendo todo pra ler. – ele comentou, ainda rindo.

- Existe uma coisa muito útil chamada óculos.

- Odeio óculos.

- Então você tem um?

- Sim, o que não significa que eu use.

- Pois devia usar, senão piora.

Ele resmungou alguma coisa do tipo “sim, mamãe” e voltou a copiar.

- Rô... – ele chamou depois de algum tempo.

- Oi.

-Ainda tem trauma de festas?

- Com certeza. Nem tente. – respondi, olhando furtivamente para o professor e adivinhando o que Walter estava para me dizer.

- Ele não tá nem aí pra gente. – Walter falou, se referindo ao professor. – Escuta, por você não dá mais uma chance à interação social?

- Não.

- Só uma, cara, umazinha. Prometo que vai ser melhor que a calourada.

- Não. Desista.

- Por favor...

- Não me olhe com essa cara de gato-de-botas... – falei, rindo. – Porque essa insistência?

- Quero sair com você, só isso.

Me virei pra ele. Por um instante, eu poderia jurar que o vi enrubescer, como se tivesse dado conta de ter dito algo que não deveria dizer.

- Porque, bom... – ele emendou, parecendo engasgado. – Sei lá, a gente passa o dia todo se matando de estudar, devemos ter uns momentos de diversão, não acha?

- Claro. – respondi, sem pensar.

- Isso é um sim?

- Porque você disse que seria melhor que a calourada?

- Porque é em uma casa, porque não é propriamente uma festa, e sim uma espécie de “reunião amigável”, porque... Tenho milhões de motivos.

- E eu provavelmente nem conheço a pessoa que vai dar esta “reunião”.

- Você e metade das pessoas que vão aparecer por lá.

- Não sei, não...

- Vamos fazer um trato: você vai comigo, e se não gostar a gente vai embora imediatamente.

- Promete?

- Prometo.

- Quando vai ser isso?

- No sábado.

- Tá.

- Isso é um sim?

Olhei pra ele, vencido.

- É, é um sim.


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Até mais...