quinta-feira, 30 de outubro de 2008
"Quem não compreende um olhar, tampouco entenderá uma longa explicação" (Drummond)
Então, nesse meio tempo que fiquei sem postar, aconteceram umas coisas interessantes. ;D
Terminei, em fim, de ler um livro do "Sheldim", Se houver amanhã. Que é bom, é! Só achei meio cansativo, mas, o pró deve ser comigo mesmo. E o final não é lá essas coisas... Daria um ótimo filme.
Comecei a ler Brida, do Paulo Coelho, e logo estarei postando trechinhos do livro aqui, para o tormento de Moony, ela fica dizendo que eu só posto trechos dele, mas, cara, é que os livros dele tem umas partes, assim... Bem filosóficas. Isso! Então acredito que seja interessante postar. Acho que seguindo a ordem que fiz na fila dos livros que vou ler, o próximo será o de Mitologia Grega, né? Aê depois só os do vest. ^^
E, deixando de falar de livros...
Conheci uma pessoa, que vem se tornando muito especial, alguém que tem me feito descobrir uma porção de coisas que não conhecia em mim, - Vai ver elas sempre existiram, mas eu não me permitia conhecê-las. - e de repente minhas inseguranças insustentáveis, minhas fortalezas inatingíveis, cederam lugar a alguém que achou um sentido todo especial, na palavra imperativa: viva!
Simplesmente "viva", no presente, em cada segundo do agora, com toda intensidade do mundo...
Nossa, essas percepções geraram tanta repercussão em mim. Por exemplo, ser feliz, ou pensamos na felicidade como algo distante, algo que temos q construir agora, pra colhermos num vago e desconhecido futuro, ou então, olhamos o tal passado, recordando eras remotas, para nos certificarmos se fomos ou não felizes algum dia. Mas, nunca, nunca nos perguntamos incisivamente se somos felizes.
Se levantar pela manhã, todos os dias, naquele mesmo horário, te faz feliz, se ver aquelas mesmas pessoas, todos os dias, - e que é até chato, às vezes - mas que um dia você pode nem vê-las mais ou com menos freqüência - e que você certamente vai sentir saudade - te faz feliz, hoje. Acontece que idealizamos tanto a felicidade, como algo grandioso e extraordinário, que não percebemos, que ela se dá, na verdade, em cada vão momento em que somos intensos, em que somos nós mesmos, sem maquilagens ou estereótipos.
Mas pelamordedeus, a última coisa que quero é que minhas percepções, sigam o curso daqueles livrinhos de auto-ajuda - não que eu não goste dos mesmos - mas, é que não são.
Quero apenas compartilhar com vocês, meus amigos, algo que descobri, sobre a importância do agora, do presente. Em breve indicarei um texto, do esplêndido Arthur Schopenhauer.
Ele diz algo assim:
"O passado é tão irreal quanto o futuro, o que temos hoje é somente o presente, somente ele é real"
Fim, mesmo querendo dizer algo mais, Rôh.
P.S- Estou mudando meu nick de "Parente", para "Rôh".
domingo, 19 de outubro de 2008
Apenas pare.
Mas, antes de qualquer coisa, eu, pessoa egoísta que sou, sinto uma vontade avassaladora de falar de mim mesma. É uma espécie de desabafo, que nunca fiz a pessoa alguma, nem a que me referi há apenas algumas linhas.
E isso também é pra você, minha cara. Principalmente pra você.
Eu tenho muitos defeitos. Sou egoísta, arrogante, pessimista, dramática, fria e, por muitas vezes, chata e irritante. Não são apenas esses, é claro. O que importa é que são muitos. O tempo fez com que alguns deles fossem melhorando, e, como nem tudo é perfeito, outros pioraram. Eu sou o que sou, não posso evitar isso, nem ir contra a minha natureza, mas é claro que gostaria de ser uma pessoa melhor.
E gostaria de ser feliz também.
Porque hoje mesmo percebi que não sou. Quem não me conhece bem poderia facilmente dizer: “Aquela garota deve ser feliz. Ela tem amigos, uma família completa, é inteligente, não é pobre, apesar de não ser rica, se diverte... Enfim, é uma garota feliz.”
Mas o pior é que quem me conhece “bem” também diria o mesmo.
Eu tenho amigos, sim. E me divirto muito com eles. Todos os dias temos motivos pra se acabar de rir de alguma besteira qualquer. Mas nenhum deles sabe como eu me sinto realmente.
Exceto você.
Só que hoje vi que nem você deve saber. Porque eu nunca contei.
Não os recrimino por não saber. Eu não quis que soubessem. Não era necessário, não ia fazer diferença. Ninguém além de mim mesma poderia entender se eu dissesse.
Eu sempre fui pessimista. Distorço as coisas ruins que me acontecem, tornando-as ainda piores. Na minha cabeça tudo sempre é pior do que realmente é, e faço o maior drama por causa disso. Então, como não consigo mudar essa minha terrível característica, criei outra para me proteger: o humor. O humor negro tão característico das pessoas feias, infelizes ou simplesmente pessimistas. Sei, por experiência própria, que é assim que essas pessoas se defendem do mundo e de si mesmas.
Funciona assim: faço piada da minha própria desgraça, e da desgraça alheia também. Assim amenizo a minha visão dramatizada das coisas, e de brinde ainda faço as pessoas rirem. Sim, tenho conseguido fazer isso. Gosto quando riem. Significa que funciona.
Seria muito bom se todas as pessoas tivessem senso de humor e aprendessem a rir da própria cara. Deixa a vida menos séria.
Por outro lado, esse humor estranho não serve apenas para bater de frente com o pessimismo. Serve também para me esconder de outro problema: a timidez.
Sei que algumas pessoas diriam que não sou tímida. Mas há um número muito maior de pessoas que têm absoluta certeza de que sou sim. E isso dificulta a vida de qualquer um. É estranho, mas o exagero, o humor, a tagarelice, são geralmente armas que as pessoas tímidas usam para não parecerem tímidas. Eu faço isso também, às vezes sem resultado.
Minha família não é nem um pouco perfeita. Todos têm problemas, todos brigam, ninguém se respeita. Acho que a família devia ser um refúgio. Deviam ser pessoas que sempre me aceitariam, seja lá de que jeito eu fosse. Mas não é assim. Estão sempre me recriminando, dizendo que eu deveria ser isso ou aquilo... Queria que fossem as pessoas com quem eu me sentisse feliz e à vontade. E segura. Mas não é assim. Estou sempre me policiando para não fazer algo que não vão gostar, para não ser desagradável. Para não ser eu mesma.
É por isso que gosto tanto de estar com meus amigos. Por isso que gosto tanto de morrer de rir de uma besteira qualquer, ou de simplesmente conversar com eles. E quando eles não estão por perto eu procuro ficar sozinha. Mesmo em casa, eu sempre procuro ficar sozinha. E mesmo chega alguém dizendo: “O que você tem?” Mas não é no tom preocupado e gentil. É mais no tom de “ela deve estar fazendo algo errado”.
Por isso não fico falando dos meus problemas a ninguém. Uma coisa ou outra, pequenas desilusões amorosas, uma nota ruim, isso eu falo. Mas o que realmente me aflige eu procuro esconder. Não quero ser para eles uma pessoa chata e deprimida. Quero ser a garota inteligente e engraçada. Apenas isso. Um pouco de normalidade às vezes vai bem.
Às vezes choro muito. Acontece com pouca freqüência, mas acontece. Eu vou guardando tudo, e então, de madrugada, choro. É como se eu programasse o melhor horário para fazer isso. Quando todos estão dormindo, eu choro silenciosamente, discretamente. E passo a madrugada toda chorando, até dormir de tanto chorar. E, pra aproveitar a oportunidade, vou logo remoendo tudo que me perturba ou perturbou, pra chorar logo tudo de uma vez e não precisar fazer de novo.
Eu sou uma pessoa estranha.
Eu finjo ser mais inteligente, mais experiente, e melhor do que realmente sou. Sou tão arrogante. Mesmo sem ter motivos, eu sou. Pra mim, o que eu faço tem de ser sempre o melhor. E está sempre certo. Acho que no fundo eu quero apenas agradar. O que eu faço tem de ser melhor, porque quero que as pessoas gostem de mim. Quero que me admirem, me respeitem. Não quero que me achem idiota.
E, no entanto, eu sempre acabo fazendo coisas idiotas. E sempre esqueço que não sou melhor que ninguém.
Pensando melhor, acho que você já sabe de tudo isso. Talvez eu já tenha te dito algo assim. Porque, afinal de contas, você é a única pessoa em quem eu sempre confiei.
Você sabe quais são meus defeitos e, evidentemente, não deve gostar muito deles. Assim como conheço os seus e não gosto nada deles. Mas, se os tirarmos, o que será de nós? A vida seria muito sem graça sem eles, não seria?
Afinal, somos tão diferentes. Em algumas coisas somos completamente opostas. Talvez seja por isso que nos gostamos tanto.
Confesso que, muitas vezes, cheguei a te odiar. Odiei coisas que você fez ou disse, e odiei também o fato de não conseguir ficar te odiando por mais de algumas horas, às vezes até minutos. Depois desse tempo eu não agüento mais e passo por cima do motivo que me fez pensar assim de você. Faço vista grossa, tento não me importar mais.
Você sabe como são nossas brigas sérias, não é?
Somos pessoas difíceis. Toda vez que brigávamos e ficávamos sem nos falar por algum motivo qualquer, cada qual pensava firmemente: “Ela é quem está errada.”
Você tinha tanta certeza de que estava certa quanto eu tinha de também estar, e por isso só voltávamos a nos falar quando uma de nós admitia que tinha errado, mesmo tendo total e absoluta certeza de não ter errado coisa alguma.
Essa pessoa geralmente era eu.
Agora isso está acontecendo de novo, antes mesmo da briga começar. Talvez nós nem vamos brigar dessa vez. Estou tentando evitar isso.
Eu tinha decidido, hoje de tarde, a não falar mais com você até que você parasse de se drogar. Eu estava realmente disposta a fazer isso, mas, como você vê, acabei de desistir. Não tenho forças suficientes para continuar com o meu objetivo.
Por falar em forças, você me disse uma grande besteira há uma semana. Você me disse que as pessoas se viciavam porque eram fracas, e que você não era fraca.
Pois sinto lhe informar que é sim. E muito.
Só o fato de ter começado a fazer isso já é uma prova conclusiva de que você é extremamente fraca.
Assim como eu sou, por nem sequer poder fazer você parar.
Não sou tão idiota a ponto de achar que você pararia de fazer qualquer coisa que achasse certo só porque eu deixaria de falar com você. Afinal, esse é um modo um tanto infantil de tratar as coisas. “Não vou mais falar com você, então pare.”. Não, não funciona.
Mesmo porque eu não acreditaria se você por acaso me dissesse que tinha parado. Sei disso porque me conheço e conheço você também.
Talvez você não saiba, mas velhas mágoas me fizeram desconfiar muito do que você diz, às vezes. Talvez até sejam mágoas infantis, digamos assim, mas são mágoas que ainda nãos e curaram.
Por isso às vezes penso que você inventou essa história de estar se drogando. E por isso também penso que, se você realmente estiver, vai ser muito difícil eu algum dia acreditar que você parou.
Você vai ficar ofendida com essas coisas que estou dizendo. Provavelmente também vai achar um grande desrespeito eu estar publicando algo tão íntimo. Ou talvez você nem se importe. Talvez você apenas ria e diga “Que bobagem! Eu estou certa. Não sou fraca como ela pensa que sou”.
E, com a mesma convicção, vou continuar sabendo que estou certa também. Dessa vez não é nada ambíguo o bastante para que nós duas tenhamos chance de estar certas.
Não estou tão próxima de você quanto gostaria de estar. Não posso ir até aí e te chacoalhar até que você pare de pensar e fazer besteiras. Não posso mudar sua mente, assim como você não pode mudar a minha.
Não podemos sair livremente para nos divertir juntas, como gostaríamos de fazer. Também ainda não podemos morar juntas. Podemos apenas nos falar e às vezes nos encontrar para conversar mais ainda.
Queria estar mais perto. Porque você é a pessoa de quem eu mais gosto no mundo, e você sabe disso.
E digo, sem presunção, que também sou extremamente importante pra você. Sei disso. Ou então você a pessoa mais cruel do mundo por me fazer acreditar nisso, mas não acredito nessa possibilidade. Acredito sinceramente que somos importantes uma para outra igualmente. Acredito sinceramente que nos amamos, no sentido mais completo que se possa imaginar.
Porque, ao menos pra mim, não é possível amar amante algum mais do que a um verdadeiro amigo ou amiga. A amizade é um amor completo.
Você é tudo pra mim. Posso passar o resto da minha vida encalhada e infeliz, se você estiver ao meu lado.
E sou egoísta. Tenho ciúmes, quero você só pra mim. Não quero que ame ninguém mais do que a mim. Não consigo suportar a idéia de que um dia você possa me trocar por outra pessoa.
Quando você diz que conheceu alguém, que está gostando de alguém, que está apaixonada ou algo assim, eu sempre acho defeitos nesse alguém. Você já deve ter percebido isso. Deve achar que é o meu jeito, que faço por brincadeira ou que sou apenas implicante mesmo.
Mas não. Eu quero você só pra mim. Tenho medo que esse alguém te leve pra longe de mim.
Sou louca, não sou? Eu sei que sim. Você me chamará de psicopata, maníaca, ciumenta e tantos outros adjetivos que, brincando, você sempre usou para mim. E acredito que todos eles sejam adequados.
Acredito também que você não vai deixar de gostar de mim por causa disso. Eu espero sinceramente que não deixe, pois, como eu já disse, não posso suportar a idéia de perdê-la.
E é justamente por isso que quero que pare de se drogar, antes que seja difícil demais. Sinto-me terrivelmente impotente quanto a isso. Não posso fazer nada.
Posso apenas lhe pedir que pare. Por mim, por você ou por qualquer outro motivo que você queira. Por nós.
Você sabe que estou terrivelmente deprimida. Sabe que não suporto mais muitas coisas. Por favor, não piore isso. Apenas fique ao meu lado até a dor passar.
Uma vez, ou melhor, muitas vezes, eu disse que toda dor passa. E acredito realmente que isso seja verdade. O problema é que às vezes demora tanto...
Fique aqui comigo, segurando minha mão até que isso passe.
E pare, por favor. Estou pedindo.
Apenas pare e fique aqui.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
"De repente fico rindo à toa..."

Ta vendo esse livrão lindão aê em cima?? É meu. ;DD
Aconteceu na noite de terça-feira(14), No centro cultural aqui da minha cidade, tem uma programação que me leva todas as terças pra lá, enfim. É sempre muiito divertido, no final, fico com amigos na "Praça verde", Quando já estávamos indo embora por volta das 22:00h da noite, um amigo me chama e pede para dá-lo minha mochila, até então tudo bem, quando chego em casa e abro a mochila, lá estava, lindão, com a seguinte dedicatória:
Nós regidos por Mercúrio, devemos estar abertos a todo o conhecimento.
Isso nos é inerente! Peculiar a nossa essência.
A Mitologia era senão a própria "verdade" para os gregos... Boa leitura.
Abraços."
(...)
Um Cheiiro.
domingo, 12 de outubro de 2008
Desejei penteá-los por todos os séculos dos séculos, tecer duas tranças que pudessem envolver o infinito por um número inominável de vezes.
O título do post é um trechinho do capítulo O Penteado, de Dom Casmurro, Machado de Assis.
Vou postar hoje o terceiro capítulo da "nova história" que, a partir de agora, tem um título definitivo: Pra não dizer que não falei de flores. Pra quem não sabe, esse também é o "nome/título" (xD) de uma música do Geraldo Vandré que foi o grande hino da juventude na ditadura, aqui no Brasil.
Pois é...
Quem me conhece sabe que a velocidade com que estou escrevendo esses capítulos é assustadora xD Espero continuar assim...
A propósito, eu gosaria de dizer pras pessoas que tem tempo (vejam bem, apenas para as que TEM tempo), que não não vai doer nem custar nada ler um post particularmente grande. A maioria das pessoas que entram em um blog leêm apenas o primeiro post, e somente se for pequeno!!
Toda e qualquer pessoa que escreve sabe que a maior recompensa que há é quando você sabe que alguém leu o que você escreveu e gostou. Ou então faz alguma crítica, no mínimo, construtiva.
Bom, então se eu escrevo, é porque quero que as pessoas que frequentam este blog leiam o que estou disposta a publicar. Se estou escrevendo uma história e postando aqui, é porque, evidentemente, eu quero que me digam se ela está ficando boa ou não. Se fosse só pra ficar criando mosca, eu deixava no Word mesmo, sem mostrar a ninguém, e estaria tudo resolvido.
Então tá.
Aqui está o terceiro capítulo, especialmente para Parente-san e Vanessa, que até o momento têm sido as únicas pessoas que realmente têm lido (Se leu e não comentou, subtende-se que não leu. E pronto.).
Capítulo 3 – Dai-me rosas, rosas...
Walter me acordou às oito horas da manhã, disse que me esperaria na cozinha e foi-se embora. Aturdido, levantei e caminhei como um zumbi até o banheiro. Só depois de lavar o rosto foi que acordei de verdade e me dei conta, mais uma vez, que aquele não era meu banheiro e que eu não tinha nada pra escovar os dentes. Como em resposta ao meu desespero mudo, vi que tinha uma escova nova em cima da cama. Desembalei e usei, porque, afinal de contas, devia estar lá para mim.
Vesti as roupas da noite anterior e procurei meu celular. Ele estava na mesa do computador, carregando. Reparei também, surpreso, que na mesinha-de-cabeceira havia um vaso com algumas rosas. Eu nunca imaginaria que Walter gostasse de flores.
- Olá. – falei, quando descobri o caminho da cozinha e o encontrei lá.
- Senta aí.
Puxei uma cadeira e tomei o café que provavelmente tinha sido preparado por ele. Não era ruim. Assim que terminasse eu arranjaria um jeito de voltar pra casa.
- Não tem mais ninguém em casa? – perguntei depois de um tempo.
- Não. Minha mãe é médica e dá plantão de madrugada. Ela deve chegar daqui a pouco... Ontem quem tava aqui era a minha irmã, que faz questão de fazer o maior escândalo toda vez que chego tarde. Ela já deve ter saído pra fazer alguma inutilidade qualquer.
- Hm...
Não toquei mais no assunto. Ele nunca falava muito da família, então eu tinha que me contentar com os raros momentos em que o fazia. Como aquele.
- Meu pai é militar. – ele continuou, olhando pra xícara. – Por isso a gente vivia se mudando. Não era de bairro em bairro, como eu falei uma vez. Era de estado em estado. No máximo dois anos em cada um. Mas chegou uma hora que minha mãe não agüentou mais isso e resolveu ficar num lugar só, seguir a própria carreira e tudo o mais... E eles se separaram.
Não falei nada quando ele terminou. O que eu poderia dizer? Walter parecia ligeiramente constrangido por ter me contado tudo aquilo, e quando levantou os olhos eles pareciam querer saber qual era minha avaliação sobre tudo o que ele tinha dito.
- Bom... Essas coisas acontecem. Nem tudo dá maravilhosamente certo a vida toda... Talvez tenha sido melhor assim. – acrescentei, hesitante.
- É... Talvez tenha mesmo.
Continuamos a comer, em silêncio. Mas em cinco minutos ele voltou a falar.
- Acho que eu precisava contar isso pra você. Porque, sabe, eu nunca tive tempo de ter um amigo ... Um amigo de verdade, entende? Eu sempre ficava pensando “Não vou ficar aqui por muito tempo” e acabava não me envolvendo muito com as pessoas. E não achava ruim, mas só depois foi que eu fui perceber o quanto tinha perdido fazendo isso... Mas agora eu quero ficar aqui, e quero ter alguém que saiba como realmente me sinto e como eu realmente sou.
- Eu... nem sei o que dizer, Walter. – respondi, sinceramente.
- Não precisa.
Dito isso, ele levantou e recolheu os pratos e xícaras. E eu me despedi e voltei pra casa.
- x -
Passei o resto do domingo estudando e na segunda-feira fiz a bendita prova que quase me fez não ir pra calourada. Se ela tivesse conseguido eu estaria bem mais feliz...
Alguns minutos depois de eu ter terminado a prova, Walter também saiu da sala.
- E aí?
- Nada mal.
- Eu não disse que ia dar certo? A propósito, vai ter uma festa na casa d...
- Se você tem amor à vida, não se atreva a terminar essa frase! – falei, entre dentes.
- Você precisa melhorar essa sua aversão à sociedade...
- Estou muito bem com ela.
- Mudando de assunto... Porque a você não manda um currículo pra alguns jornais? Eu já mandei o meu.
- Mas já? A gente ainda tá no primeiro semestre.
- Que é que tem? Não precisa ser um emprego no jornal em si. Talvez eles precisem de alguém pra fazer café e anotar recados... O importante é estar lá, sabe? No ambiente.
- É, faz sentido... Vou pensar.
O que eu sentia em relação a trabalhar era mais ou menos o mesmo que senti antes de entrar na faculdade. Por um lado, era uma chance de independência, e, por outro, me apavorava. Sempre achei que não seria capaz de fazer nada. Eu estava estudando pra ser jornalista, mas não conseguia me imaginar como um. Minha vida nunca passava da teoria.
- Walter... – chamei, querendo pensar em alguma besteira qualquer para afastar esses pensamentos apavorantes da cabeça
- Oi.
- Você não acha que Walter é um nome meio estranho?
- Acho... mas quando eu começo a pensar assim, digo pra mim mesmo: “Bom, se fosse Wagner seria bem pior” e aí me sinto melhor.
- Hm...
- Você é tão monossilábico...
- Você acha?
- Aham... Nunca te vi tagarelando. Você devia fazer isso; é bom.
- Acho que todas palavras de que eu preciso se concentram na minha mente.
- Nossa... Isso foi profundo. Tá vendo: quando você abre a boca sempre é pra dizer no máximo duas frases ou então algo profundo.
- Você não presta...
- Não mesmo.
- Walter... – chamei mais uma vez, depois de alguns minutos andando em silêncio.
- Você realmente adora meu nome...
- Porque tinha rosas na sua mesinha?
Que pergunta estranha!, pensei comigo mesmo depois de tê-la feito. Mas era algo que me atormentava desde o dia anterior, não sei nem por que. Afinal, o que tinha de errado em ter algumas flores no quarto?
- O que tem de errado com elas?
- Nada... Eu só... Sei lá, achei meio surreal.
- Eu gosto de flores. Tem tantas no jardim, que não custa nada tirar algumas e trazer pra casa, não é?
- Aham.
- Você não gosta de flores?
- Gosto... – respondi, pensando. – Gosto, sim.
- De quais?
- Bom, não sei... – porque estamos falando tanto de flores? – Nunca vi nenhuma que achasse feia. Nem nunca reparei muito em alguma que achasse mais bonita que as outras.
- Calma, deixa eu absorver isso... Você é meio complicado às vezes.
- Não sou, não. – falei rindo. A conversa se desviou pra outros assuntos e as flores foram esquecidas.
- x -
Na semana seguinte, durante uma aula de Português, achei uma pétala de rosa branca dentro do meu dicionário. Não devia ter sido colocada há muito tempo, porque eu tinha usado ele naquela mesma aula.
- Viu alguém mexer aqui? – perguntei a Walter, que estava do meu lado.
- Não. – ele respondeu, e voltou a prestar atenção no professor.
Olhei ao redor. Não, eu não tinha visto ninguém mexer nas minhas coisas. A única pessoa que teria uma chance real de colocar aquilo lá tão rápido que eu nem perceberia era o próprio Walter. Olhei mais uma vez para ele. Minha vontade era perguntar “Foi você?”, mas não fiz isso.
Por quê? Naquele momento eu tinha absoluta certeza de que tinha sido ele. Perguntaria apenas para confirmar. Mas o que eu faria se ele dissesse que realmente tinha colocado aquela pétala lá?
Achei melhor não dizer nada. Até porque também tinha certeza de que ele sabia que eu sabia. No fim das contas, podia ser apenas uma brincadeira qualquer. Algo pra me deixar nervoso e pensando que fosse alguma coisa realmente importante.
Tentei não pensar mais nisso.
- x -
Alguns dias depois achei outra pétala. Desta vez estava no meu caderno, e só vi quando cheguei em casa. Curiosamente, estava na página em que eu tinha anotado uns versos de Fernando Pessoa.
Dai–me rosas, rosas
E lírios também.
Guardei-a cuidadosamente dentro da Antologia Poética de Fernando Pessoa, onde a outra, já murcha, também estava.
Porque ele está fazendo isso comigo?, pensei. Não tem mais graça.
E o pior era que Walter agia como se nada estivesse acontecendo. Estava tudo tão normal que por vezes achei que aquelas pétalas eram uma alucinação minha. Às vezes até me pegava repassando mentalmente todas as pessoas que conhecia e avaliando qual delas faria isso.
Mas, no fundo, eu sempre soube, não é?
Eu também tinha de admitir que gostava daquilo. Tinha de admitir que achava romântico. Poético. E, quando pensava assim, me repreendia mentalmente por estar agindo como uma garotinha apaixonada e tentava me convencer de que aquelas pétalas não significavam nada.
Mas elas significavam, sim.
Até as férias recebi mais cinco delas. Todas brancas. Era uma pena que murchassem tão rápido... Mas eu não me atrevia a jogá-las fora. Ficavam lá, dentro do livro, mesmo secas e marrons.
Eu nem pensava mais na possibilidade de tocar no assunto com Walter. A simples idéia de que ele poderia responder já me aterrorizava. Resolvi deixar tudo como estava.
No último dia de aula nos despedimos como se estivéssemos indo pra guerra. Ele me fez prometer que passaria na sua casa. Mas eu não passei. Naquele mês de férias nos falamos apenas por telefone, e e-mail de vez em quando.
Senti falta das pétalas, mesmo sabendo que não as receberia enquanto não voltasse a vê-lo. Talvez tenha sido por isso que não fui na casa dele; eu estava com medo de que isso fosse a confirmação.
E se eu fosse lá e ele me confessasse tudo? Não, não podia correr esse risco. Tudo estava muito bem como estava. Eu já tinha certeza de que era ele.
Mas porque?
Até mais...
sábado, 11 de outubro de 2008
♠~ Pés no chão, e os olhos nas estrelas~ ♠
Mudando de assunto, gostaria de me desculpar pela ausência, por estar sempre prometendo coisas que não cumpro (sim, porque tava olhando meus post's antigos e, nossa, eu sou um puta inadimplente.)
Enfim, meus queridos, depois de passar 30min. procurando uma imagem decente pra por antes da poesia abaixo, fui vencido pela falta de imagens que preste. Se alguém puder me indicar um site bom com imagens legais, ta valendo! Fora que a poesia também nem vai combinar com esse lay berrante e feio.
Eu até tentei fingir
Mas os meus olhos não sabem mentir
E a minha boca sempre acoberta os meus desejos
Adianta alguma coisa dizer que não me rendo?
Se os meus braços sempre correm pro teu corpo
E o meu corpo te pede
Minhas mãos te pedem
Mas amar a distância não dá
Eu preciso te ver - Te tocar
Pra saciar meus desejos - Meus instintos
E quiçá morrer, afogado em teus beijos
Eu me entrego por inteiro
Mas onde está você, meu desejo?
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Inté... *Revoltado*
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
So if you really love me say yes,but if you don't, dear,confessand please don't tell me perhaps, perhaps, perhaps - Perhaps, perhaps, perhaps / Cake
Olá... Finalmente consegui colocar esse capítulo dois aqui xD Quem quiser ler o prólogo e o um, é só clicar aqui.
Pois é... Estou tentando, mais uma vez, mudar o layout do blog, mas acho que sou vou conseguir outro dia qualquer... Bom, é isso. Leiam, comentem, e façam uma blogueira feliz ^^/*
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Capítulo 2 – Pequenos enganos
Por incrível que pareça, eu fui mesmo. Nunca tinha ido a uma festa de verdade, mas resolvi arriscar. Afinal, como o Walter disse, eu tinha que acordar pra vida. Tá certo que levei dezoito anos pra começar a fazer isso, mas tudo bem...
O campus da estadual, assim como o nosso, ficava numa região mais afastada da cidade. Às vezes eu tinha a impressão de estar numa fazenda, de tanta terra que se via por todos os lados, e apenas alguns prédios concentrados no meio.
Walter me esperava bem na entrada, como combinado. Não pude deixar de reparar que ele se esmerara bastante ao escolher as roupas; comecei até a me perguntar se eu não havia me desleixado demais nas minhas. Mas ele nem me deu tempo de pensar muito, pois em trinta segundos me vi arrastado pra dentro da festa e fui apresentado a tantas pessoas em tão pouco tempo que no dia seguinte eu não lembraria o nome e o rosto delas nem sob tortura.
- Não tem nenhum lugar menos barulhento? – gritei pra ele, querendo fugir daquela cacofonia interminável de risos, conversas e música alta.
- O quê?
Repeti três vezes e desisti, porque ele não me ouvia de jeito nenhum. Acho que estávamos bem no olho do furacão. Por fim, arrastei-o pra longe dali, perto de umas árvores onde não havia quase ninguém e a música já parecia estar mais longe.
- Qual o problema? – Walter perguntou quando chegamos. Desabei na grama e olhei pra ele, pasmo.
- Qual o problema? Eu só tô aqui há meia hora e já nem sei mais se tenho tímpanos!
- Deixa de ser anti-social! Anda, vamos voltar. – ele ordenou, me puxando dali. Não me mexi.
- Pode voltar. Eu vou ficar aqui.
- Quantos anos você tem? Cinco? Anda! A gente vai voltar agora mesmo.
De nada adiantaram meus protestos. Ele me puxou com mais força e fomos pro meio daquela multidão ensandecida e bêbada mais uma vez. Daquela noite em diante, decidi que não gostava nem um pouco de festas e fiquei sinceramente agradecido de não ter ido a nenhuma outra antes.
Achamos um balcão improvisado em frente ao prédio principal e Walter comprou uma latinha de cerveja pra ele e um copo de não-sei-o-quê pra mim. Achei impressionante o fato do “barman” ter ouvido o que ele pediu e acertado na entrega.
- Toma. – Walter falou, me entregando um copo com algum líquido estranhamente escuro e gelado.
- O que é isso?
- Algo alcoólico. É tudo que você precisa saber. Agora toma e vê se relaxa, senão não vai aproveitar nada.
- E o que tem pra se aproveitar aqui? – perguntei, rindo de puro desespero.
- Sabe o que é isso? - ele perguntou, apontando para a cerveja que tomava. – Bebida. E sabe o que é aquilo? – ele voltou a perguntar, apontando agora para um grupo de garotas conversando e bebendo a poucos metros de nós. – Mulher.
No exato momento em que ele disse “mulher” eu estava tomando o primeiro gole daquela coisa que ele me dera, e simplesmente senti minha garganta ser queimada. Eu podia jurar que sentira a coisa queimando até o meu estômago. Mas ele não interpretou muito bem minha tosse inoportuna...
- Que foi, não gosta? Bom, eu conheço uns caras...
- Não!
- Não o quê?
- Não... Sei lá! Do que você tá falando? – perguntei, confuso e rouco.
- Ora, achei que ‘cê não gostasse de mulher, então eu tava dizendo que você podia ir...
- Espera aí, eu só tossi!
- Ah, cara, conheço esse tipo de tosse... Vai, pode dizer, não tem problema.
- Dizer o quê, sua criatura maluca? Eu tossi porque essa coisa estranha que você me deu tentou me matar!
Ainda passamos uns dez minutos discutindo essa tosse. No fim das contas, ele fez uma cara de “tá, vou fingir que acredito” e me deixou lá, sentado num banquinho tosco de madeira perto do balcão, com o copo vazio na mão. Eu nem reparei que tinha tomado enquanto discutíamos.
Pedi outro daquele para o cara do balcão. Não era tão ruim, afinal. Alguns segundos depois consegui ver que Walter estava dançando com uma loura e eles não paravam de gritar um no ouvido do outro para se comunicar.
Olhei ao meu redor. Incrível como realmente havia pessoas se divertindo naquele lugar. Talvez eu fosse mesmo muito anti-social... Quando minha cabeça começou a latejar, comprei uma cerveja, não sei nem por que, e fui me refugiar no mesmo lugar onde tinha encontrado um pouco de silêncio antes. Chegando lá, me certifiquei de que aquelas árvores enormes não davam nenhum fruto enorme que pudesse cair e rachar minha cabeça, e me sentei debaixo de uma delas. Não era nada confortável ficar encostado lá, mas eu não tinha nada melhor pra escolher.
Abri a latinha e tomei um gole da cerveja. Horrível. Mas ao menos estavaa gelada, e não descia pulverizando nada. Foi só naquele momento que repassei mentalmente o acontecido no balcão. Walter estava achando que eu não gostava de mulher!
E você gosta?, perguntou a minha consciência. Era um péssimo momento para ela aparecer.
Refleti por algum tempo... Eu já tinha ficado com garotas antes. Não uma quantidade absurda, mas algumas. Nada demais. Namorada? Não, nenhuma. Mas isso não significa que eu não goste, não é? E eu também nunca tinha sentido nada de especial por nenhum cara.
Nessa altura dos meus pensamentos, Walter chegou. Ele estava ligeiramente trôpego e se desequilibrou quando foi sentar ao meu lado. Reparei que o zíper da sua calça estava aberto.
- E aí? – ele perguntou, olhando pra mim.
- E aí o quê?
- Como foi?
- Acho que essa pergunta é pra você. – respondi, apontando pra sua calça aberta. Ele olhou e fechou o zíper, rindo.
- Ah, tá. Bom, não foi nada demais. Quero saber como você se sente, tendo encontrado a verdadeira paz e tranqüilidade embaixo dessa árvore. – ele continuou, irônico. Pegou a latinha da minha mão e tomou o resto da cerveja. – Tá quente...
- Me sinto com vontade com vontade de ir pra casa. Vamos. – declarei, me levantando e tentando puxá-lo dali, mas não era nada fácil. Ele parecia ser feito de chumbo.
Depois de muito esforço consegui fazê-lo se mexer. Fomos até o ponto de ônibus, lentos e desanimados, e o pior foi ver que lá havia um monte de gente tão bêbada quanto ele. Levei um bom tempo pra conseguir fazê-lo me responder que ônibus ele pegava e onde desceria. Decidi levá-lo pra casa e só depois ir pra minha. Não era uma decisão muito sensata, já que eu mal podia confiar nas instruções dele, mas achei que seria bem pior deixá-lo sozinho.
O resultado foi que depois de uma hora rodando pela cidade achamos a bendita casa, que, por sinal, era muito bonita. Mesmo naquela hora da madrugada, com apenas a iluminação dos postes, dava pra perceber que era uma dessas casinhas bem cuidadas e aconchegantes até do lado de fora.
- Calma aí... – Walter falou, quando nos aproximamos do jardim. Ele procurava alguma coisa no bolso. – Vem cá.
Demos a volta na casa e, quando ele finalmente achou as chaves, entramos pela porta dos fundos. Aliás, eu nem sabia por que estava entrando também. Disse a ele que ia embora, e em resposta recebi apenas um aviso para não fazer barulho.
Então Walter me puxou até uma escada e, tropeçando e rindo de vez em quando, conseguimos subir. Só quando entramos no que me parecia ser o seu quarto foi que ele acendeu alguma luz. Pisquei algumas vezes pra me acostumar com a claridade repentina e o que vi foi um quarto atulhado de papel e livros por todos os lados. Na mesinha-de-cabeceira o relógio marcava as três horas da manhã. Eu não sabia que era tão tarde!
- Agora quero saber como eu vou voltar, seu maluco! – reclamei com ele, que tinha se jogado na cama e estava agora ocupado com mais um acesso de riso.
- Não volta, oras!
- Muito engraçado!
- É sério. Fica aqui, amanhã ‘cê volta pra casa.
Não dei mais atenção ao que ele dizia. Tirei o celular do bolso e constatei, desesperado, que tinha descarregado. Meus pais já deviam ter chamado a polícia, os bombeiros, o exército, tudo!
- Me empresta o telefone.
Walter, pra minha total incredulidade, se enfiou debaixo da cama e tirou de lá um telefone vermelho antigo, daqueles que a gente tem que girar uma roda pra “discar” os números.
- Toma. Vê se não faz muito barulho quando girar isso aí.
E então ele entrou numa porta que eu imaginava que seria o banheiro e me deixou lá, com um telefone empoeirado que eu nem sabia se funcionava. Ouvi o chuveiro ser ligado. Disquei o número da minha casa, limpei o fone na camisa e esperei. O som era horrível, mas no fim das contas consegui avisar que só voltaria pra casa no dia seguinte. Eu não estava nem aí se a proposta do Walter era séria ou não, mas no momento foi a única coisa plausível que me passou pela cabeça.
Pouco tempo depois ele saiu do banheiro, enrolado em uma toalha da cintura pra baixo. Um acesso de pudor me fez olhar pro outro lado do quarto enquanto ele se vestia.
- O Tomate funcionou? – ele perguntou, já vestido e aparentemente sóbrio.
- Tomate?
- É, o telefone.
- Seu telefone tem um nome?
- Ah, qual o problema? Tomate é um nome legal.
- Claro...
- Vai ficar?
- É o jeito, né...
- Então pega. – ele disse, me entregando um pijama. – Garanto que é melhor do que dormir de jeans.
Já que eu tinha que dormir ali, não pude resistir à tentação de tomar um banho e trocar de roupa. Já estava até pensando em como seria maravilhoso encontrar minha cama, quando me dei conta de que não estava em casa.
Quando saí do banheiro, já devidamente vestido, Walter estava terminando de arrumar um colchonete no chão. Achei incrível o fato de ele ter tanta disposição depois de um porre.
- Pode ficar com a cama, hóspede. – ele anunciou, se deitando no colchonete.
- Mas é a sua cama. – reclamei, notando que ela também tinha sido arrumada enquanto eu estava no banheiro.
- Lá vem você com mais frescura... Deita aí, vai, já tem uns quinze anos que não faço xixi na cama. Ela tá perfeitamente limpinha e saudável.
Já que não tinha jeito, deitei. Walter apagou a luz, e dentro de uns dez minutos parecia já ter adormecido. Eu não conseguia dormir, apesar do cansaço. Aquela não era minha casa, não era meu quarto. E, principalmente, aquela cama não era minha. Muito menos os lençóis, com o cheiro de amaciante que dizia que tinham sido lavados naquele mesmo dia. Fiquei pensando se Walter seria tão cuidadoso assim com todos os “hóspedes”.
Já que eu não conseguia dormir mesmo, comecei a observar melhor o quarto. Com a luz apagada era difícil divisar as coisas, mas, olhando atentamente, percebi que estava tudo no seu devido lugar. Bom, quase tudo.
Pelo que pude ver, a estante onde ele colocava os livros estava cheia, então o excedente foi arranjado em pilhas no chão. Ao lado da mesinha estava encostado um violão e, em outra mesa, perto da estante, ficava o computador. Papéis de todos os tipos cobriam o chão.
Pela janela vi que o céu estava ficando mais claro. Deve ter sido isso o que me fez dormir.
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Até mais...
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Havia algo de insano naqueles olhos.Os olhos que passavam o dia a me vigiar - Camila, Camila / Nenhm de Nós
O segundo capítulo daquela "nova história ainda sem título" que postei aqui outro dia está, neste exato momento, dentro do meu MP4, mas ele simplesmente não quer sair de lá de dentro xD Ou seja, não vai ser hoje que vou conseguir postar isso... Mas, pra quem estiver interessado, o prólogo e o primeiro capítulo estão logo abaixo do post do Parente-san, que está logo abaixo deste post xD~
Esses último dias têm sido tão deprimentes... Eu achava que nunca mais ia me importar tanto com alguém como me importo com um certo alguém (deu pra entender, né? xD). Aliás, eu nem sabia que ele era tão importante até... Bom, até quinta ><"
Mas é a vida, né, fazer o quê... Um dia eu consigo o/*
Tentarei mudar o layout agora, mas tenho a ligeira impressão de que não vai dar certo... Nada dá certo nesse computador!
Bom, é isso...
Até mais...